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História de cordel

O Brasil retratado nos versos de poetas e repentistas

HERBERT CARVALHO


Foto: Reprodução

Da Guerra de Canudos aos dólares na cueca da era "mensalão", os principais fatos da história do Brasil têm chegado às populações marginalizadas, rurais e periféricas, em especial da região nordeste, por meio de uma mídia que, embora alternativa, figura entre as mais antigas: a literatura de cordel, derivada da cantoria popular dos poetas repentistas.

Herdeira dos menestréis da Idade Média, essa tradição, presente nas feiras nordestinas, tem para seu público fiel, por vezes, mais credibilidade que a informação distante e fria dos grandes veículos de comunicação. "Aqui foi outro resgate/ do poeta cordelista/ que também é um repórter/ igual a um jornalista/ mas narrando diferente/ do jornal e da revista", define a estrofe final de um cordel, evidenciando que o autor anônimo, líder de sua comunidade, apreende o acontecimento a partir de uma sensibilidade e visão do mundo própria, e o reformula e retransmite em saborosa linguagem popular.

O baixo preço dos folhetos e o tom humorístico da maioria deles são outros atrativos para que algumas tiragens cheguem aos milhares. O poeta que alcança êxito, com títulos vendidos e revendidos no mercado, em geral é aquele que informa, ensina e diverte. Na década de 1950, no auge do gênero, foram impressos e vendidos 2 milhões de folhetos apenas sobre a morte de Getúlio Vargas, num total de 60 títulos.

Foi dessa maneira que muito sertanejo nada ou pouco alfabetizado tomou conhecimento desde as aventuras de Carlos Magno e os doze pares de França até a chegada do homem à Lua, passando pelos milagres do padre Cícero e as lutas reais ou imaginárias de cangaceiros como Lampião. Sobre o processo de transmissão oral, o escritor paraibano F. Coutinho Filho, em seu livro antológico Violas e Repentes, relata: "Quantas vezes fiquei a ouvir trabalhadores do eito, homens analfabetos, cantando primorosas sextilhas e outras estrofes populares, que aprendiam de cor".

Em suas diferentes métricas - quadra, sextilha, septilha, décimas ou martelo (assim chamado quando a torrente de rimas "martela" sem parar), de um total que ultrapassa 30 gêneros -, a poesia popular com freqüência contém uma surpreendente erudição, como no seguinte martelo agalopado, exemplo típico do que alguns estudiosos chamam de "classicismo sertanejo":

Assisti a tragédia do Dilúvio,
Contemplei todo incêndio de Sodoma,
Fui ministro dos Césares em Roma,
Penetrei nas crateras do Vesúvio;
Comovido, senti o doce eflúvio
Dos sermões de Jesus na Galiléia,
Escavei as ruínas de Pompéia,
Sondei todas as grutas netuninas,
Tomei parte nas lutas herculinas,
Fui criado com o leite de Amaltéia!

Não por acaso essa forma de expressão atraiu o interesse de folcloristas como Mário de Andrade, Luís da Câmara Cascudo e Orígenes Lessa, influenciando poetas e escritores como João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa. O poeta matuto Patativa do Assaré (ver Problemas Brasileiros nº 359) chegou a ser agraciado com o título de doutor honoris causa por universidades brasileiras e teve sua obra estudada em congêneres da França e da Inglaterra.

Sátira aos ingleses

A versão impressa no formato padrão de um quarto de folha de papel ofício, com número par de páginas (em geral 32 ou, mais raramente, 64), tem origem em Portugal, onde ganhou o nome "cordel" devido ao costume, mantido no Brasil, de se exporem os folhetos pendurados em barbantes, os chamados cordéis, em mercados e feiras. Presente também na Espanha, com a designação de pliegos sueltos, e na França, onde é chamado de littérature de colportage, o cordel atravessou o Atlântico na bagagem dos colonizadores, encontrando seu habitat natural na área que se estende da Bahia ao Maranhão.

