Revista do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo nº 19

01/08/2025

Compartilhe:

Revista do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo nº 19 – Dossiê: “A infância e o que ela tem a (nos) dizer”

Expediente

SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
ADMINISTRAÇÃO REGIONAL NO ESTADO DE SÃO PAULO
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Luiz Deoclecio Massaro Galina

SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Rosana Paulo da Cunha
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ricardo Gentil
ADMINISTRAÇÃO Jackson Andrade de Matos
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Marta Raquel Colabone
ASSESSORIA JURÍDICA Carla Bertucci Barbieri

GERENTES
ESTUDOS E DESENVOLVIMENTO João Paulo Leite Guadanucci
ARTES GRÁFICAS Rogério Ianelli
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira

REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADORA DO DOSSIÊ Sabrina da Paixão Bresio
PREPARAÇÃO DE TEXTO E REVISÃO DE PROVAS Tatiane Ivo
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Veridiana Scarpelli
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Omnis Design

EQUIPE SESC
Rafael Peixoto e Flavia Prando


Apresentação

As infâncias como permanente recomeço

Por Luiz Deoclecio Massaro Galina, Diretor do Sesc São Paulo

As transformações observadas na mídia nas últimas décadas, impulsionadas pelo avanço dos meios eletrônicos, suscitam debates recorrentes sobre o destino das publicações impressas. Nessa discussão, há quem vaticine o fim dos impressos e, por outro lado, quem proclame a reabilitação de jornais e revistas em suporte de papel, desde que repaginados sob novos modelos de gestão, nos quais a coexistência com o digital seja um fator de resiliência.

Atento aos sinais dos tempos, o Sesc São Paulo acompanha essas mudanças de forma propositiva, promovendo a publicização de veículos tanto impressos quanto digitais. Entre os diversos títulos de seu portfólio editorial, destaca-se a Revista do Centro de Pesquisa e Formação, em meio online, que chega ao décimo ano com esta 19ª edição, trazendo ao público o dossiê temático “A infância e o que ela tem a (nos) dizer”.

(…)

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


Dossiê: “A infância e o que ela tem a (nos) dizer”

Uma fresta no espaço: mapear com as infâncias e como as infâncias

Por Jader Janer Moreira Lopes

RESUMO
Temos aqui um artigo escrito com Torres Altas, Muros Cercados, Cantos Ocultos e por Frestas encontradas. Locais criados que escondem segredos. Segredos de mapas e das cartografias, sobretudo as infantis. É, assim, um texto sobre como os bebês e as crianças, como seres históricos e geográficos, linguageiros no mundo e com o mundo, criam e inventam suas formas cartográficas singulares. É um texto orfanato, pois guarda as muitas linguagens humanas, em especial a das infâncias e de seus registros em forma de mapas.

Palavras-chave: Cartografia. Bebês. Crianças. Lógicas infantis. Autorias infantis

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


Repensando o planejamento urbano com ajuda das crianças: uma reflexão a partir da experiência do CoCriança

Por Ayumy Pompeia

RESUMO
Com uma estimativa de mais de 1 bilhão de crianças vivendo em cidades médias e grandes, a questão de como melhorar a relação das infâncias com a cidade mostra-se cada vez mais relevante. O reconhecimento da influência do espaço sobre o desenvolvimento infantil subsidia o avanço de pesquisas, iniciativas da sociedade civil e políticas públicas que caminhem nesse sentido. Diante disso, questiona-se como operacionalizar esses avanços. O que deve ser levado em conta na implementação de ações que propõem considerar a criança no planejamento urbano? O que a prática revela nesse sentido? Com o objetivo de enfrentar essas questões, este artigo parte da experiência de trabalho da Organização da Sociedade Civil (OSC) CoCriança para elencar sete pontos-chave a serem levados em consideração no esforço de qualificar a relação entre crianças e cidades. São eles: 1. tomar a criança como parâmetro; 2. ter abertura para escutar; 3. trabalhar com múltiplas linguagens; 4. oportunizar o brincar; 5. promover a integração com a natureza; 6. ampliar o repertório e 7. envolver cuidadoras e cuidadores.

