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Habitar Palavras: João Brambila

Casal barroco 

— Professor, como faço as pazes com o Mundo? 

— Entendendo aquilo que não pode ser mudado. 

— E como faço as pazes comigo? 

— Mudando aquilo que pode no Mundo. 

Tenho meditado tanto nesse diálogo longínquo... o tempo de pensar agora me transborda. Encho-me a ponto de derramar nos extremos: ora divido-me em mil, ora agonizo em um. E assim vou refletindo nesse casal barroco que é o meu Eu-Mundo. 

Sei que a vida não me deve doçuras, mas o pensamento preso à inércia é tão amargo... O que me cala a reclamação é lembrar daqueles que, pelo contrário, estão presos do lado de fora nesses tempos forçadamente caseiros.  

Assim, com pensamento que já dói de excesso, encontrei uma ideia doce no longínquo Professor. Vou abraçar a ironia, fazendo em casa as pazes com o Mundo; quando sair novamente, levarei o doce ao invés do amargo, e no Mundo farei as pazes comigo. 

 

O de sempre 

A cada dia uma vida 
A cada vida uma tragédia? 
À tragédia bastam seis palavras: 

"Nasceu, 
Passou, 
Expirou, 
E só. 
Viveu?" 

Mas ao dia da vida vai apenas uma 
Então basta que a reiterem: 

"Repetir, repetir. Repetir, repetir - repetir: repetir" 

E sigo a ordem do dia 
E repito 
E vivo? 
Tragédia... 

 

Um sonho reto 

Dormir na cama mais torta 
E sonhar o sonho mais febril 
E acordar com a mente mais turva 
E levantar a mais cambaleante alma 

E fazer força com a alma 
E refletir na água turva 
E descansar da febre torta. 

Enfim ter um sonho reto. 

 

Sobre o autor

João Victor Pereira Brambila nasceu em 29/05/2001 na cidade de Birigui, interior de São Paulo, onde reside desde então. É filho de Denise Brambila e do falecido José Luis Brambila. João escreveu sua primeira poesia aos 14 anos, fruto de uma inspiração repentina que o visita até hoje, levando-o a novos versos e pequenas prosas. Atualmente, é licenciando em Matemática pelo Instituto Federal de São Paulo, campus Birigui.

 

Habitar Palavras - Biblioteca Sesc Birigui

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