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Um passeio por décadas da videoarte no Brasil

Sesc Pompeia se transforma para receber o Videobrasil<br>Foto: Carlos Rocha/Sesc
Sesc Pompeia se transforma para receber o Videobrasil
Foto: Carlos Rocha/Sesc

Slides e filmes em super-8 e 16 mm marcam os primórdios da videoarte no Brasil. Você não estava lá? Não faz mal, poderá reviver estes momentos na 18ª edição do Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil e na Expoprojeção 1973-2013

Este texto começa com um convite. Tente se imaginar um artista no Brasil da década de 1970, entrando em contato com novos formatos de utilização de mídias audiovisuais como slides e filmes em super-8 e 16 mm. Isso, num período marcado por um regime ditatorial que limitava a liberdade de expressão, restringindo os meios de difusão artística a circunstâncias cada vez mais alternativas e marginais. A curiosidade de mesclar tudo isso provavelmente faria seus olhos brilharem.

Em 1973, Aracy Amaral organizou a “Expoprojeção 73”, que reuniu, na sede do GRIFE (Grupo dos Realizadores Independentes de Filmes Experimentais), a primeira iniciativa curatorial a reunir a produção, ainda desconhecida no país, de artistas que traduziam através de imagens e sons, a multiplicidade temática e estética daquela cena cultural.

Dez anos depois, em 1983, surgia o Videobrasil. Idealizado por Solange Farkas, foi o primeiro festival dedicado à videoarte no país, que mais tarde, abriu-se à arte eletrônica e, depois, incluiu também a performance e práticas mistas. Desde 2011, passou a abranger todas as linguagens artísticas contemporâneas.

Estes dois momentos embrionários da videoarte no país e seus desdobramentos até os dias atuais podem ser revividos agora, em São Paulo. No Sesc Pompeia, no CineSesc e no SescTV, a 18ª edição do Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil comemora seus 30 anos com uma retrospectiva de sua trajetória. No Sesc Pinheiros, a Expoprojeção 1973-2013 marca os 40 anos de sua realização reunindo quase 50% das obras apresentadas na edição de 1973.

Solange Farkas, fundadora do festival, fala da trajetória dos 30 anos do Videobrasil

Expoprojeção

Na Expoprojeção 1973-2013, no Sesc Pinheiros até 12 de janeiro de 2014, além das obras recuperadas, o público pode acessar parte do arquivo pessoal de Aracy Amaral, com dezenas de cartas e bilhetes. A exposição se completa com uma antologia de trabalhos experimentais produzidos no decorrer das décadas seguintes. São filmeinstalações, videoinstalações e vídeos em single channel, compondo um recorte de 17 obras. Saiba mais clicando aqui. Veja o catálogo.

(Na foto, cena de "Construção & Jogo" (1973), da artista Anna Maria Maiolino)

Saiba mais

::  Labirinto da imagem e do som (RevistaE, ano 20, nº 25, novembro de 2013)

Videobrasil

Já a 18ª edição do Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil celebra três décadas da mostra, que tem o Sesc em São Paulo como principal parceiro desde 1992. Com periodicidade bianual, o Festival se dedica a mapear e difundir a produção de arte contemporânea do eixo sul geopolítico, com exposições, atividades públicas, lançamentos de publicação, sessão especial e premiação, que somam quase 80 atividades realizadas entre 6 de novembro de 2013 e 2 de fevereiro de 2014.

A mostra competitiva Panoramas do Sul apresenta, no Sesc Pompeia, 84 obras. No CineSesc serão exibidos 22 vídeos, organizados em oito programas. Ao todo, 106 obras de 94 artistas, provenientes de 32 países, participam dessa mostra. Saiba mais e veja a lista de artistas selecionados. Conheça também os curadores.

No CineSesc acontece também a Sessão Especial de “Deserto Azul”, longa-metragem de ficção científica de Eder Santos, artista visual premiado, com reconhecimento internacional e obras em acervos de importantes instituições, cuja trajetória se confunde com a do Festival (participou de 17 das 18 edições do evento). A exibição do filme terá a presença do diretor, atores e equipe.

Como em outros anos, uma exposição estabelece um diálogo com a arte do circuito geopolítico Sul. Em 2013, o grande destaque são as três décadas de experimentação e risco assumidos pelo Festival desde sua primeira edição, reunidas na exposição 30 Anos. Montada no Galpão do Sesc Pompeia, a mostra apresenta uma videoinstalação formada por 234 monitores, que exibem 16h de imagens, selecionadas a partir de mais de cinco mil horas de vídeos. No mesmo local, acontecem as atividades dos Programas Públicos do Festival e está instalada uma Videoteca, que disponibiliza o acesso a cerca de 1.300 obras do Acervo Videobrasil.

No SescTV, a nova temporada da série Videobrasil na TV explora temas do 18º Festival, com programas que contemplam as transformações do Videobrasil e da cena da arte nos últimos 30 anos, focalizando o diálogo do Festival com diferentes contextos artísticos, estéticos, sociais e políticos. Os episódios do Videobrasil na TV vão ao ar entre 18 de novembro e 30 de dezembro, no SescTV, que está disponível nos canais 3 da Sky, 137 da NET, 29 da OiTV e ao vivo pelo site em sesctv.org.br/aovivo.

Para entender mesmo, só vivenciando. Confira a programação.

Para quem não puder ir, a EOnline fará cobertura exclusiva desta edição do Videobrasil. Para acompanhar, curta a página no facebook e siga o twitter do Sesc em São Paulo.

o que: 18ª edição do Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil
quando:

de 6/novembro/2013 a 2/fevereiro/2014

onde:

Sesc Pompeia

CineSesc

SescTV

o que: Expoprojeção 1973-2013
quando:

até 12/janeiro/2014

onde:

Sesc Pinheiros

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