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Latinossomos!

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Ateliê da Família "Eu Moonstro Diabla" (13/1).
Foto: Carol Vidal

As Oficinas de Criatividade do Sesc Pompeia é um espaço plural e busca sempre promover o encontro de diversas linguagens artísticas, tanto visuais, quanto manuais.

Nos meses de Fevereiro e Março, ocorreu o projeto Latinossomos, fruto de muito trabalho e pesquisa sobre as mais variadas culturas que compõem a América Latina. A arte como trabalho e as identidades latino-americanas foram um dos motes para as atividades que representassem de alguma forma os saberes na área têxtil, cerâmica, gravura, desenho, fotografia e tecnologia.

Para entender como funciona o processo de pesquisa para formar a programação ao público, conversamos um pouco com as oficineiras criativas, Beatriz Giosa e Gabriela Carraro, que idealizaram o projeto.

O que vocês pensavam ao programar o projeto Latinossomos?
A ideia era apresentar artistas, artesãos e técnicas características da América Latina. A princípio, queríamos tratar somente das artes populares, típicas. Contudo, a pesquisa nos levou para um caminho muito mais amplo e interessante, e descobrimos que o conceito de arte popular já está completamente difundido com a produção contemporânea, não sendo mais possível separar a produção latino-americana em rótulos pré-definidos.

O que pretendiam atingir com a programação?
Nossa ideia era trazer um pouco de cada país, porém o continente é vasto e a discussão sobre as identidades latino-americanas (e da arte que fale sobre o que é ser latino) é quente e está muito longe de se esgotar. Também queríamos marcar o Brasil e sua produção como parte dessa identidade complexa e heterogênea. Daí a ideia de trabalhar com processos e não só com intervenções: a interação de alunos e professores daria conta desse intercâmbio.

Como foi a receptividade das alunas e dos alunos?
O retorno tem sido mais do que positivo! Os alunos elogiaram as atividades e pediram para que o projeto se repetisse, ficaram curiosos sobre como a pesquisa foi feita e como encontramos os artistas. Foram produzidas obras de todas as técnicas: bordados, pinturas, cartazes, camisetas, rendas, peças de cerâmica, fotografias, gravuras...

O que os artistas acharam do Brasil e do público daqui?
No geral, os artistas adoraram o Sesc e a cidade [de São Paulo]. Ficaram encantados com a arquitetura do Sesc Pompeia, com a estrutura do espaço de Oficinas e com o acolhimento da equipe e dos alunos. Para muitos, essa foi a primeira oportunidade de vir ao Brasil, pois grande parte dos artistas não é "reconhecido" pelo mercado da arte convencional. São artistas populares que trabalham com comunidades e em cursos livres de arte. Pudemos acompanhar o período em que eles estiveram aqui pelas redes sociais, por comentários e imagens. Outro ponto bacana que surgiu foi a relação entre os artistas que se conheceram aqui e acabaram trocando experiências.

Qual a importância de um espaço como as Oficinas do Sesc Pompeia para a comunidade em geral?
Acreditamos que essa programação pôde se tornar um marco na história do Sesc Pompeia e das Oficinas, pois tocou em várias questões importantes, como a ausência de diálogos e intercâmbios entre artistas independentes brasileiros e do restante do continente; o olhar contemporâneo para técnicas tradicionais que são referência na cultura de determinados países; a diluição da fronteira entre as artes; a valorização dos rituais, do tradicional e dos saberes de grupos específicos; e das manualidades. Trazer essa discussão de forma prática e em atividades de ateliê para um público vasto reverbera de várias formas, que vão desde um olhar atento e pesquisador à produção desses países e artistas até o impacto profundo no trabalho dos próprios alunos.

E como por aqui a programação não para, no dia 21 de Março começam as inscrições para os Cursos Regulares do 1º.Semestre de 2017. São mais de 50 cursos de todas as áreas, para todos os gostos e habilidades! Confira todos os detalhes clicando aqui.

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