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No Sesc Pinheiros, espetáculo retrata as muitas identidades de uma mulher

Nana Yazbek, Maria Laura Nogueira e Rita Gullo. Foto: Camila Cornelsen.
Nana Yazbek, Maria Laura Nogueira e Rita Gullo. Foto: Camila Cornelsen.

Escrito por Carla Kinzo e dirigido por Vera Egito, Eu sou essa outra parte da vida da atriz Liv Ullmann, rememorada no livro autobiográfico Mutações, para tratar dos muitos papéis vividos por uma mulher em seus processos pessoais, profissionais e artísticos. 

Carreira, maternidade, autoimagem e relacionamentos são temas do espetáculo, que, em sua dramaturgia, também conjuga elementos de Casa de bonecas, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, texto que Liv montou em diversos momentos em sua vida, e Persona, o primeiro filme que a atriz fez com o cineasta sueco Ingmar Bergman.

Na encenação, não há exatamente situações materiais a serem reproduzidas. Relatos, memórias e citações se embaralham de forma lírica. Esse foi meu guia para a encenação. Criar jogos e sensações nas atrizes que tragam para o corpo as memórias narradas no texto”, explica a diretora.

Com uma carreira já consolidada no audiovisual, Vera Egito marca sua estreia nos palcos nessa peça. O convite partiu das atrizes e produtoras Maria Laura Nogueira e Rita Gullo. “A direção teatral é nova para mim, mas o amor pelo teatro é mais antigo. Por mais desafiador que seja para mim, este é um lugar que ocupo com alegria e afeto, para o qual me preparei para estar. O texto da Carla Kinzo foi essencial para que eu aceitasse o convite. A abordagem que ela faz aos temas propostos por Liv Ullmann em suas memórias é tão bonita, tão inteligente e singela ao mesmo tempo”, comenta Vera.

Maria Laura Nogueira, Nana Yazbek e Rita Gullo revezam-se em cena para recriar episódios da vida de Liv Ullmann que, por sua contundência, são usados para discutir os papéis das mulheres em espaços de criação. Completamente feminina, a equipe do espetáculo também foi formada a partir dessa reflexão que o livro propôs. A trilha sonora será improvisada em cena por Camila Cornelsen.

A cenografia, assinada por Carmela Rocha, é composta por elásticos com os quais as atrizes interagem. “Como uma metáfora do feminino, que é resiliente e resistente ao mesmo tempo, as atrizes interagem com esses elásticos formando imagens e experiências físicas. A ideia é de transparência, revelar os artifícios como sinal de honestidade, de franqueza. Pois, assim são os relatos de Liv: francos, sem vaidade ou medo de se expor”, diz Vera.

Como Liv não usa maquiagem até hoje, as atrizes não aparecem maquiadas em cena. Os figurinos de Emanuelle Junqueira também reproduzem essa simplicidade. “A peça traz Nora, mulher do século 19, Elisabeth, protagonista de persona, mulher dos anos 60 e a própria Liv, atual e viva. O figurino de forma precisa sobrepõe essas épocas. As três atrizes se revezam fazendo as três personagens alternadamente até virarem uma só. Os figurinos seguem esse conceito”, acrescenta.

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