Os primeiros vates nativos da tradição oral - os violeiros e repentistas - surgiram na segunda metade do século 18, enquanto os folhetos escritos apareceram a partir da década de 1870, com destaque para a obra do paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), até hoje aclamado como patrono da literatura de cordel, autor de mais de mil títulos.

A Guerra de Canudos (1896/97), contada por Euclides da Cunha em Os Sertões e recontada pelo escritor peruano Mario Vargas Llosa em A Guerra do Fim do Mundo, foi o primeiro episódio da história do Brasil registrado em um cordel. Seu autor foi um soldado paraibano que participou da campanha, João Melchíades Ferreira da Silva (1869-1933), um dos pioneiros do gênero.

No início os autores das poesias escritas eram também cantadores, que improvisavam os versos e viajavam pelas fazendas e pelos vilarejos do sertão. Com o advento de imprensas particulares, o sistema de divulgação se aperfeiçoou: o poeta não necessitava mais viajar, pois suas obras eram vendidas por revendedores contratados, vigoroso esquema de distribuição editorial estruturado precisamente por mestre Leandro, que aliava à sua veia poética o tino empresarial. Mas ainda hoje é comum que o próprio poeta, de viola em punho, cante nas feiras e nas praças os versos que vende impressos. Como nos desafios, a viola é apenas um adereço para realçar a poesia.

Leandro Gomes de Barros, na transição do século 19 para o 20, cantava temas que cem anos depois se repetem, como a migração dos pobres do nordeste para o sul e os programas políticos para acabar com a corrupção e os sofrimentos do povo, numa evidência de que em alguns setores o país evoluiu muito pouco, e os problemas seguem sendo os mesmos. Em um de seus poemas, em que narra a viagem do então presidente da República Afonso Pena a Pernambuco, em 1906, ele aproveita para denunciar a ganância dos ingleses, que então haviam construído e exploravam a Great Western of Brazil Railway, ferrovia que ligava o Recife a Garanhuns:

Eu nunca vi esta estrada
Como agora desta vez
Outrora tinha um fiscal
Agora tem dois ou três
Não viaja mais no mole
Nem mesmo a mãe do inglês.
(...)
Se o papa chegar aqui
Tem que comprar a passagem
Santidade é uma coisa
Que não vale nada em viagem
Se não comprar o bilhete
Só vai se for na bagagem.

Outra sátira de Leandro é O Dinheiro, um dos folhetos em que Ariano Suassuna se baseou para escrever Auto da Compadecida, que relata a negociação entre um inglês e um padre para o enterro de um cachorro. Sobre Leandro Gomes de Barros, Câmara Cascudo diz, no livro Vaqueiros e Cantadores: "Viveu, com família e decência, exclusivamente de escrever versos, imprimi-los e vendê-los às dezenas de milhares. É ainda o mais lido de todos os escritores populares. Soletrado com amor e admirado em feiras e fazendas, escreveu para sertanejos e matutos, cantadores, cangaceiros, almocreves, comboieiros, feirantes e vaqueiros".

Getúlio e o cordel

Até a Revolução de 1930, o cordel e os repentistas se ocupam de temas regionais, como a saga do padre Cícero Romão Batista em Juazeiro do Norte (CE) e as peripécias de cangaceiros como Antônio Silvino e Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

É nessa época que o gênero consolida sua força de narrativa épica, como nas cenas em que Leandro Gomes de Barros evoca os romances de cavalaria que estão na vertente ibérica da nossa cultura. Embora use chapéu de couro e gibão em vez de armadura e espada, Antônio Silvino diz, na septilha de Leandro:

Eu choro a falta que faz-me
Todos os meus companheiros
Qual Carlos Magno chorou
Por seus doze cavaleiros
Nada me faz distrair
Não deixarei de sentir
A morte dos cangaceiros.

