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Do picadeiro para as telas

De agosto até o final de outubro, o Sesc Santo André apresenta uma programação de cinema integrada à exposição Circo da Gente, trazendo um ciclo de filmes, curso e bate-papo que ilustram o encontro entre as duas artes

Em imagens de um trem chegando à estação e operários saindo de uma fábrica, o cinema nasceu, em 1895, como o circo: capturando a emoção do espectador através do espetáculo. A semelhança é bem traduzida na capacidade singular de ambos de seduzirem e transportarem seus espectadores a mergulhos em universos mágicos e impensáveis, levados ao palco graças à reunião de vários talentos criativos.

Os filmes do projeto Lanterna Mágica estão organizados em três eixos:

Efeitos Especiais: É o recorte que apresenta a essência do espetáculo e do ilusionismo tão coincidentes no palco e na tela. Um dos primeiros “filmes de ação”, O Grande Roubo do Trem (1903), de Edwin Porter, é quem encabeça a seleção, que traz obras do primeiro cinema, todas com grande senso de ritmo e recriação espetacular. A outra seleção, A Magia de Méliès, reúne obras do grande mestre do ilusionismo, o francês Georges Méliès (1861-1938), autor de Viagem à Lua (1902), um marco do ilusionismo.

Gestualidade: A mise-en-scène e a expressividade que o cinema pegou do circo e do teatro estão representadas por O Circo (1928) e O Homem das Novidades (1928). Obra-prima de Charles Chaplin, o primeiro traz um Carlitos em afinado humor físico, transitando com desembaraço entre as duas artes. O outro tem Buster Keaton, mais um gênio da comédia cinematográfica, expandindo a exuberância corporal dos artistas do palco e, de quebra, trazendo uma preciosa sequência que é síntese da profusão de eventos típica da cena circense.

Filmes sobre Circo: A inclinação do cinema em esmiuçar o desconhecido ou o pouco visto, está representado neste bloco. No documentário Os Palhaços (1970), o italiano Federico Fellini recorre a entrevistas e a registros de ensaios e testes, e acaba revelando a realidade não apenas dos clowns, mas de qualquer artista de circo, em suas alegrias e angústias. A última sessão conta com o filme O Maior Espetáculo da Terra (1952), de Cecil B. DeMille, diretor de épicos que imprime uma visão hollywoodiana, portanto espetacularizada, sobre a vida num circo, mostrando a dura rotina de trabalho, a busca pela excelência e o inescapável flerte com o perigo.

Além das projeções, o público poderá conhecer mais a fundo a relação entre imagem e picadeiro no curso “O Universo do Circo na História do Cinema” e no bate-papo “Filmes Malditos”, que apresentará o atípico e o sobrenatural que fazem do circo também uma criação “maldita” e de assombro.

O grande roubo do trem

O Circo

Os palahços


Curso: "O Universo do Circo na História do Cinema"
O circo não é apenas uma companhia, um coletivo que reúne artistas de diferentes especialidades, como malabarismo, palhaço, acrobacia, monociclo, contorcionismo, equilibrismo, ilusionismo e outras habilidades. O circo é um espaço mágico num tempo mágico. Esta atividade quer provocar o participante a refletir sobre o imaginário do circo na história do cinema e na sociedade moderna. Como estão retratados todos os elementos desta linguagem nas imagens em movimento? Como elas nos levam a repensar o que somos e vivemos no “mundo real”? Que contribuições o cinema trouxe para a estética do circo e do espetáculo? Que contribuições o circo trouxe para a história e estética do cinema?

Com Luis Carlos Pavan, produtor e pesquisador da História do Cinema e Careimi Ludwig Assmann, produtora cultural e mestre em Comunicação e Semiótica. Mais informações aqui.


Bate-papo: "Filmes Malditos"
Na busca pelo extraordinário, o circo também traz à cena algumas experiências mais radicais, explorando a curiosidade de seu público numa ambígua relação de atração e repulsa. Esse lado maldito do circo, presente em mulheres barbadas, engolidores de fogo, homens elásticos, atraiu o cinema em obras referenciais, como Freaks (1932), o grande manifesto do cineasta Tod Browning a favor dos diferentes e segregados, e O Homem Elefante (1980), no qual David Lynch reconta a história real de John Merrick, cruelmente exibido como atração num circo itinerante. A atividade discutirá trechos destes e de outros filmes como O Enigma de Kaspar Hauser (1974), de Werner Herzog, O Circo dos Vampiros (1972), de Robert Young, a obra-prima de Marco Ferreri Dillinger Está Morto (1969) e A Dama de Shanghai (1948), de Orson Welles. Todos trazendo o usual interesse do cinema em revelar o lado desconhecido do mundo e do homem, perpassando o terror, o drama e o filme policial.

Com Paulo Santos Lima, crítico de cinema e jornalista. Colaborador do jornal Valor Econômico e da revista Monet, é crítico da Revista Cinética e já escreveu para veículos como revista Bravo! e jornal Folha de S. Paulo. Mais informações aqui.
 

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