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Aline Pellegrino prestigia futebol feminino no Sesc Interlagos

Foto: Divulgação
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Em entrevista exclusiva à EOnline, a atleta falou sobre sua carreira, a situação do futebol feminino no Brasil, e destacou a campanha Move Brasil

Ex-zagueira da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, Aline Pellegrino foi campeã da Libertadores da América pelo Santos, e capitã da Seleção Brasileira na conquista da medalha de prata em 2004 e na campanha do vice-campeonato mundial em 2007.

A atleta esteve no Sesc Interlagos para prestigiar a final do Campeonato de Futebol Feminino Categorias sub-15 e sub-20, e retorna em setembro, durante a Semana Move Brasil, para um bate-papo nas universidades da Zona Sul de São Paulo.
Confira os principais trechos da entrevista cedida à EOnline durante a passagem de Aline pela unidade: 

EOnline: Como você iniciou sua carreira profissional?
Aline Pellegrino:
Joguei dos seis até os doze anos brincando com os meninos na rua. Com doze anos fui para a escolinha, meu primeiro time feminino, e lá fiquei um ano e meio. Depois fiz um teste para a equipe do São Paulo [Futebol Clube], que na época era o time mais forte de São Paulo, tinha toda a base da Seleção Brasileira. Profissionalmente, comecei minha carreira por volta dos catorze anos.

EOnline: Você se inspirou em algum ídolo?
A.P.:
O grande ídolo que eu tive quando criança foi o Ayrton Senna. Lembro de assistir às corridas no final de semana. Hoje, com a carreira que eu vivi, consolidada, com a minha idade e tudo, eu penso que o grande ídolo com certeza foi o Ayrton Senna. E tive o Bernardinho também. Um cara que vive muito intensamente aquilo, que consegue tirar de atletas já renomados um algo a mais. Então, acho que o Bernardinho também é um cara que me inspirou muito na minha carreira como capitã.

EOnline: Você jogou no time do Santos com as atletas Cristiane e Marta, época em que ficaram conhecidas como Sereias da Vila. Logo depois o clube acabou com o futebol feminino. Falta incentivo da CBF ou mais união dos clubes para criar um campeonato feminino de futebol?
A.P.:
Eu acho que precisa ter uma série de interesses de todas essas pessoas que podem fazer a diferença. As federações, as confederações, os clubes e o governo. Precisa ter um momento em que todos eles estejam conectados em “vamos fazer alguma coisa”. Porque só o clube não vai conseguir sozinho, só a federação não vai conseguir sozinha e só a confederação não vai conseguir sozinha. O final [do futebol feminino] do Santos, acho que, na verdade, acabou trazendo um precedente para todos os outros. Se o Santos que tem condições, que tem uma visibilidade, terminou alegando que é difícil, que não dá, é um precedente muito grande para todos os outros também falarem “ah, se o Santos não conseguiu fazer...”.

EOnline: Depois do Santos, você acabou indo jogar no exterior. Qual a diferença que você pode destacar dessas duas experiências?
A.P.:
Eu fiquei por quatro anos no Santos e recebi o convite para o futebol russo. Já tinha tido também uma passagem pelo futebol japonês em 2005. Dependendo do lugar onde você está, se você vai para a Espanha, Itália, e não estiver em uma equipe que está entre as três melhores, você não vai ter um ritmo de treinamento bacana. Nessas equipes europeias, a prioridade das meninas não é o futebol. Elas trabalham e também fazem o futebol.  E para todo mundo aqui no Brasil, independente de receber ou não, é só aquilo. Você se dedica 100% ao futebol. Às vezes você chega lá e as meninas não têm o mesmo comprometimento com você. Porque é diferente o jogo para cada uma. Então se você não estiver nas equipes de ponta, em que todas as meninas vivem do futebol, é meio complicado. Porém, a questão da parte financeira acaba sempre sendo melhor. Muitas vezes a gente acaba abrindo mão de estar numa equipe que tem um treinamento mais qualificado, mais técnico, mais competitivo, por conta da parte financeira.

EOnline: O que você pode dizer sobre a campanha Move Brasil, do Sesc, que incentiva a prática de esportes?
A.P.:
O bom do Sesc é que ele faz essas campanhas, explica porque estão sendo feitas, e qual é o objetivo. Acho que isso é o mais importante, porque às vezes tem o espaço, fala “vai lá e faz”, mas por que está fazendo? A grande questão é o porquê, é explicar para a criançada, para os adolescentes e para os adultos porque aquilo vai trazer um benefício pra eles. Acho muito legal e, principalmente, bater de novo na tecla de falar “estamos fazendo por isso”. Existem esses problemas que acometem o mundo inteiro, que a gente pode evitar desde cedo. Uma prática de atividade física que não necessariamente é uma coisa de alto rendimento, pode ser de lazer. Então acho muito válido e que tenha cada vez mais esse tipo de campanha.

EOnline: E dentro do Sesc, das vivências e experiências que você já passou, qual você mais recorda, que ficou marcada?
A.P.:
Eu já fiz muita coisa diferente, o que é legal. Eu acho que o que está me marcando mesmo está acontecendo hoje, por conta de ser futebol feminino. Estou vendo uma final sub-15. São dois times, e teve um campeonato inteiro de meninas sub-15. Eu, com 15 anos, já estava jogando no profissional com meninas de 25, quase 30 anos. Acho que dentro dessa dificuldade que a modalidade vem passando, das coisas que a gente não vê muito evoluir, você assistir hoje a uma final de campeonato sub-15, acho que está sendo bem bacana. Vai ficar marcado pra mim.

EOnline: Qual recado você deixa para as meninas que estão começando no futebol?
A.P.:
Elas têm uma responsabilidade grande porque está aí o futuro da geração de futebol feminino, da modalidade, que ainda hoje tem dificuldade. Que elas desde cedo já tenham essa noção, essa consciência de que a modalidade precisa evoluir muito. As atletas precisam evoluir muito, em relação até a ter uma cabeça mais profissional. E que elas consigam fazer aquilo que a minha geração ainda não conseguiu. Não em relação a títulos, mas em relação a ter uma modalidade enraizada. Então, acho que o recado que fica para elas é que tenham muita força, porque a estrada e a caminhada são longas.

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