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Cozinhar: um convite à magia

Oficina culinária realizada no Sesc Santo André (foto: Cris Komesu/Sesc)
Oficina culinária realizada no Sesc Santo André (foto: Cris Komesu/Sesc)

O estalo que acende o fogo é a senha para começar o ritual. A panela deita sobre a chama azul e logo os aromas vêm dançar: o azeite, o alho, a cebola, as ervas, as carnes, os vegetais... é uma cerimônia cheia de transformações: caldos e crostas se formam, cores novas se misturam e os sabores escapam pelo ar. Vão acordar os apetites que encontrarem pelo caminho.

Em vez de varinha e cartola, a mágica caseira de todos os dias usa colheres de pau e frigideiras. “Uma vez que o ingrediente chega à nossa cozinha, começa toda a brincadeira, a alquimia, e a criatividade floresce. Aí vem a nossa intuição, a nossa liberdade de cozinhar, de brincar, e toda a magia acontece”, diz a chef Claudia Mattos.

Talvez esteja nesse encantamento o segredo do sucesso de tantos programas culinários que se proliferam na TV. Mas se passamos cada vez mais tempo assistindo aos malabarismos dos chefs na telinha, por que não dedicamos o mesmo tanto na preparação da nossa própria comida?

Trabalho, filhos, correria, distrações: é fácil arranjar motivos para deixar as panelas dentro do armário. Atentas aos nossos dramas cotidianos, as indústrias alimentícias nos oferecem alternativas que podem ser tentadoras à primeira vista – macarrão instantâneo, lasanha de micro-ondas, empanados de frango nos mais diferentes formatos – tudo pronto em poucos minutos com a promessa do sabor caseiro. 

E se já nos oferecem a refeição pronta, por que perder tempo lavando, picando, temperando e assando, então? Para Claudia Mattos, cozinhar é uma questão de autonomia: “Quando não cozinhamos o nosso próprio alimento, ficamos dependentes de alguém que o faça, seja uma corporação ou empresa. Perdemos nosso poder de escolha, perdemos o privilegio de cuidar de nós mesmos e de nossa família”, afirma.

Ao escolher cozinhar, afinal, sabemos exatamente o que estamos colocando no prato. Em vez dos ingredientes quase impronunciáveis usados na indústria (você sabe o que são glutamato monossódico, pirofosfato tetrassódico, maltodextrina...?), podemos trazer os alimentos que conhecemos, que fazem parte de nossa cultura, produzidos localmente e até – por que não? – crescem em uma hortinha em nossa varanda. 

Durante o mês de outubro, em comemoração ao Dia Mundial da Alimentação, diversas oficinas convidam a retomar o controle de fornos, fogões e das nossas escolhas alimentares. No Sesc Itaquera, a chef Claudia Mattos conduz uma vivência Da Horta para a Cozinha; no Sesc Campinas, a proposta é mostrar como as Receitas das Avós São Mais Gostosas; no Vila Mariana, um trajeto Do Pé ao Prato, do Fruto à Polpa, da Polpa à Receita; em Interlagos, o tema é a Alimentação Natural e Culinária Orgânica; em Taubaté, um convite para descobrir os Sabores da Mata e, em Santo Amaro, os Sabereres e Sabores das Américas; em Sorocaba, a chef Rita Taraborelli fala sobre a Alimentação adequada e saudável, com jeito e gosto de Brasil; em Bauru, as frutas ganham várias receitas, da geleia ao tartelete e no Sesc Consolação, oficinas ensinam a fazer pão, com o chef Claudio Lorenzo  e o consultor Luiz Américo Camargo

Para as crianças, as atividades mostram como cozinhar pode ser divertido e gostoso: alguns exemplos em Interlagos, Pinheiros, Itaquera e Ribeirão Preto.

Outras dezenas de oficinas, bate-papos, palestras e intervenções culturais fazem parte do Dia Mundial da Alimentação 2015. Acompanhe a programação completa aqui

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