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Mostra coletiva ‘FARSA’ reúne obras de artistas do Brasil e de Portugal no Sesc Pompeia

A palavra “farsa” aponta para uma ironia, uma torção dos sentidos. Pode significar uma paródia que diverte, mas também um dedo que expõe uma ferida aberta. 

Evocar os significados dessa palavra numa exposição construída em torno da língua e da linguagem, com trabalhos de artistas de Portugal e do Brasil, é uma maneira de questionar uma armadilha latente: a suposta unidade linguística e o pertencimento inerente a ela. 

Em cartaz no Sesc Pompeia e também na internet até 30 de janeiro, a exposição FARSA. Língua, fratura, ficção: Brasil-Portugal rejeita esse mito da unidade e evidencia a fragmentação e a polifonia por meio de uma diversidade de falas decoloniais. 

A mostra coletiva reúne obras de artistas de diferentes gerações, estilos e pesquisas, como Andrea Tonacci, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Grada Kilomba, Gretta Sarfaty, Lygia Pape, Mariana de Matos, Mariana Portela Echeverri, Mira Schendel, Movimento Feminino Pela Anistia No Brasil, Paulo Bruscky, Pietrina Checcacci, Regina Silveira, Regina Vater e Renata Lucas, entre outros. 

“Selecionamos trabalhos de artistas que torcem uma língua e que reinventam a linguagem, questionando o seu poder de colonialidade, mas também as relações de fuga e de ficção que nos permitem, coletiva e individualmente, reinventar laços sociais, políticos e poéticos com o mundo”, explica a curadora Marta Mestre.

A exposição está ancorada em três núcleos – Glu, Glu, Glu, Outras galáxias e Palavras mil – que trazem ao público diálogos entre obras de artistas expoentes das décadas de 1960 e 1970, com a produção de artistas que emergiram no século XXI.

O conjunto de obras em FARSA sublinha não só os usos poéticos e políticos da palavra, como a poesia visual, a montagem da fotografia, do cinema, da performance, ou as estratégias de desconstrução de gênero. As obras também mostram a dimensão viral e capitalista da linguagem nos dias de hoje, que vão desde as fake news, os “memes”, até as hegemonias linguísticas ou o uso do abjeto e da escatologia na política.

“É a partir da linguagem que podemos nos reinventar e traçar novas formas de existir. Se não é possível existir fora da linguagem, é através dela que sofisticamos uma imaginação que nos permite organizar o real e testar modos de viver e sonhar coletivamente, ontem e hoje”, afirma a curadora adjunta Pollyana Quintella.

Galeria virtual <anexa>

Com o fechamento temporário do atendimento presencial das unidades operacionais do Sesc, em março, e a busca por meios que possibilitassem o encontro e a conexão com o público, nasceu <anexa>, um anexo virtual, pensado para ser um ambiente acolhedor e democrático, semelhante ao espaço físico dos galpões do Sesc Pompeia que compõem a arquitetura icônica projetada por Lina Bo Bardi.

Inicialmente prevista para abril de 2020, a exposição FARSA teve sua montagem interrompida pela pandemia. Com paredes semi-levantadas, obras em quarentena e montagem paralisada, foi preciso incorporar a perda ao projeto e adaptar o desenho original da mostra que agora se oferece ao público. FARSA foi então a primeira exposição a ocupar o novo ambiente digital <anexa>, que permitiu ampliar as possibilidades de conhecimento e reflexão sobre as obras, além da participação e interação com os visitantes.

A versão virtual de FARSA é um novo componente da exposição, tem vida própria e é uma reflexão, não sem alguma ironia, sobre o futuro pós-pandemia observado através da lente das artes visuais. Uma série de depoimentos de artistas, leitura de textos poéticos, registros de obras, entrevistas e bate-papos estão disponíveis na plataforma.
Visite: sescsp.org.br/anexa (recomendamos o acesso pelo computador)


Visitas presenciais

Seguindo as recomendações de segurança do governo estadual e da prefeitura municipal, o Sesc São Paulo retomou, de maneira gradual e somente por agendamento prévio online, a visitação gratuita e presencial a exposições.

A exposição FARSA pode ser visitada gratuitamente pelo público de terça a sexta, das 15h às 21h, e aos sábados, das 10h às 14h, mediante agendamento pelo site sescsp.org.br/pompeia.

A entrada na unidade será permitida apenas após confirmação do agendamento. A utilização de máscara cobrindo boca e nariz durante toda a visita, assim como a medição de temperatura dos visitantes na entrada da unidade são obrigatórias. Foram estabelecidos rígidos processos de higienização dos ambientes e a capacidade de atendimento das exposições foi reduzida, com uma distância mínima de 2 metros entre os visitantes. Não será permitida a entrada de acompanhantes sem agendamento. Seguindo os protocolos das autoridades sanitárias, os fraldários das unidades seguem fechados nesse momento e, portanto, indisponíveis aos visitantes.

Serviço

FARSA. Língua, fratura, ficção: Brasil-Portugal
Local: Sesc Pompeia
Curadoria: Marta Mestre e Pollyana Quintella (curadoria adjunta)
Período expositivo: 20 de outubro de 2020 a 30 de janeiro de 2021
Funcionamento: Terça a sexta, das 15h às 21h. Sábado, das 10h às 14h.
Tempo de visitação: Até 90 minutos
Agendamento de visitas: www.sescsp.org.br/pompeia
Classificação indicativa: livre
Grátis

Galeria virtual <anexa> www.sescsp.org.br/anexa (acesse via desktop para uma melhor experiência)

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