Palavras-chave: Infância. Cidade. Planejamento urbano. Brincar. Participação.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


Turismo e infância: contribuições transdisciplinares

Por Angela Fileno e Elizabete Sayuri Kushano

RESUMO

A polissemia da palavra “infância”, associada à complexidade do fenômeno turístico, pressupõe que o tema “Turismo e Infância” seja estudado de uma forma ampla e transdisciplinar. O presente trabalho tem o propósito de analisar, tomando esse tema como objeto, as possíveis transdisciplinaridades existentes em 12 artigos científicos que o abordam e foram selecionados na plataforma “Publicações de Turismo” a partir de buscas por determinadas palavras-chaves. Este texto examina esses artigos para compreender seus enfoques, especialmente quanto à fundamentação teórica. Os resultados apontaram que alguns artigos, embora façam menção à criança e à infância, não aprofundam o entendimento sobre o tema. No entanto, há autores que utilizam a Sociologia da Infância e a Geografia da Infância para balizar suas pesquisas. Uma parte das produções acadêmicas analisadas trata dos aspectos mercadológicos do turismo infantil, ressaltando seus benefícios econômicos e o papel decisório das crianças na escolha do destino e/ou atrativo turístico. São poucas as publicações que problematizam as questões éticas ligadas ao estímulo do consumo infantil e seus impactos no brincar e nas culturas das infâncias, no contexto do Turismo. Embora muitos dos artigos analisados não apresentem a compreensão dos autores sobre crianças e infâncias, há de se notar um fator positivo nos estudos que dão visibilidade aos turistas e às comunidades locais mirins.

Palavras-chave: Crianças. Turismo infantil. Artigos científicos de turismo.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


Educação infantil: a presença do ateliê nas práticas com bebês e crianças pequenas

Por Marcela Juliana Chanan

RESUMO
Este texto nasce da atuação da autora como professora-pesquisadora do “chão da escola”, ou seja, protagonista da ação pedagógica que exerce e que vivencia em seu cotidiano com bebês e crianças pequenas. Essa ação se dá por meio da observação participante e do registro fotográfico de propostas planejadas; para isso, a autora se utiliza, em diálogo com pressupostos teóricos, da escuta. O presente artigo tem como objetivo promover a visibilidade e a reflexão sobre a importância do ateliê, na educação infantil, como espaço de investigação, exploração e criação de proposições que tenham, nelas, múltiplas linguagens entrelaçadas – mas também como um espaço de encantamento com tais proposições –, visando, por meio delas, a garantia do desenvolvimento integral. Este texto também busca demonstrar a conclusão da autora de que a presença do ateliê nas práticas pedagógicas está vinculada ao estabelecimento de um novo olhar para a pedagogia e para a arte; ao investimento na formação artística e cultural; e a uma postura docente que valoriza o ato criativo, as singularidades, a curiosidade e os ritmos de cada bebê e de cada criança, garantindo a eles aprendizagens significativas.

Palavras-chave: Educação Infantil. Ateliê. Bebês. Arte. Estética.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


O “não” lugar das artes para as infâncias

Por Maria Ezou

RESUMO
O presente ensaio aborda a interseção entre o lugar, a arte e as infâncias, com reflexões sobre as experiências vividas por meio da concepção e da montagem da Exposição Cidadela e seus desdobramentos. É um texto que destaca a importância de entender como as crianças se relacionam com o espaço e como isso influencia suas experiências com as artes. O ensaio discute o conceito de “não” lugar para as artes nas infâncias, refletindo sobre as restrições e os estereótipos que cercam a experiência artística das crianças. Argumenta que a arte para as infâncias vai além de produzir obras para a fruição da criança; trata-se de criar um espaço relacional no qual o adulto também é acolhido, construindo assim a noção de “público-ponte”. Por fim, apresenta a ideia de que a arte para as infâncias tem o potencial de transformar os espaços e as relações sociais, criando ambientes de produção artística efervescente que promovem um diálogo qualificado e constante entre crianças e adultos.