Mas é no quarto de século em que a figura de Getúlio Vargas dominou a política brasileira que a poesia popular mais registrou a cena nacional. Os bardos nordestinos enxergaram nas leis trabalhistas a primeira vitória dos excluídos, que haviam saído da escravidão para o estado de semi-servidão a que os submetera a oligarquia rural durante a República Velha. Os pobres agora tinham direitos, que os versos não cansavam de louvar:

Hoje o homem que trabalhou
Para servir seu patrão
Sabe que tem suas férias
Boa remuneração
E chegada a invalidez
Recebe sua pensão
Mas antes de vir Getúlio
Recebia em vez de pecúlio
Pontapés e bofetão.

Tinham mais: força política. O poeta popular baiano Cuíca de Santo Amaro, um dos grandes nomes do cordel até sua morte, em 1964, expressa essa força numa paródia que fez do solene "Credo" católico, para clamar pela volta do "pai dos pobres" ao poder, durante o interregno de 1945/50:

Creio em Getúlio Vargas todo-poderoso,
Criador das leis trabalhistas
Creio no Rio Grande do Sul e no seu filho
Nosso patrono, o qual foi concebido
Pela Revolução de 30
Nasceu de uma Santa Mãe
Investiu sobre o poder de Washington Luís
Foi condecorado com o emblema da República
Desceu ao Rio de Janeiro ao terceiro dia
Homenageou os mortos, subiu ao Catete
E está hoje assentado em São Borja
De onde há de vir e julgar
O general Dutra e seus ministros
Creio no seu retorno ao Palácio do Catete
Na comunhão dos pensamentos
Na sucessão do presidente Dutra
Por toda a vida, Amém.

Além do carisma de Getúlio e apesar de criticarem em seus versos a carestia e os baixos salários, nessa época os cordelistas tinham meios para publicar suas histórias em pequenas gráficas, ou até para se aventurar como editores. Por isso, o suicídio de Vargas foi o mais estrondoso evento jamais relatado pela crônica popular, de acordo com Orígenes Lessa, que tinha uma grande coleção de folhetos sobre esse tema e o analisou no livro Getúlio Vargas na Literatura de Cordel.

Estas rimas de Rodolfo Coelho Cavalcante, espelhando a tradição da eterna luta do bem contra o mal que a poesia popular na maioria das vezes evoca, não apenas informam, mas sobretudo denunciam:

Suicidou-se Getúlio?
Não, leitores, isto não!
Mataram doutor Getúlio
Com a arma da traição
Venderam-lhe e ameaçaram-lhe
Ferindo seu coração.

Como Cristo foi Getúlio
Maltratado e oprimido
Por Gregório atraiçoado
Por Climério atingido
Por amigos desprezado
Por parentes sucumbido.

De JK a Lula

Na turbulência política que se segue ao suicídio de Getúlio em 1954, Carlos Lacerda prega abertamente contra a posse de Juscelino Kubitschek e João Goulart (Jango), eleitos presidente e vice no ano seguinte. Cuíca de Santo Amaro não se intimida, antecipando o contragolpe que seria dado pelo marechal Henrique Teixeira Lott para garantir o respeito ao resultado do pleito:

Agora dizem os golpistas
Que são loucos nos extremos
Os eleitos não tomam posse
Muita bala nós teremos
Isto caro leitor
Isto é que nós veremos.

Mas alguns poetas logo se desiludem com o governo de Kubitschek, acusado por Rodolfo Coelho Cavalcante, em folheto escrito sobre os famosos "50 anos em 5", de ignorar os problemas regionais:

Enquanto o norte e o nordeste
Sofrerem inanição
Não louvarei nenhum feito
De cabal ostentação
E desta forma critico
Brasília é boa pra rico
Mas para o pobre: isto não!

Segundo relato do brasilianista norte-americano Mark Curran, autor do estudo História do Brasil em Cordel, Juscelino, como era de seu estilo, não se abalou com a crítica severa nem a ignorou: mandou uma resposta ao poeta, de quem acabou amigo.

Após a renúncia de Jânio Quadros, cuja famosa vassoura também foi muito cantada, Cuíca de Santo Amaro não se conforma com a redução dos poderes de Jango, configurada pela adoção do parlamentarismo:

É uma lei bossa-nova
Recentemente criada
Por elementos finórios
Muito bem arquitetada
Onde o voto do povo
Agora não vale nada.

