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60 horas de Jazz: um passo degustativo a um universo infinito

Daymé Arocena conquistou o público da choperia com sua voz forte<br>Foto: Carlos Rocha
Daymé Arocena conquistou o público da choperia com sua voz forte
Foto: Carlos Rocha

Ainda vai demorar um pouco para abaixar a adrenalina que o Jazz na Fábrica 2015 causou. E não é por menos: foram 32 apresentações somando praticamente 60 horas de música, em praticamente um mês especialmente dedicado, com uma média de publico de quase 23 mil pessoas.

Este é sem dúvida o Festival da diversidade que envolve o jazz. Seria possível encontrar o jazz no rock, na cumbia, e até na música eletrônica? A resposta para todas essas perguntas é a mesma: sim, é possível, e quem veio, viu!

Para o jornalista Carlos Calado, “poucos festivais de jazz no circuito internacional oferecem tanta diversidade musical quanto o Jazz na Fábrica. Além de compor um elenco com artistas de vários países, o festival também se caracteriza por sua preocupação em contemplar diversas vertentes do jazz em sua programação”.

E não teria uma escolha melhor para abrí-lo que a diversidade sonora do saxofonista Kenny Garret, afinal, ele é um elo entre o clássico e contemporâneo jazzístico. Carlos Calado complementa “Kenny Garrett surpreendeu na abertura, fazendo um show contagiante e eclético, que foi do jazz contemporâneo ao hip-hop”.

Vimos a cara do jazz em tantas faces diferentes, que ficamos impressionados como no século XXI ele ainda consegue causar tanto furor quando aparece – e o melhor, é que quando achamos que já vimos de tudo, ele vem para quebrar essa lógica!

Uma destas faces estava em um senhor de 84 anos solitário em seu piano, e aqui falamos do belíssimo show do Muhal Richard Abrams. Outra, no também pianista Shai Maestro e Laurent de Wilde. Também apareceu em um grupo de rapazes dançantes que mistura afrobeat com funk, como fez o Jungle Fire. E por que não na música eletrônica, no caso do LayerZ e do Troker? A face experimental, talvez uma das mais desafiadoras, marcou peso nesta edição: William Parker Quartet (EUA), Makoto Kuriya (JAP) e o Barcode Quartet, (AUT/ING), cada um de um canto do mundo, comprovando que o estilo não tem dono e ultrapassa qualquer barreira geográfica. 

Os reencontros que aconteceram no Festival deixaram o jornalista Alex Antunes entusiasmado: “O Soft Machine e o Grupo Um estão entre as coisas que mais serviram de trilha da minha juventude. Muito bom ter a oportunidade de ver - no caso dos ingleses - ou de rever - no caso dos brasileiros - ao vivo, o repertório desses álbuns cujos vinis eu quase furei.”, conta.


Cardápio especialE a Choperia... ah, ela foi uma atração a parte. Entre os arranjos musicais era possível comer pratos preparados especialmente para o Jazz na Fábrica.

O pôr-do-sol de domingo teve um outro sabor com o Jazz na Kombi. Cada semana era uma atração diferente que invadia o nosso Deck e mostrava que o jazz também pertence aos espaços abertos – afinal até o mestre Louis Armstrong começou tocando ao céu aberto antes de lotar os maiores teatros do mundo.

Foi entusiasmante saber que era apenas uma questão de metros que dividiam dois shows espetaculares. E quem estava na rua central da Pompeia podia ouvir levemente as duas apresentações simultaneamente. 

          
Enquanto o já consagrado Gary Peacock tocava no teatro, a jovem Daymé Arocena conquistava o público na Choperia com a sua voz forte como suas raízes afrocubanas. Ou então quando duas divas dividiam a noite em palcos diferentes, de um lado Tânia Maria, do outro, Marlena Shaw com o Bixiga 70. Que noites foram essas!

 

E teve tanta coisa que foi uma maratona acompanhar tudo o que estava acontecendo, como conta o jornalista Marcelo Costa. “Fiquei com vontade de ver mais shows no teatro. Ou seja, vontade de me mudar para o Sesc Pompeia em agosto.”

Este ano o Jazz na Fábrica definitivamente foi marcante. Entre tantas atrações, Costa arrisca a dizer as suas prediletas. “Fiquei emocionado com a vibe cativante do show da Daymé Arocena e impressionado com o Shai Maestro Trio. Se eles continuassem tocando a madrugada inteira, eu teria ficado.”, conta.

Confira a galeria de imagens dos shows:

Jazz na Fábrica 2015


E qual foi a sua atração predileta? Enquanto você decide, nós já começamos a preparar a próxima edição do Jazz na Fábrica.

Até 2016!  

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