Palavras-chave: Território. Espaço. Lugar. Arte. Infâncias.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


Um teatro que nasce da escuta das crianças

Por Sandra Vargas

RESUMO
O artigo discorre sobre a trajetória do Grupo Sobrevento, companhia teatral fundada em 1986, cujas essências são a pesquisa e a experimentação no Teatro de Animação, no Teatro de Objetos e no Teatro para a Primeira Infância. A narrativa do artigo contextualiza o surgimento do Grupo em meio a um panorama teatral conservador, destacando como iniciativas externas, tais quais cursos e festivais, influenciaram sua aproximação ao Teatro de Animação e ao Teatro para Crianças. Além disso, o artigo aborda a evolução do Teatro Infantil no Brasil, evidenciando a importância de se implementar políticas públicas e patrocínios privados para fomentar o desenvolvimento e a profissionalização desse setor. Ademais, este artigo pretende evidenciar a relevância do Teatro de Pesquisa e sua contribuição para o desenvolvimento cultural, destacando o papel do Sobrevento na renovação do Teatro Infantil e na valorização de sua dimensão artística – longe de uma abordagem meramente recreativa ou utilitária.

Palavras-chave: Grupo Sobrevento. Teatro de Animação. Teatro de Objetos. Teatro para a Primeira Infância. Teatro Infantil. Teatro para Bebês. Teatro de Grupo.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


Artigos

Produção cultural, ambiente e sociedade: reflexões teórico-metodológicas sobre artes performativas e pesquisa-ação baseada em artes

Por Victor Kinjo, Eduardo A. Colombo e Pedro R. Jacobi

RESUMO
O objetivo do artigo é refletir sobre as articulações entre produção cultural e ciências sociais e ambientais. Tal reflexão parte do potencial que as artes performativas e a pesquisa-ação baseada em artes têm enquanto modos de conhecimento e ações socioecológicas. Esses diálogos revelam um campo fértil para a teoria e a prática de novos conjuntos de saberes, os quais aliam a pesquisa científica à pesquisa artística em direção a sínteses que possam mobilizar afetos, sentidos e intervenções frente os desafios planetários. Busca-se, nesse sentido, contribuir téorica e metodologicamente para a emergência de ciências e artes da regeneração que possam embasar inovações na comunicação científica, no engajamento social, nas gestões cultural e ambiental, na economia criativa e na educação para a sustentabilidade.

Palavras-chave: Produção cultural. Artes performativas. Sustentabilidade. Pesquisa-ação baseada em artes. Transdisciplinaridade.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.



Metodologia ABC – Audiovisual, Bola e Câmera: ferramentas alfabetizadoras em habilidades sociais

Por Mônica Saraiva da Silva e Sebastián Acevedo Vásquez

RESUMO
Este artigo tem como objetivo apresentar como as ferramentas Audiovisual, Bola e Câmera podem ser fontes alfabetizadoras, em habilidades sociais, para crianças, adolescentes e adultos, em ambientes educacionais, esportivos, culturais, corporativos e sociais. A união desses três elementos de acesso universal permite que cada pessoa conecte corpo e mente, treine em liberdade, desenvolva seus olhares crítico e criativo, identifique emoções, elabore raciocínios e tome decisões. Pensadoras e pensadores como o ambientalista Ailton Krenak, a professora Antonieta de Barros, a filósofa Djamila Ribeiro, a “amefricana” Lélia Gonzalez e o patrono da educação Paulo Freire, que expressam e comunicam importantes temas da sociedade – como educação popular; alfabetização libertadora; prevenção ao racismo estrutural; e meio ambiente sob a ótica ancestral – compõem a equipe que inspira as ideias aqui colocadas.
Palavras-chave: Audiovisual. Bola. Câmera. Educação. Direitos humanos. Gondwana.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


O Festival como ferramenta de mudança social

Por Tomasz Kireńczuk

RESUMO
Os festivais desempenham um papel significativo como plataformas de mudança social, servindo como espaços de expressão cultural, reflexão coletiva e resistência. Esses eventos criam oportunidades para desafiar as normas sociais, amplificar as vozes marginalizadas e envolver-se em questões políticas e sociais urgentes. Ao promoverem o diálogo e o pensamento crítico, os festivais incentivam a reavaliação das estruturas de poder e proporcionam um local para imaginar futuros alternativos. Enquanto ferramentas para a transformação social, promovem a inclusão, a solidariedade e uma compreensão mais profunda dos desafios contemporâneos, desde a migração e a desigualdade até às preocupações ecológicas. Esse artigo explora como os festivais funcionam como instrumentos de mudança, com o Festival de Santarcangelo oferecendo um estudo de caso relevante no contexto destes objetivos mais amplos.