Quando se restaura o presidencialismo, a questão da reforma agrária coloca-se no centro da polarização ideológica que desaguaria no golpe de 1964. No nordeste o criador das Ligas Camponesas, Francisco Julião, ocupava terras, antecipando o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) em 30 anos e dividindo os cantadores. Sempre maniqueísta, o cordel agora tinha dois lados. À direita: "Agora as Ligas Camponesas/  Tomando as propriedades/ Rasgando as escrituras/ Humilhando as autoridades/ Praticando as injustiças/ Crimes e barbaridades". À esquerda: "O brasileiro precisa/ Tirar do ombro esta cruz/ E doutrinar aquele/ Que vive cego sem luz/ E dizer aos opressores/ A Terra é de quem produz".

Os 21 anos do regime militar foram difíceis para a cultura brasileira em geral e para o cordel em especial, e não apenas por causa da censura e da truculência repressiva, que desaconselhava a crítica política. Com a popularização do rádio de pilha e da televisão, a poesia popular se viu diante de concorrentes poderosos, embora se beneficiasse do fato de que esses meios de comunicação traziam ao sertanejo uma massa de informações que permitia uma diversificação dos temas. Os folhetos passaram a falar da chegada do homem à Lua e das mudanças de costumes representadas pelas cabeleiras masculinas e a liberação da sexualidade. Sobre política, o poeta Antônio Lucena, de Mossoró (RN), adverte:

Não adianta ninguém
Lutar contra os generais
Quem for fã de Fidel Castro
João Gular, Miguel Arrais
Apronte para sofrer
As dores tristes fatais.

A redemocratização, porém, reanimou o espírito crítico dos poetas, que assim cantavam o sumiço dos gêneros durante o Plano Cruzado:

A nova reforma faz
Todo povo dançar tango
Breve iremos comer
Rato, lagarto ou calango
Porque não se encontra mais
Carne, nem ovos, nem frango.

Na campanha eleitoral de 1989, enquanto a Rede Globo fabricava o "caçador de marajás", o cordel já denunciava as mazelas de Fernando Collor em Alagoas:

Dizem que saía pelo Brasil
para caçar marajás
e os marajás verdadeiros
estavam mesmo por lá
usineiros que deviam
ao banco e não queriam
as suas dívidas pagar.

Em 28 de outubro de 2002, um dia após a vitória de Lula no segundo turno, o poeta Guaipuan Vieira, piauiense radicado no Ceará, onde fundou o Centro dos Cordelistas, compôs o "livrinho" Lula, um Operário na Presidência, o primeiro dos muitos que saudariam a ascensão de um nordestino humilde ao cargo de primeiro mandatário da República. Três anos depois, porém, ele confessava sua decepção em O Famoso Mensalão e a Caixa-Preta do Governo do PT, em parceria com Zé Furtado:

Marcos Valério e Delúbio
Aparecem no cenário
Fazem cair Genoíno
Dirceu seguiu itinerário
Duda Mendonça presente
Complicou o presidente
Com terrível comentário
Enquanto isso o nordeste
Com todo seu solo quente
Mesmo com tanta energia
Vê sofrer a sua gente
Quem lhe prometeu fartura
Vai perdendo a estrutura
De ser grande presidente.

Da mesma forma, Vânia Freitas, rara mulher nesse universo tradicionalmente masculino, escreveu após a posse uma louvação intitulada Do Pau-de-Arara à Presidência da República. Mas em seguida castigou o PT com Cuecão de Dólares Aperta a Vida de Cearense:

O sabido do Adalberto
Pensando não ser notado
Armazenou o dinheirinho
Ficando um pouco apertado
Na certa sentiu incômodo
Com aquilo pressionado.

