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Últimos dias da exposição de arte contemporânea Multitude

Foto: Carlos Rocha
Foto: Carlos Rocha

Com trabalhos que abordam a realidade como experiência artística construída em conjunto, a mostra recebe em seu último final de semana o espetáculo teatral “Atlas”

Heterogênea, dispersa, complexa e multidirecional, a multidão vem sendo tema de uma série de obras nos últimos anos. Revoluções em praças públicas, movimentos ocuppy  em grandes centros e as recentes manifestações populares no Brasil fizeram com que a multidão se tornasse foco de abordagem não só de profissionais de planejamento urbano, mas também de produções artísticas que incorporaram essas questões em seus processos de desenvolvimento.

Com curadoria e idealização de Andrea Caruso Saturnino e Lucas Bambozzi, a exposição Multitude recebeu uma mostra de trabalhos que fazem alusão ao tema, provenientes de várias localidades do mundo. Com abertura em 30 de maio no Sesc Pompeia, a mostra exibiu 24 obras de nomes nacionais e internacionais e recebeu cerca de 47 mil visitantes. Um exercício artístico em contínua expansão já que, em um segundo momento, foi aberto espaço para mais 25 peças de artistas conhecidos ou não no circuito.

As novas obras foram apresentadas aos curadores em um local de atendimento criado dentro do próprio espaço expositivo. Complementando a mostra inaugural, esses trabalhos também foram capazes de dialogar com o conceito de multidão desenvolvido por Antonio Negri e Michael Hardt, além de trazerem à tona discussões que renovam o entendimento dos movimentos sociais na atualidade. Cocais, a cidade reinventada (2008), de Inês Cardoso e Laboratório de Afetos (2012), do Coletivo EIA – Experiência Imersiva Ambiental são alguns exemplos desses projetos que foram pensados em meios e formatos diversos, escapando até mesmo das convenções do que vem a ser uma obra de arte.

Multitude não contou apenas com vídeos, fotografias, instalações e pinturas. Um ciclo de encontros também integrou esse complexo de atividades que buscou a inquietude e a intensidade características das multidões ao redor do mundo. Convidados oriundos dos universos das artes, filosofia, ciências políticas e urbanismo refletiram e debateram sobre os diferentes aspectos do conceito de multidão e seus desdobramentos. Passaram pela “arena de discussões” da mostra o filósofo político Antonio Negri, o cientista político Giuseppe Cocco, o líder indígena Davi Kopenawa, a psicanalista Suely Rolnik, a antropóloga Fátima Lima, a pesquisadora Leonor Arfuch, o artista e pesquisador Ricardo Basbaum, a fotógrafa Claudia Andujar, a psicóloga ensaísta e artista Fabi Borges e o sociólogo e filósofo italiano Maurizio Lazzarato.

Espetáculos teatrais também completaram a programação da mostra. Em junho, a singular montagem Pendente de Voto, do diretor catalão Roger Bernat, transformou o teatro em uma espécie de parlamento. Com controles remotos individuais em mãos, os espectadores foram transformados em protagonistas e expressaram suas vontades em relação a temas como segurança pública e imigração, influenciando os rumos tomados pela obra teatral.

Atlas São Paulo: transformar-se no outro

Dirigida pelos portugueses Ana Borralho e João Galante, Atlas é um espetáculo no qual os “atores” não precisam de nenhuma experiência de palco. Para ser realizado, foram necessários cem voluntários das mais variadas profissões, legais ou mesmo ilegais, variando de médicos a donas-de-casa, de professores a estudantes, de policiais a garotos ou garotas de programa.

Foto: Vasco Celio

A peça já passou pelo Rio de Janeiro em 2012 e por países como Portugal, Itália e França. Seu objetivo é construir um atlas da organização social humana, uma representação dos seres humanos por meio de suas funções na sociedade, tendo entre seus motores, as ideias do artista plástico Joseph Beuys, ‘A revolução somos nós’ e ‘Cada homem um artista’.

A frase mantra que faz parte da canção infantil “1 elefante incomoda muita gente, 2 elefantes incomodam muito mais...” serve de mote para a performance. Os voluntários sobem ao palco, um a um, e dizem qual sua profissão, inserindo-a na frase. Por exemplo, “1 metalúrgico incomoda muita gente, 2 metalúrgicos incomodam muito mais... 2 padeiros incomodam muita gente, 3 padeiros incomodam muito mais... 3 artistas incomodam muita gente, 4 artistas incomodam muito mais...”, até chegar ao número 100.

A cada nova pessoa que diz sua profissão, o grupo que já se encontra no palco diz a segunda frase em conjunto, ou seja, se em 10º lugar entra uma enfermeira e diz “10 enfermeiras incomodam muita gente...”, o grupo em coro responde “11 enfermeiras incomodam muito mais”. Ao repetirem a profissão de cada um, as pessoas transformam-se simbolicamente no outro.

Os cem voluntários, que participaram de um workshop de ensaio entre 1 e 8 de agosto, se apresentam no Deck do Sesc Pompeia nos dias 9 e 10 de agosto, sábado e domingo, às 16h, encerrando a exposição Multitude. A mostra chega ao fim, mas é possível continuar navegando pelos conteúdos das obras e palestras acessando sescsp.org.br/multitude.

A partir de 30 de agosto, arte e política voltam a se encontrar no Sesc Pompeia com a exposição Videobrasil: memórias inapagáveis. Fruto da parceria entre a Associação Cultural Videobrasil e Sesc São Paulo, a exposição reúne trabalhos que contribuem para resgatar episódios e conflitos normalmente interpretados a partir do discurso oficial, dos narradores vitoriosos, mas que resistem em narrativas pessoais e são difundidas por meio da arte.

 

 

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