Palavras-chave: Festivais e mudança social. Transformação política. Diálogo social. Inclusão e solidariedade.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


Entre iniciativas “pioneiras” e desenvolvimento tecnológico: a história dos esports contada a partir do Norte Global

Por Tarcízio Macedo e Gabriela Borges Sebastião

RESUMO
Este artigo examina questões relacionadas à gênese dos esports, destacando como as narrativas hegemônicas do Norte Global, particularmente dos Estados Unidos da América (EUA) e do Japão, moldam a história desse fenômeno. Ao revisar a historiografia dos esports produzida sob uma perspectiva norte-centrada, argumenta-se que essas narrativas desconsideram outras contribuições regionais e reproduzem injustiças históricas e epistêmicas. Ao final, o trabalho conta com pesquisadores do Sul Global para desafiar essas imagens e discursos coloniais, valorizando experiências e práticas locais para reimaginar as culturas e as histórias dos esports pelo mundo.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


A acessibilidade estética como uma proposta de reparação histórica

Por Camila Alves

RESUMO
Este artigo é também um convite. Traz questões éticas e políticas sobre o acesso e a acessibilidade estética, bem como bagunça, aleija e convida o leitor ao risco. Faço nele uma passagem histórica sobre a deficiência e o acesso que viemos construindo até aqui. Neste artigo, discuto a fixação corpo-normativa pelo manual. Trago narrativas que permitem problematizar e, assim, recriar as histórias únicas acerca da deficiência e da acessibilidade. Histórias singulares, locais e situadas têm a força de multiplicar as versões, têm a força política de refazer o que conta e o que não conta no mundo. Contar histórias, muitas histórias, faz-nos compor um mundo mais rico e mais denso. Propositalmente, este não é um artigo para ajudar, mas para provocar. É preciso provocar o estabelecido para a criação de um mundo mais esteticamente interessante para mais vidas. Aqui vocês encontrarão a acessibilidade estética como uma proposta de reparação histórica. Acessibilidade se faz refazendo uma história que deixou e ainda deixa muitos corpos de fora.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


Gestão Cultural

Cartas como um gênero possível na proposição de atividades para a remição de pena por leitura

Por Fernanda Mendes Soares Barreiros

RESUMO
Este artigo parte de reflexões sobre a construção de políticas públicas para o livro, a leitura e a literatura no ambiente prisional. Tais reflexões foram realizadas no âmbito de minha participação no curso de Gestão Cultural do Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc São Paulo, incluindo a redação do trabalho de conclusão desse curso, feito sob orientação da pesquisadora Juliana Santos. O objetivo deste texto é traçar uma arqueologia do percurso normativo da remição de pena através da leitura no Brasil, bem como de uma elaboração do direito à literatura no cárcere. A partir disso, este artigo justifica a proposição de atividades do gênero “cartas” para o pleito de redução da sentença de pessoas privadas de liberdade por meio de práticas de leitura literária, em alinhamento com a Resolução nº 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Palavras-chave: direito à literatura, formação leitora, remição de pena por leitura, escrita de cartas.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


Territórios Culturais: desafios e boas práticas na articulação e no diálogo de unidades do Sesc São Paulo em seus territórios de atuação

Por Bárbara Guirado, Bruno Melnic, Diogo Bueno de Lima, Fabio Mattos, Jefferson Alves e Ricardo Martins

RESUMO
Este artigo investiga as potencialidades e os desafios na gestão de equipamentos culturais, considerando a relação dinâmica com os territórios em que estão inseridos. O trabalho analisa estratégias, caminhos e boas práticas para o estabelecimento de relações dialógicas, democráticas, acolhedoras e eficazes entre o equipamento cultural e a comunidade. Como estudo de caso, será abordado o período da unidade provisória e a implementação da unidade do Sesc Santo Amaro, fruto de um rico mapeamento e de constante diálogo com os fazedores de cultura e a comunidade local, projeto posteriormente denominado “Santo Amaro em Rede”. A pesquisa baseia-se em documentos referenciais do Sesc São Paulo e na análise qualitativa de entrevistas com técnicos, pesquisadores e membros da comunidade envolvidos nesse projeto, o qual mapeou 290 experiências de instituições, grupos, artistas e entidades da zona sul de São Paulo e adjacências, além de 33 experiências individuais, totalizando 323 iniciativas mapeadas entre grupos e indivíduos.