 


Poeta do absurdo

Repente, também chamado de pega ou peleja, é o desafio entre cantadores sertanejos. Caracteriza-se pela prontidão da resposta e pela surpresa do tema, como no seguinte exemplo citado pelo Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo. Visitavam o Palácio do Governo de São Paulo os cantadores Severino Pinto e os irmãos Dimas, Otacílio e Lourival Batista. O então governador Ademar de Barros os recebeu perguntando: "Que fazem estes cangaceiros por aqui?" "Visitando o nosso chefe", respondeu Severino Pinto, de bate-pronto.

Em noite de cantorias, uma vez escolhido o gênero ou métrica, em geral o dono da casa em que ocorre o desafio dá o mote, que tanto pode ser um tema genérico como um verso específico, que deve vir ao fim de cada estrofe. A primeira peleja histórica, de acordo com F. Coutinho Filho no livro Violas e Repentes, ocorreu no longínquo ano de 1874, na cidade de Patos (PB), na casa do coronel Firmino Alves, entre Francisco Romano Caluête e Inácio da Catingueira, que era mulato e escravo. Outro embate célebre foi travado por Zé Pretinho contra o Cego Aderaldo, aliás, Aderaldo Ferreira Araújo, cearense considerado imbatível, que apesar de cego viajava muito em busca de cantadores para desafiar. Essas disputas nunca foram gravadas ou taquigrafadas, razão pela qual delas chegaram até nós apenas fragmentos, preservados pela transmissão oral do povo.

O mais afamado repentista do sertão, porém, foi o paraibano Zé Limeira, cujos improvisos anteciparam em muitos anos o realismo mágico latino-americano que faria a glória de um García Márquez ou de um Julio Cortázar. Até hoje é conhecido como "Poeta do Absurdo", por suas imagens surrealistas e fantásticas, como esta:

Um dia eu tava acordado
No mais rancoroso sono
Passou uma cobra azul
Falando num microfono
E o mudo gritando embaixo
Vim buscar o meu abono.

Num confronto dos anos 1950, já então com gravador ligado, Zé Limeira tinha por rival Zé Gonçalves, cantador dos bons, porém convencional, pouco dado a ousadias. Como o país ainda estava sob o impacto do suicídio de Getúlio, surgiu o mote: "A morte do presidente/ Cobriu de luto a nação". Gonçalves começou assim:

Foi o truste, esse maldito,
Que Getúlio liquidou
Ele não se suicidou
Eu morro e não acredito!
Só porque quis dar o grito
Da nossa libertação,
Apertaram sua mão
No gatilho, e de repente...
A morte do presidente
Cobriu de luto a nação.

Zé Limeira, que adorava embaralhar toda a história do Brasil, respondeu:

Gritou dom Pedro Primeiro
Na porteira do mourão:
São Cosme e São Damião
Semente de marmeleiro,
Getúlio foi o parteiro
Da muié de Salomão
Fez o parto no sertão,
Se acabou de dor de dente...
A morte do presidente
Cobriu de luto a nação.

Gonçalves prosseguiu, todo certinho:

A morte foi esquisita,
Grande mistério ficou
A carta que ele deixou
Por ele não foi escrita!
Embora seja bonita,
Cheia de argumentação,
Não é dele a redação
Seu estilo é diferente
A morte do presidente
Cobriu de luto a nação.

Devolve o Poeta do Absurdo:

No tronco duma aroeira
No tempo da monarquia
São Pedro fez pontaria
Matou uma rês solteira
Se deu-se uma quebradeira,
Getúlio caiu no chão
Escanchou-se num gangão
Baixeiro, forte e valente...
A morte do presidente
Cobriu de luto a nação.

A mais famosa e imortal tirada de Zé Limeira, porém, parece que foi esta, quando lhe cabia glosar o mote "Os tempos não voltam mais":

O velho Tomé de Sousa
Governador da Bahia
Casou-se e no mesmo dia
Passou a pica na esposa
Ele fez que nem raposa
Comeu na frente e atrás
E foi pra beira do cais
Aonde o navio trafega
Comeu o Padre Nobrega
Os tempos não voltam mais.

 

 

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