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Poesia negra: versos de luta e resistência

Artistas se apresentam no espetáculo Black Poetry com direção do agitador cultural Eduardo Beu.
Artistas se apresentam no espetáculo Black Poetry com direção do agitador cultural Eduardo Beu.

No mês da Consciência Negra, o Teatro do Sesc Pompeia recebe o projeto Black Poetry, criado e dirigido pelo agitador cultural Eduardo Beu, dos Trovadores do Miocárdio. O espetáculo, que une poesia e música, foca na linguagem spoken word (recurso usado em performances artísticas em que letras de música, poemas e histórias são faladas ao invés de cantadas) para celebrar a obra, a influência e as urgências poéticas de escritores negros. As sessões acontecem nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro, a partir das 21h.

No show, serão revisistadas a sinestesia simbolista de Cruz e Souza; a poesia engajada de Gil Scott-Heron; a militância pan-africanista de Alfred Panou; os versos com aspectos do movimento Harlem Renaissance de Langston Hughes; e os pensamentos humanistas do escritor e ensaísta James Baldwin, homenageado na data de 30 anos de sua morte (1/12/1987).

As declamações se intercalam com trechos de vídeos dos Panteras Negras, além de trechos de entrevistas e falas de personalidades simbólicas do Movimento Negro – que lutavam contra os preconceitos raciais e a escravidão –, mais especificamente na época de seu ressurgimento, ocorrido entre 1975 e 1985.

Os poemas, enquanto declamados, terão sonorização com tons de jazz, soul e ritmos afro-brasileiros improvisados, a cargo de um combo liderado pelo norte-americano Brian Jackson (teclados e flauta), além de Thiago França (saxofones), do Metá Metá, e dois terços da banda Hurtmold: Maurício Takara (bateria), Marcos Gerez (baixo), Guilherme Granado (synth, escaleta) e Rogerio Martins (percussão).

A presença de Jackson reaviva fortemente a memória da obra de Gil Scott-Heron, já que na década de 1970 ambos fizeram colaborações: juntos, gravaram e assinaram a produção de dez discos. Morto em 2011, Gil Scott-Heron foi um cantor e poeta reconhecido como o precursor do hip hop e um dos nomes mais memoráveis do spoken word de todos os tempos.

Fundador do coletivo de literatura e música Trovadores do Miocárido, Beu criou a proposta há um ano, quando decidiu explorar outras estéticas literárias. Desenvolveu, então, a performance Black Poetry: Negritudes Poéticas & Outras Consciências. “A motivação foi resgatar e celebrar os grandes poetas e escritores negros do século XX (brasileiros, anglo-africanos, franceses e de outras afro-etnias), trazendo para um espetáculo cênico, com recursos musicais e audiovisuais, declamações de poemas ritmadas com músicas do mesmo zeitgeist”, explica Beu. No ano passado, o projeto já foi apresentado no Sesc Rio Preto, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, e, neste ano, fez parte da programação da Virada Cultural de São Paulo.

As vozes escolhidas para apresentar esse material são da cantora Juçara Marçal, Rodrigo Carneiro (vocalista da banda Mickey Junkies), do MC Rodrigo Brandão e do ator Caio Juliano. Black Poetry conta ainda com participações especiais de Mano Brown (30/11) e Black Alien (1º/12).

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