Palavras-chave: Mapeamento sociocultural. Território. Redes.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


As relações de parceria – mapeamento dos serviços públicos e privados no território

Por Amanda Busch Rigo Neves Bezerra, André Alcantara Martins, Bruno Alexandre Ferreira e Sueli Felizardo Costa

RESUMO
O texto aborda projetos socioesportivos no terceiro setor, com foco em regiões de vulnerabilidade social – as quais têm acesso limitado a diversos serviços, incluindo práticas esportivas. A pesquisa, baseada em revisão de literatura e relatos das instituições às quais os autores são vinculados, destaca a importância de entender o contexto local, as parcerias e a infraestrutura necessária para o sucesso dessas iniciativas. A atuação do terceiro setor é crescente, complementando a incompletude do Estado em atender demandas sociais. A Constituição Federal (CF) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (CF) garantem o direito ao esporte, que deve ser promovido por meio de trabalho em rede, envolvendo parcerias entre os setores público, privado e organizações da sociedade civil (OSCs). O financiamento dessas iniciativas (como, por exemplo, por intermédio das Leis Federal e Estadual de Incentivo ao Esporte) é essencial para viabilizar projetos. A inclusão social por meio de ações e projetos depende de mobilização comunitária e do mapeamento territorial para identificar lacunas existentes nos territórios. A confiança no potencial transformador do esporte educacional no Brasil também é ressaltada. A colaboração entre diferentes atores sociais é fundamental para gerar transformações sustentáveis e criar uma sociedade mais justa e inclusiva.

Palavras-chave: Parcerias; Rede; Terceiro setor; Esporte; Projetos Sociais; Financiamento; Desenvolvimento humano; Voluntariado; Vulnerabilidade social.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


Diálogos sobre capacitação de mulheres gestoras que atuam no futebol feminino

Por Beatriz Pinheiro, Gabriel Mayr, Márcio Pires e Rafaela Esteves

RESUMO
O estudo explora os desafios enfrentados por mulheres gestoras no futebol feminino, com foco na sub-representatividade em cargos de liderança e nas barreiras sistêmicas que dificultam o avanço profissional nesse campo. Por meio de abordagem mista (qualitativa e quantitativa), a pesquisa identificou lacunas em competências técnicas e comportamentais, como gestão financeira e liderança, e apontou ações estratégicas, como programas de mentoria e políticas de equidade. O estado de São Paulo foi tomado como referência devido a seu destaque na promoção da modalidade. Os resultados contribuem para reflexões críticas e formulação de políticas voltadas à igualdade de gênero e à capacitação de gestoras no futebol feminino.

Palavras-chave: Gestão esportiva. Futebol feminino. Igualdade de gênero. Capacitação profissional. Barreiras sistêmicas.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.


Entrevista

Entrevista com Anete Abramowicz

Centro de Pesquisa e Formação: Em sua trajetória acadêmica, as pesquisas que vem desenvolvendo buscam contribuir para a configuração do campo dos estudos da infância no Brasil. Poderia traçar um panorama das mudanças e avanços observados ao longo dos últimos anos, considerando o cenário na época da publicação de seu livro Estudos da infância no Brasil e o panorama atual?

Anete Abramowicz: Os avanços foram inúmeros, como todo campo científico, mas ainda permanecem pontos estruturais que definem e compõem esse território. Como o livro indica, partimos de uma espécie de “ponto zero” sobre a emergência desse campo na atmosfera científica brasileira e ocidental, que foi o trabalho de Florestan Fernandes e de Virginia Leone Bicudo. Florestan constituiu, na época, a sociologia brasileira, e Virginia podemos dizer que compunha o campo das relações étnico-raciais. A partir daí temos uma primeira onda – tomando a ideia de “onda” do movimento feminista – nas décadas de 1970 e 1980, quando o tema da infância emerge em diversos contextos e nas discussões sociais. Podemos resumir que, nesse período, as temáticas referiam-se principalmente às questões derivadas da desigualdade social, marginalidade cultural, pobreza, trabalho infantil, indicadores de desempenho escolar, entre outras. Podemos chamar de segunda onda a década de 1990, quando ocorre uma eclosão e emergência de trabalhos vinculados às relações étnico-raciais e à sociologia da infância, como avaliação, qualidade, política pública e currículo, por exemplo.

