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As histórias em quadrinhos japonesas ganham vida no Especial Mangá Jovem

A cultura oriental, sobretudo, a japonesa, é enfatizada na grade de atividades do mês de agosto do Sesc Catanduva. Sob a temática do mangá, workshops, intervenções e oficinas envolvem o público jovem em uma esfera de pura criatividade

O termo “Mangá” tem sua origem no Japão e significa “história em quadrinho”, também disseminado entre os jovens como “HQ”. Apesar de as primeiras histórias terem surgido na China, o Mangá japonês foi o que mais se difundiu, ganhando grande impulso após ter agregado elementos ocidentais sob influência das revistas em quadrinhos americanas e animações para o cinema.

O Sesc Catanduva realiza pelo segundo ano consecutivo o projeto Mangá Jovem, que aborda todo o processo criativo empregado na elaboração do mangá. Em agosto, o premiado artista catanduvense Fernando Huega retorna com diversas oficinas criativas do HQ japonês na Sala de Internet Livre. Huega é desenhista de mangá há 15 anos. Possui um repertório de 60 histórias escritas e mais de 500 personagens criados. Acumulou experiência em duas viagens ao Japão para estudar e aperfeiçoar seus mangás, além de absorver mais da cultura japonesa.

No “Especial Mangá Jovem” o artista apresenta as diversas etapas da criação do mangá e estimula a inventividade dos alunos na criação de cenários, ilustrações, organização das histórias, entre outras habilidades. Quem também pensa assim é um participante da oficina de Vetorização e Ilustração, Otávio Rubin de Araújo, 14 anos. “As aulas de desenhos são repletas de técnicas, e por meio delas podemos aprimorar cada vez mais nossa habilidade”. Otávio diz que nas oficinas é possível dar “vida” à imagem “deixando a imaginação correr livre, transformando simples folhas de papel em branco em um universo de escolhas”.
Outras atividades ligadas à cultura japonesa também compõem o “Especial Mangá Jovem”, como apresentação de Taiko, jogos eletrônicos, karaokê e exibição de desenhos animados. A participação em todas as atividades é gratuita e com vagas limitadas. As inscrições devem ser realizadas na Central de Atendimento do Sesc Catanduva, e a classificação etária é de 12 anos.

Em entrevista exclusiva à EOnline, Fernando Huega apresenta sua opinião sobre o projeto e sobre o cenário atual do mangá no Brasil. A seguir, os melhores trechos da conversa:

EOnline: Quais capacidades podem ser estimuladas nos jovens com as oficinas de mangá?
Fernando Huega: Acredito que os principais pontos estimulados são os seguintes: a paixão por criar histórias. Ali os jovens têm contato com seus primeiros leitores, uma vez que, assim que criam suas histórias, eles já têm que compartilhar com os outros alunos.

Outro ponto é a busca por mais informações para criar suas histórias. Eu sempre digo para os alunos que para criar histórias e personagens cativantes eles devem ter contato com todo tipo de cultura, entretenimento e pessoas. Que, enquanto eles mantiverem os olhos e ouvidos atentos a tudo, principalmente a filmes, livros, animes, mangás, séries de tv, peças de teatro e música, nunca faltarão histórias para se contar.

O anseio por aprimorar as técnicas de arte, melhorando o traço ou com novas técnicas de pintura, também acontece. A maioria dos alunos, assim que termina o workshop no Sesc, me procura por aulas particulares, e todos os dias depois da aula pelo menos 5 alunos me pedem mais material a respeito do que foi dito na aula.

EOnline: Houve alguma evolução do público em relação ao Mangá Jovem de 2013?
Fernando Huega: Houve uma grande evolução, principalmente notada nos alunos que participaram da primeira vez. A maioria deles montou seus próprios projetos, inventando suas próprias histórias e personagens, e alguns já montaram estúdios de criação, sites voltado aos mangás e animes. O novo público (2014) é ainda mais crítico do que o primeiro (2013), esses jovens têm acesso rápido a informação na internet, e muito mais bagagem que os alunos da primeira turma. E acredito que será assim a cada ano, pois os jovens evoluem na mesma velocidade que a tecnologia.

EOnline: Qual a posição do Brasil na produção de mangá em relação ao restante do mundo?
Fernando Huega: O Brasil ainda está dando os primeiros passos, não existem muitas pessoas capacitadas para darem aula de mangá no Brasil, e os poucos que têm o conhecimento são pessoas isoladas que não querem compartilhar informações.

E por causa da falta de profissionalismo na execução do trabalho, as editoras nacionais não têm interesse ainda em mangás produzidos por brasileiros. O caminho que os desenhistas nacionais tomam: fazer suas revistas por conta própria, lançando-as em mídia física ou publicando em sites.

Alguns desenhistas conquistam uma boa distribuição de seus trabalhos, sempre frequentando eventos de anime e mangá, e divulgando muito bem suas histórias na internet.

Mas assim que os mangakás (desenhistas de mangá) do Brasil começarem a produzir um material que não perde em nada para os mangás japoneses, com certeza, as editoras nacionais e internacionais vão começar a distribuir mangás feito por brasileiros.

 

 

o que: Mangá Jovem
quando:

2 a 31/ago

onde:

Sesc Catanduva

 

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