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Morada Viva

A 10º edição da mostra socioambiental Pétala por Pétala trouxe o tema Morada Viva.
A 10º edição da mostra socioambiental Pétala por Pétala trouxe o tema Morada Viva.

Em 2017, a mostra de práticas socioambientais Pétala por Pétala, realizada no Sesc Interlagos, chegou à sua 10º edição. Iniciando em 2008 como uma exposição de orquídeas, ao longo do tempo o evento foi se direcionando para questões ambientais até que chegou ao formato atual, com foco também no contexto social.

A mostra gira em torno de uma feira com expositores predominantemente da Zona Sul de São Paulo, que trazem iniciativas inspiradoras em termos socioambientais. O evento também traz rodas de conversa, oficinas, vivências e espetáculos artísticos, sempre norteados por um tema recebido anualmente.

Neste ano, o Pétala por Pétala aconteceu sob o tema Morada Viva, com o qual foi discutida a interação da sociedade com o meio ambiente a partir do espaço que se vive, a casa.

O que é casa?

A moradia – desenvolvida ao longo do tempo através de construções consumidoras de energia e geradora de resíduos – pode ser apresentada como espaço de oportunidade para a reconexão do ser humano com o meio ambiente, pois as casas podem ser espaços produtores de alimento, água e energia, passando de espaços inertes, exclusivamente imovéis, para organismos vivos.

Este entendimento de casa viva tem fortes ligações com a atuação de Friedensreich Hundertwasser, artista, arquiteto e ecologista austríaco. Hundertwasser afirmava que o ser humano tem 5 peles: o próprio corpo, as vestimentas que utiliza, a casa que habita, a sociedade que está inserido e, por fim, o planeta que vivemos. Todas são parte integral do indivíduo, o protegem e, ao mesmo tempo, necessitam de cuidados.

Agroecologia

Uma forma de produzir alimentos de maneira mais integrada nas relações ambientais e também preocupada com as relações sociais, a agroecologia alinha saberes ancestrais com o científico, tornando-se mais que uma agricultura orgânica, pois além do cuidado com o solo e o adubo para não utilizar venenos e agrotóxicos, é também considerada a diversidade da produção, respeitando as épocas do ano, para que se mantenha o maior equilíbrio possível da plantação.

Por exemplo, o plantio de espécies consorciadas que ajudam no crescimento de outras plantas e também de ervas aromáticas que repelem possíveis “pragas”, que por sinal, não são consideradas pragas e sim, um indício de que o ambiente não está devidamente equilibrado. Além disso, a agroecologia incentiva o fechamento do ciclo natural, deixando a planta florescer para atrair polinizadores que retiram o néctar, frutificando assim esta espécie, podendo gerar sementes para utilização na própria plantação.

Quanto a questão social atrelada à agroecologia, há a contrapartida positiva de não utilizar o veneno: o produtor evita de ser exposto à sua inalação, a água que a população utiliza deixa de ser poluída e o solo não é contaminado. Além do próprio alimento gerado que é muito mais saudável para consumo.

Tecnologias domésticas e bioconstrução

Técnicas que ganham cada vez mais proporção pelo seu viés sustentável e econômico, conectando a nossa casa com o meio ambiente. Por exemplo, a cisterna que aproveita as águas da chuva e que pode ser usada na descarga; a compostagem que utiliza o resíduo orgânico que seria direcionado a um aterro sanitário para ser transformando em adubo; ou um biodigestor que reaproveita o resto de alimentos pra gerar o gás metano, utilizado como gás de cozinha.

Hoje existem bioarquitetos que utilizam recursos alternativos para a construção civil, como o adobe (mistura de terra argilosa, água e palha e que não precisa ir à queima, como o tijolo comum) e placas de aquecedor solar para esquentar a água do chuveiro e que nem precisa ser cara pois é possível ser construída com canos PVC e embalagens Tetra Pak.

Ainda que elementos convencionais sejam usados na construção das casas, quando aliados à alternativas sustentáveis, possibilitam a redução da quantidade de resíduos e rejeitos.

Moda sustentável e Cosmética natural

A moda sustentável prevê a revisão do ciclo da confecção de uma roupa, desde a escolha do tecido, o processo de confecção das peças e a sua distribuição, pois a indústria têxtil é uma das mais poluentes do mundo. Também é uma alternativa aos moldes padronizados - sejam os modelos das peças ou os números dos manequins - que as grandes marcas oferecem. Portanto, a moda sustentável busca trabalhar com os diferentes modelagens, com o reaproveitamento e a customização de roupas e valorizando o trabalho de costureiras e alfaiates, profissões um tanto esquecidas.

Seguindo o mesmo sentido de revisão de processos, a cosmética natural busca produções alternativas, pois apesar da farmacologia ser testada cientificamente, sua origem é natural, já que seus princípios ativos são extraídos da natureza. Desta forma, a produção de cosméticos naturais leva em conta os saberes ancestrais sobre o poder das plantas para a criação de produtos de higiene pessoal e também do ambiente, fugindo de fórmulas com composições sintéticas e testes em animais.

Cuidar do Planeta, da sociedade e da casa - peles compartilhadas com demais indivíduos - e também cuidar de nós mesmos, vai além de uma simples proteção, é a nossa preservação como espécie. E foi neste sentido que o Pétala por Pétala trouxe o tema Morada Viva para reflexão, esta que deve ser mantida além do evento.

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