Contemporaneamente, podemos falar de uma quarta onda, na qual alguns temas seguem com vigor, como a infância negra e indígena. Há também uma ênfase em estudos sobre bebês, com uma tendência crescente de que essa área tenha um campo científico próprio, denominado “Estudos de Bebês”. Além disso, surgem estudos do que tem sido chamado de “ciberinfância”, ou seja, a relação das crianças com as mídias sociais e com os dispositivos de controle e de subjetivação, como a internet, os celulares, tablets etc. A relação entre crianças e objetos, que antes parecia separada, hoje se apresenta de maneira distinta, especialmente no que diz respeito aos computadores e à internet. Somos agora “pessoas-objetos”, acopladas às máquinas — cibermáquinas, como sujeitos imersos na ciberinfância.

Como sairemos disso se passamos a compor nossos corpos com a internet? Ainda há continuidade de estudos sobre Educação infantil, com ênfase em temas como alfabetização, a importância do brincar o abandono das creches pelo Estado, o que tem gerado o fenômeno da “filantropização” das creches, ou seja, a transferência das crianças de 0 a 2 anos e 11 meses para convênios com as prefeituras, acompanhada de um “apostilamento” progressivo, fornecido por empresas pedagógicas para as atividades das crianças pequenas. Há também pesquisas no campo da Educação Especial, com o crescente diagnóstico de transtornos do espectro autista, além do tema da medicalização das crianças, que sempre foi uma preocupação nos estudos sobre a infância. Um aspecto relevante que está emergindo que é a violência do Estado brasileiro e o assassinato de crianças, muitas vezes referidos como “balas perdidas”, que atingem principalmente os corpos de crianças pobres e negras. Também assistimos a guerras que vitimam crianças de maneira inaudita, sem que os organismos internacionais se posicionem adequadamente para protegê-las. Estamos diante de um infanticídio em curso, como se vê nas guerras em Gaza, no Sudão, na Ucrânia e no Brasil, por meio das chamadas “balas perdidas”. Além disso, continuam a ser debatidos temas estruturais da sociologia da infância, como trabalho infantil, mortalidade infantil e desigualdade social.

Para ler a entrevista completa, baixe neste link.


Resenha

Por uma relação incômoda com a loucura

Por André Ricardo Nader

Resenha do livro: SCULL, Andrew. Loucura na civilização: uma história cultural da insanidade. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2023.

Qual a função de olhar para o passado e conhecer a história daqueles que nos antecederam? A resposta a essa questão determina o modo como leremos o livro Loucura na civilização: uma história cultural da insanidade (2023) e como, por essa obra, seremos atravessados. Ela é escrita pelo sociólogo britânico Andrew Scull, que, ao trazer as diferentes maneiras pelas quais a loucura foi interpretada ao longo da história, diz muito sobre nossa atualidade – pelo menos para aqueles que ainda acreditam que o passado fala sobre o presente.

Vivemos em uma época e em uma cultura nas quais a história tem um peso ínfimo, pois o que é elevado à categoria daquilo que importa é o presente: nossas atitudes, nossas crenças e nossas percepções atuais seriam as únicas coisas que nos definiriam. Nada mais reducionista, mas, infelizmente, nada mais “verdadeiro” para definir o modo como nos subjetivamos nos dias atuais.

Para ler a resenha completa, baixe o arquivo neste link.


Poesia

Natália Xavier

monotonia:

algo pesado

a esperar que eu relinche

coloque a tesoura

na linha dorsal

da cabine de controle

não volte.

nem pela mínima fome

poema sem título

Natália Xavier, 2024.



Narrativas Visuais

A I K U T E | a certeza da herança que vamos deixar para nossos filhos é a luta

Por Edgar Kanaykõ Xakriabá

Com base no pensamento do povo Xakriabá de que “a certeza da herança que vamos deixar para nossos filhos é a luta”, este ensaio fotográfico propõe apresentar como as crianças Indígenas estão presentes em seus territórios – e, sobretudo, como se dá a participação delas nos movimentos dos povos Indígenas, nas reivindicações de direitos territoriais. Dessa forma, podemos ensaiar uma breve compreensão dessas infâncias; de como elas compõem o mundo e com ele se relacionam a partir do território ao qual pertencem, tornando-se uma mesma identidade – por meio dos gestos, afetos e nos olhares –, no brincar de fazer brinquedos com o barro, dando formas a partir do território que elas são; e de como essas relações se revelam por meio da imagem, da luta e do corpo-território.

Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.



Conteúdo relacionado

Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.