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Gigante Alviazul

Durante o período da exposição 100 anos do Esporte Clube Taubaté serão publicados no Portal Sesc SP crônicas de jornalistas convidados a registrar suas lembranças em textos que homenageiam o Taubaté. Além das crônicas, vídeos inéditos compõem o conteúdo exclusivo para internet. 

Gigante Alviazul

Por Cláudio Nicolini *


O futebol entra na vida das pessoas geralmente na infância. Comigo não foi diferente. Desde a menor idade, me lembro com a camisa do meu pai do Santos F.C., que para mim, mais parecia um vestido. Em São Manuel, minha terra natal no interior de São Paulo, a Veterana A.A. São Manuelense voltou a disputar campeonatos da Federação Paulista naquela segunda metade dos anos 1980. Eu com meus 10, 11, 12 anos, passei a torcer também pelo vermelho e preto da Associação, que em 1990 se transferiu para o amadorismo. Triste realidade e dificuldade por que passam os times do interior. Muitos com títulos e camisas respeitáveis.

Fui fazer faculdade em Taubaté, e voltei a acompanhar um time da cidade onde morava. Um não: O Time. Minhas primeiras intervenções no Joaquinzão foram em 1995, com o amigo Matheus, companheiro de banco na Comunicação Social da Unitau. Não teve jeito, virou paixão. A profissão me levou a ser cronista, e enquanto escrevo essas linhas, me lembro das cabines do Estádio Joaquim de Morais Filho, de gols de Gilsinho, da raça do lateral Neto. O Esporte Clube Taubaté também tem suas dificuldades, não é diferente nesse quesito. É do interior, da cidade, da massa! Onde sobram apaixonados torcedores, sempre falta um pouco de dinheiro. Não é fácil. Vi jogos com casa cheia e com cerca de 300 gatos pingados. Vi torcida vibrante, papel picado, bandeiras... vi protestos e xingamentos. O futebol é passional. Mas o Burro da Central, apelido carinhoso que carrega desde a década de 50 do século passado, é maior que problemas de gestão, parcerias muitas vezes malsucedidas, picaretas espalhados pelo mercado da bola.

Aprendi com os mestres da narração, e ouvi arquivos com o Taubaté sendo gritado como o Gigante do Vale. E só pode ser Gigante para ter chegado aos 100 anos, e ainda com um novo caneco na coleção! Quem, como eu, conhece a sala de troféus, sabe das conquistas desse time que chega ao centenário, mexendo com toda a cidade como um garotinho pimpão. O Burrão nunca deixou de ser Gigante! Mesmo em divisões menores, com times que não honraram a tradição, o azul e branco foi maior, e é a maior bandeira da cidade. 100 anos não são para qualquer um.

Quantas pessoas centenárias você conhece? E times no interior com essa tradição, e em plena atividade? Esse é o Esporte Clube Taubaté, o Burro da Central, o Gigante do Vale! É o caso de amor de uma cidade inteira e de forasteiros, como eu, que nem moro mais em Taubaté. Mas que, quando podem, não medem esforços para se sentar nas arquibancadas de cimento. Sorta o Burro! É já que ele está de volta pra primeira divisão. Amém!

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* Cláudio Rogério de Almeida Nicolini, 38 anos, jornalista, MBA em Gestão de Pessoas. Passou por empresas como Rádio Cacique Taubaté, TV Diário de Mogi das Cruzes, Rádio e TV Bandvale. Foi repórter, editor, apresentador e gestor. Hoje coordena a CCR FM NovaDutra e participa da equipe esportiva da Rádio Piratininga AM de São José dos Campos, como narrador.

 


 

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