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Obesidade e alimentação

Mais da metade da população brasileira está acima do peso e quase um quinto é obesa, de acordo com dados do Ministério da Saúde. No mundo, a obesidade já atingiu o status de pandemia, afetando 641 milhões de adultos. Esse panorama preocupa pois o excesso de peso corporal está diretamente ligado a doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares e o diabetes.

Para abordar os fatores que influenciam nesse quadro, conversamos com a médica Rosely Sichieri, doutora em Nutrição em Saúde pela USP, pós-doutora em Epidemiologia pela Harvard School of Public Health (EUA) e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Eonline: Quais as causas do aumento do sobrepeso e da obesidade?
Rosely Sichieri: As causas são predominantemente relacionadas ao que comemos. Engordamos quando comemos mais do que nosso corpo consegue gastar em energia. Hoje estão disponíveis muitos alimentos ultraprocessados, que são atrativos e de fácil consumo, no entanto, em geral, são muito calóricos e pouco nutritivos. Há uma grande variedade de produtos no mercado – como salgadinhos “de pacote”, macarrão “instantâneo”, guloseimas e bebidas açucaradas – que nos induzem a substituir uma alimentação saudável pela ingestão destes alimentos e desta forma consumimos muito mais do que nosso corpo precisa.

Eonline: Como as crianças são afetadas?
Rosely Sichieri: Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde com crianças brasileiras de até 5 anos, mostra que uma em cada 5 crianças toma refrigerantes todos os dias e metade delas comem biscoitos diariamente. A substituição de refeições baseadas em arroz, feijão, legumes, verduras e frutas, por exemplo, por alimentos ultraprocessados é a principal causa de ganho de peso também na infância.

Eonline: Como podemos reverter esse quadro?
Rosely Sichieri: Cuidar da alimentação da família é a principal forma de prevenir a obesidade. Esse cuidado começa na gestação, evitando ganhar muito peso, continua com o aleitamento materno, que protege a criança, e se mantem ao longo da vida, quando escolhemos preparar as nossas próprias refeições, baseadas em alimentos como frutas, verduras, legumes, grãos, carnes, peixe, ovos e leite, evitando ao máximo os produtos ultraprocessados.

Fontes:
Vigitel: Pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, realizada pelo Ministério da Saúde.
Estudo do Imperial College de Londres divulgado na revista médica britânica The Lancet.

 

*Confira aqui a programação completa do Dia Mundial da Alimentação 2016.

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