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Água sob o olhar de 23 artistas

Bezji Boyadgian. Water, Life (2017)
Bezji Boyadgian. Water, Life (2017)

Que a água é essencial para os organismos vivos não é novidade; logo, tratar dessa temática é uma questão que urge, uma das necessidades mais desafiadoras da sociedade contemporânea.

Para discutir o assunto - abordando questões sobre o meio ambiente, diversidade, ecossistemas, mudanças climáticas e conservação da água como um recurso vital, o Sesc Belenzinho apresenta a exposição Água, projeto da ART for The World, ONG afiliada ao UNDPI (Departamento de Informação Pública das Nações Unidas).
Com curadoria de Adelina von Fürstenberg, uma das principais da atualidade, ganhadora do Leão de Ouro na 56ª Bienal de Veneza (2015), a mostra acontece de 22 de novembro de 2017 a 18 de  fevereiro de 2018, e traz obras de 23 artistas de diversas partes do mundo.

A primeira montagem aconteceu neste ano em Genebra, tendo seu lançamento em uma data significativa: 22 de março, quando comemora-se o Dia Mundial da Água. Na ocasião, 32 artistas - incluindo dois brasileiros - apresentaram suas obras, que em grande maioria chegaram ao público pela primeira vez. Na montagem brasileira, 23 artistas apresentam seus trabalhos: são instalações, vídeoinstalações, vídeo-projeções, fotografias, esculturas, desenhos e pinturas, incluindo produções específicas para o local e obras inéditas.

Sobre Adelina von Fürstenberg

Fundadora e primeira diretora do Centre d’Art Contemporain de Genebra na Suiça e depois diretora de Magasin – Centre National d’Art Contemporain de Grenoble, França e de sua Escola de Curadoria, premiada pelo júri da Bienal de Veneza de 1993, Adelina tem organizado muitas exposições em grande escala pelo mundo, incluindo Dialogues of Peace (Diálogos de Paz), que marcou o 50º aniversário das Nações Unidas em 1995.

Em 1996, fundou ART for The World, uma ONG que trabalha com arte contemporânea, cinema independente e valores universais. Em 2008, foi escolhida pelo UNHCR (Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas) e pela Comissão Europeia para produzir Stories on Human Rights (Histórias sobre Direitos Humanos), 22 curtas de ficção para o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, coproduzidas com o Sesc São Paulo. Em 2013, ela foi nomeada Curadora Chefe da 4ª Bienal de Tessalônica, Grécia e, mais recentemente, Curadora Chefe da primeira edição de Standart – Trienal da Armênia.

Em 2015, conquistou o Leão de Ouro pela melhor Participação Nacional na 56ª Bienal de Veneza por sua curadoria do Pavilhão Armênio, e em 2016, levou o Grande Prêmio Meret Oppenheim do Departamento Federal de Cultura da Suíça.

Pioneira no ramo, ela é conhecida por ampliar a arte contemporânea para incluir uma abordagem multicultural. Com sua visão única das exposições, ela tem colocado arte em espaços como monastérios, edifícios públicos, praças, ilhas e parques, além de promover exposições em museus e instituições. Seus trabalhos esforçam-se para fornecer um contexto maior ao torná-la uma parte mais vigorosa de nossas vidas, criando um diálogo vívido entre as formas de arte, enquanto fazem uma relação entre a arte e questões sociais globais.

No Sesc, Adelina já esteve presente com a mostra Mulher Mulheres, apresentada em 2007 no Sesc Avenida Paulista, em 2014 com FOOD - Reflexões sobre a Mãe Terra, Agricultura e Nutrição, no Sesc Pinheiros e em 2015 AquiAfrica, no Sesc Belenzinho.

Sobre as obras

A exposição conta com diversos recortes, como a questão da sacralidade no filme L’Eau – Ganga (algo como “A Água – Ganges”), de Velu Viswanadhan, ou da secura em One More Garden, One More Circle (Mais um Jardim, Mais um Círculo), instalação efêmera de Maria Tsagkari feita inteiramente de cinzas.

A poluição fica especialmente enfatizada na videoinstalação de Noritoshi Hirakawa sobre as consequências da catástrofe de Fukushima, em 2011 e a contaminação radioativa das águas.

Já o filme de Nigol Bezjian, Me, Water, Life (Eu, Água, Vida), trata a escassez de água nas zonas de conflito, como em um campo de refugiados sírios no Líbano, ou a série de obras Palavras, de Stefano Boccalini, sobre este debate inflamado e de grande atualidade: a água – bem público ou propriedade privada?

A obra de Jonathas de Andrade, Maré (Tide), 2014, é formada por 111 gravuras em tinta UV sobre madeira de bordo, e mostra imagens de um velho iate clube de Maceió, estado de Alagoas (onde Jonathas nasceu). Ondas d’Água, do brasileiro Guto Lacaz, é uma obra fixa do Sesc Belenzinho, criada especialmente para sua inauguração, e foi incorporada à exposição por se tratar da mesma temática.

Em Arrasto, Marcelo Mosqueta realizou uma expedição pelo rio mais importante de São Paulo, o Rio Tietê, onde coletou pedras, argila, areia e vários minerais, documentando e classificando os elementos encontrados nas margens e compondo um depósito de lembranças, relatos para um pequeno museu de curiosidades, cada uma compartilhando seu lado do leito fluido.

De Dan Perjovschi, Notes and Postcards on Water (Notas e Postais sobre Água), 2017, traz desenhos nas paredes baseados em tópicos políticos, sociais e culturais – o artista fala sobre questões da água em nossa vida cotidiana, inserindo páginas ou anúncios de jornais. Além disso, apresenta uma coleção de postais encontrados em lojas para turistas e bazares de lugares que ele visitou, que incluem elementos como lagos, rios e fontes e foram enviados diretamente para São Paulo pelo Correio.

A videoinstalação Theatrum Orbis Terrarum, de Salomé Lamas, apresenta-se como um filme de exploração, uma viagem sensorial e vertiginosa; resumindo, um filme de aventura. Segundo a definição da artista, “when I look at the sea for long, I lose interest on what happens on land” (quando olho o mar por muito tempo, deixo de me interessar por aquilo que acontece em terra).

Artistas participantes
 

Nigol Bezjian (Síria) Clemente Bicocchi (Itália) Stefano Boccalini (Itália) Luca Pancrazzi (Itália) Dan Perjovschi (Romênia)
Benji Boyadgian (Palestina/Finlândia) Sheba Chhachhi (Índia) Jonathas de Andrade (Brasil) Dorian Sari (Turquia) Eduardo Srur (Brasil)
Michel Favre (Suíça) Noritoshi Hirakawa (Japão) Iseult Labote Karamaounas (Grécia/Suíça) Maria Tsagkari (Grécia) Laura Vinci (Brasil)
Guto Lacaz (Brasil) Salomé Lamas (Portugal) Marcello Maloberti (Itália) Velu Viswanadhan (Índia/França) Vasilis Zografos (Grécia)
Carlos Montani (Argentina) Marcelo Moscheta (Brasil) Rosana Palazyan (Brasil)    

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Bom para acompanhar você quando estiver correndo, com saudade do Angeli e do Laerte dos anos 80 e outras cositas más. Chega mais!

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