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A triste comédia de Fabio Orjuela

Foto: Coletivo Pão & Circo
Foto: Coletivo Pão & Circo

Entre os dias 4 e 13/set, a baixada santista foi palco da terceira edição do Mirada, o Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos. Companhias nacionais e internacionais apresentaram espetáculos, atividades formativas, intervenções artísticas e uma programação especial para crianças. Depois do festival, algumas peças subiram a serra, rumo às unidades do Sesc. É o caso de O Ventre da Baleia, que chega ao Sesc Pompeia nos dias 20 e 21/set.

Abaixo, você lê uma entrevista com o diretor do espetáculo, o colombiano Fabio Orjuela, publicada originalmente no Ponto Digital Mirada, do Mirada } Festival Ibero-Americano de Santos.
 

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Da sua relação com o Brasil à história de sua peça, o relato do diretor colombiano costura elementos que permeiam os temas do Mirada. Orjuela fez a adaptação de O Ventre da Baleia, que conta com direção de arte de Laura Villegas, que dirige 13 Sonhos, espetáculo que tem gerado incansáveis filas de espera no festival, e que foi escrito por Orjuela. Esta é estreia de O Ventre da Baleia no Brasil, mas o diretor já tece uma conversa de longa data com a produção destas paragens. Confira os destaques de nosso bate-papo com Orjuela a seguir.

O Brasil e o início
Eu comecei a fazer teatro por causa de um espetáculo do Cacá Rosset, do Teatro do Ornitorrinco, em 1985. Assisti o espetáculo e pensei “é isso que eu quero fazer”. Gosto muito e já assisti diversos artistas brasileiros como Antunes Filho e Antônio Rodrigues.
É a primeira vez que a obra se apresenta país, mas viemos em 2006 com “Mosca”, que se apresentou em Curitiba, Londrina, Rio Preto e Belo Horizonte.

Sobre a sua companhia
O Teatro Petra foi fundado em 1985, com Marcela Valencia. Nos conhecemos numa escola de teatro e começamos juntos. Nesse período fizemos entre 16 a 17 obras, e O Ventre da Baleia é a última delas.

O que é O Ventre da Baleia
A peça foi escrita originalmente em 2006 para um grupo da Eslovênia. A minha versão é completamente diferente da primeira. A peça é, em parte, uma história real: no meu bairro havia uma mulher que ficava grávida todos os anos, mas ninguém nunca via os bebês. Então muita gente começou a dizer que ela os vendia para comprar droga. Seria algo em torno de 40 dólares. Alguns dizem que é verdade, outros dizem que não. Mas na Colômbia e na América Latina se vende de tudo: crianças, tecidos, ventres, mulheres, homens. A peça é ao redor disso, dessa mulher que vivia no meu bairro e ainda vive. A partir disso, a obra foi crescendo.

É um tema dramático, mas parece uma comédia
Nós descobrimos que era uma comédia através do público, porque o público ria muito, principalmente na Colômbia. Mas nunca houve a intenção de ser uma comédia, apesar de haver toques de acidez e humor negro, não esperávamos que a plateia se divertisse na peça. E o público não sabe justificar porque isso os diverte. Na Europa o público não ria, isso só acontece na América Latina. Acreditamos que a situação é tão absurda, que faz as pessoas rirem. Mas toda obra é política, há sempre uma questão política. Não há respostas, nós somente plantamos uma situação para que o público pense. A ideia é sempre essa.

A vivência do Mirada
Aqui no festival falamos todos os dias com outros artistas e as trocas são constantes. Conversamos bastante com o pessoal do México, eles são muito divertidos. E com colombianos também, gente que não conversamos tanto dentro do nosso próprio país mas aqui sim, porque temos tempo (risos).

:: O depoimento de quem riu
No Mirada, o público sucumbiu ao absurdo da trama de O Ventre da Baleia? Ou se fez sério e reflexivo? Que faísca deu início ao risco? Fizemos essas perguntas ao público na saída do espetáculo. Algumas das reações:
“Eu esperava mais, se fosse uma peça de escola eu iria achar bom, mas no Mirada, não. Parece que não fluía, eu ria de vez em quando, mas por exemplo, o amigo do meu lado dormiu” - Juliana Gomes, 16 anos
“Eu achei a história muito interessante. Eu tive várias sensações: primeiro raiva, depois me diverti com algumas situações engraçadas e no fim tem parte trágica, de reflexão. Porque o assunto é sério, mas tem graça mesmo assim” - Cátia Golçalves, 43 anos

“O que mais me chamou atenção foi a história, o elenco, mas principalmente uma das atrizes, a que faz o papel de Helena. Ela é muito sensacional, fora de sério, nós rimos muito. Valeu muito a pena. São cenas trágicas contadas de forma muito bem humorada, acho que foi isso que me marcou mais. Principalmente no final, na parte em que cai a cortina e apareceu a árvore com todas as fotos das crianças. Era pra se sentir assombrado, mas foi a parte que nos encantou. Rolou aquela reflexão do quanto a gente consegue rir da desgraça hoje em dia. Tudo virou muito banal” - Renata Santos, 34 anos

Coletivo Pão & Circo

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::Confira mais textos sobre os espetáculos do Festival Ibero-Americano no Ponto Digital Mirada

 

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