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Respeitável público: o Circo não é mais o mesmo!

Cia. Delá Praká mostra a dança como elemento necessário ao conjunto circense<br>Foto: Daniel Picazo
Cia. Delá Praká mostra a dança como elemento necessário ao conjunto circense
Foto: Daniel Picazo

O conceito do circo mudou. O ato de entreter o público, que é o componente principal de uma das mais antigas manifestações culturais existentes, está tornando-se cada vez mais complexo e cheio de referências em outras formas de arte. O chamado “circo contemporâneo” começou no final dos anos 70, em vários países simultaneamente. Na Austrália, com o Circus OZ (1978), uma espécie de pré-Cirque du Soleil, e na Inglaterra, com os artistas de rua portando-se como palhaços e apresentando truques com fogo, mágicas e pernas de pau. 

Pensando nisso, o Sesc Rio Preto realiza nos dias 19, 21 e 22 de março o especial “Além da Lona”, projeto circense que traz ao público três espetáculos com propostas diferenciadas na forma de apresentação e no conteúdo artístico.

“O circo vai além da tradição e não acontece apenas embaixo da lona. Os artistas foram para ruas e adquiriram outras técnicas, misturaram outras linguagens como a dança e o teatro. A programação foi pensada no sentido de abraçar toda a família, como um circo faz, mas com surpresas que vão além de como o circo é conhecido”, explica Daniela Monte Rosa, técnica de programação do Sesc Rio Preto. 



No dia 19 de março, aniversário de Rio Preto, o espetáculo “Qualquer Verdura” promete divertir o feriado de pais e filhos. O equilibrista e palhaço Rafael Dante utiliza objeto do cotidiano para realizar acrobacias e fazer o público rir. Com uma ampla trajetória por festivais e encontros de circo internacionais, o espetáculo que em 2012 obteve o prêmio máximo do Festival Pasa La Gorra em Múrcia (Espanha), há poucos meses levou o Prêmio de Humor no renomado Festival des Artistes da Rue de Vevey, Suíça. Esta é uma das dez produções da Cia. espanhola-argentina Los Chimichurri, especializada em formatos de rua, repletos de humor e técnicas apuradas de circo, surgida no ano 2000 no Parque do Retiro em Madri, parada obrigatória para os artistas de rua de todo mundo de passagem pela capital espanhola. Conscientes das carências e dificuldades do mundo moderno, Los Chimichurri se centram na beleza e no humano, ao trabalhar as possibilidades do corpo, o potencial terapêutico do riso e o efeito enriquecedor de um aplauso. "Qualquer verdura" (expressão argentina para "qualquer coisa") é um espetáculo de rua adaptável a salas, cuja a universalidade de sua linguagem artística, afetiva e gestual não se apoia no pouco texto que contempla. 

No fim de semana, serão duas apresentações: no sábado, 21/03, “Nóis Um”, da Delá Praká (Brasil), mostra a dança como elemento necessário no conjunto circense. É um espetáculo emocionante que transporta o público para um outro estado de sensibilidade. Uma coreografia cheia de sincronicidade que une os corpos e articula suavidade e impacto de maneira poética: com seus olhares profundos e radiantes os bailarinos tornam-se espectadores do público, a música dá textura às diferentes qualidades de movimento e os sons de instrumentos não habituais criam uma atmosfera íntima e sutil.

Os artistas em “Nóis Um” unem dança contemporânea, acrobacia, portés (poses) e malabarismo de contato, criam movimentos fluidos onde a virtuosidade aparece como uma surpresa. A companhia Delá Praká busca uma nova visão das artes cênicas, aporta uma linguagem particular dentro do circo contemporâneo. Como companhia independente, sua formação foi espontânea, nascendo a partir do encontro de três jovens artistas que buscavam fusionar as artes do circo com a dança contemporânea, utilizando a acrobacia, o duo-acrobático e o malabarismo como ferramenta de diálogo e expressão. 


Já no domingo, 22/03, palhaços que viajaram o mundo se encontram no Sesc para exibir suas influências na construção do espetáculo “Circus.br”. O espetáculo apresenta artistas brasileiros que viajaram o mundo em diferentes companhias e festivais levando a linguagem universal do circo. Hoje, juntos, compõem o novo espetáculo da Cia. Mimicalado, que desta vez incorpora um novo olhar de jovens artistas apaixonados pela arte do picadeiro. Entre as modalidades apresentadas estão acrobacias, parada de mão, equilíbrio, malabares de contato, música ao vivo e Calado, um mestre de cerimônias bem falador. 
A Cia. Mimicalado nasceu em 2002 a partir da integração pessoal e profissional de três artistas circenses que trabalhavam juntos no Circo Spacial: Leandro Calado (palhaço) Beatriz (trapezista, dançarina e acrobata) e Emilia (artista que fazia apresentação de força capilar como a Índia Naypi). Em 2003 a companhia já fazia a sua primeira viagem para os EUA para integrar o show da americana Universoul Circus e se apresentaram em 20 estados americanos, em uma lona com capacidade para 1500 espectadores. Nestes últimos anos, a cia. apresentou-se em Nova Iorque, Paris, Jeddha (Arábia Saudita) e em várias cidades de diferentes estados Brasileiros.
 

 

o que: Além da Lona
quando:

até 22 de março

onde:

Sesc Rio Preto | Avenida Francisco das Chagas Oliveira, 1333 | 17 3216-9300

ingressos:

Grátis. Com retirada antecipada de ingressos. Consulte a programação.

 

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