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Uma extensão do ator: 20 anos da Cia. Polichinelo de Teatro de Bonecos

Ator, palavra e público. Essa é a base para que exista o teatro. Mas para que uma boa história seja contada pode-se ir além.  Na década de 1990, por exemplo, eram comuns programas infantis de TV em que os personagens eram bonecos. Quem é que viveu nessa época e não se lembra dos cachorros de fantoches da Tv Colosso

A arte de manipular bonecos continua viva com os espetáculos da Cia. Polichinelo, que utiliza da técnica em suas montagens, sendo uma referência no ramo. Fundada em 1997 a Cia. adquiriu em seus 20 anos muito repertório, sempre com o intuito de informar, entreter e divertir plateias em diversas cidades de São Paulo. Além de compartilhar os conhecimentos adquiridos com a realização de workshops, oficinas e palestras para mostrar os “segredos” por trás dos bonecos e para que o teatro seja de fato popular e acessível.

Situada em Araraquara (SP), a Cia. Polichinelo inclui em sua trajetória diversas montagens teatrais, que inclui textos clássicos e experimentos da própria companhia, todos com o trabalho coletivo entre os atores, técnicos e assistentes que participam de cada produção, em sua maioria infantil.

Consolidada como uma das importantes companhias do gênero, a Polichinelo já recebeu reconhecimento de público e crítica e se tornou um importante núcleo do teatro de bonecos no interior paulista. Nesses 20 anos de existência, conquistou lugar em importantes projetos culturais, dentre eles a Mostra SESI de Teatro de Bonecos, a Mostra Sesc de Artes, o Ciclo Multicultural do Centro da Cultura Judaica, participando também do Festival Internacional de Títeres de Bengala e do Festival de los Vecinos de Cantaura, ambos na Venezuela.

É fato que a Cia. Polichinelo alcançou seu espaço no mundo das artes. Um pouco dessa história foi contada no livro “Diário de Bordo - A história da Companhia Polichinelo” (lançado em 2010), além de a trajetória estar eternizada no museu “Espaço do Boneco”, fundado em 2010 no Centro de Araraquara. O local mantém uma exposição permanente do acervo do grupo, contando com vários bonecos de diferentes técnicas, obras literárias para estudos e ainda informações sobre o surgimento do teatro de bonecos e sobre a própria Cia. Polichinelo.

Para comemorar as duas décadas de existência, a Cia. Polichinelo apresenta no Sesc Santo André uma programação especial. É a “Mostra 20 anos da Cia. Polichinelo de Teatro de Bonecos”, que conta com espetáculos para toda família. Entre eles é possível conferir “A Verdadeira História do Lobo Mal”, “As Histórias do Caixão do Zé” e muito mais.

Confira a programação completa aqui.

“[...] Por muito tempo nos indagamos sobre o nosso papel dentro da arte da representação, afinal somos, antes e acima de qualquer coisa, atores; não utilizar nosso próprio corpo para representar pode causar a impressão de que desenvolvemos um trabalho menor. Ledo engano.

O boneco nada mais é do que a extensão do ator, ele mesmo em duplicidade, um "eu" externado que responde à ação, movimentado por nós. E que reações esse outro ser tem senão as nossas?

Dar-lhes vida é um momento sublime, um momento de criação, e toda essa intimidade criada com esse objeto, agora animado e cheio de vida, nada mais é do que uma relação íntima, quase de pai e filho ou de nós para nós mesmos.

Por outro lado, quão generosas são essas pequenas criaturas que se deixam manipular e servir de espelho ao ego de cada ator!

Parafraseando a Prof.ª Ana Maria Amaral, uma das primeiras escritoras do gênero a qual tive acesso, o boneco é o "duplo do ator". É ainda o ator, ele mesmo, só que projetado a sua frente e precisando de seus cuidados para existir. Bem, se eles então são a representação de nós mesmos em cena, posso entender que onde houver um bom ator, haverá um bom boneco que, manipulado com alma e delicadeza, poderá encantar adultos e crianças.

Eis aí a clareza da nossa responsabilidade. [...]”

(Trecho retirado do capítulo "Içando a âncora" do livro Diário de Bordo – A história da Cia Polichinelo de Teatro de Bonecos; Autor: Márcio Pontes – Diretor da Cia. Polichinelo de teatro de Bonecos).

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