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Corri todos os dias durante dois meses – E isso foi o que aprendi durante o processo

Durante sessenta dias, Thais Fero, Editora Web do Sesc Itaquera, se desafiou a experimentar os efeitos da endorfina, que são liberados durante o exercício físico, e testou, assim, sua capacidade de criar um hábito novo

Os segundos passam lentamente. A verdade é que tempo parece não passar. Na minha cabeça, uma voz chata insiste em dizer: “Ai meu Deus, você não vai conseguir. Está muito cansada. Melhor desistir”. Mas sou muito teimosa para parar.

Continuo passo a passo. Minhas bochechas estão quentes e rosadas. O suor escorre, pinga e deixa um rastro. Até que o minuto final chega. Abro um sorriso largo: consegui mais um dia.
Essa cena se repetiu por dois meses.

Decidi que iria me desafiar a correr todos dias durante dois meses.

Não criei esse desafio porque queria perder peso ou melhorar meu condicionamento físico. Vale a pena ressaltar que não emagreci nenhum quilo durante esse processo.

Também não fiz essa experiência porque tinha vontade de correr uma prova de rua ou uma maratona.

Fiz por dois motivos: queria experimentar os efeitos da endorfina, que são liberados durante o exercício físico, e testar minha capacidade de criar um hábito novo.


ENDORFINA NA VEIA

Conheço diversas pessoas que correm regularmente, treinam e participam de provas.  Minha timeline do Facebook está cheia de corredores amadores que tiram fotos com suas medalhas. Muitos já haviam me avisado que correr é viciante e prazeroso.

A verdade é que a atividade física traz uma série de benefícios para o corpo. Um deles é a liberação da endorfina, o que os médicos chamam de neuromediadores ligados à sensação de bem-estar e prazer. No popular, ele é conhecido como o hormônio da felicidade.

Eu queria experimentar essa sensação.

Por isso, todos os dias subi na esteira, realizava 10 minutos de aquecimento, corria intensamente durante os próximos 15 e desacelerava nos últimos 5 (totalizando 30 minutos). Isso pode parecer pouco para quem corre de verdade, mas para mim era exaustivo.

Durante toda essa experiência, respeitei os limites do meu corpo. Nunca forcei demais o ritmo. E já havia realizado exames médicos que atestavam que estava apta a praticar exercícios físicos.

OS PRIMEIROS 20 DIAS – A FASE DE ADAPTAÇÃO

Logo na primeira semana, comecei a sentir os efeitos positivos. Estava mais bem-humorada e com mais disposição para fazer as tarefas cotidianas.

Ao mesmo tempo, me questionava se não era loucura demais correr todos dias sem dar um intervalo para o corpo. E, lógico, sentia aquelas dores no corpo típicas de quem está começando a fazer exercício físico.

Por mais que eu sentisse preguiça da rotina –  acordar às 6h30 da manhã, sair da minha cama quentinha, colocar a roupa de ginástica e descer até a academia do prédio –  segui firme e forte nos primeiros dias.

Durante os finais de semana, sempre que possível, tentava correr na rua ou em um parque. A experiência é muito mais agradável do que na esteira. O tempo passava mais rápido.
Mas o asfalto é muito mais cansativo. Aos domingos, me sentia exausta e só tinha forças para dormir.

Esses primeiros dias foram os mais difíceis. Meu corpo estava se adaptando ao esforço diário e respondia a isso com cansaço e dores musculares.

40 DIAS – DRIBLANDO O TÉDIO

Tenho que ser sincera: CORRER NA ESTEIRA É MUITO CHATO.

O cronômetro se transforma em um torturador. Quanto mais eu olhava para ele, menos o tempo passava. Precisava criar uma distração para que a atividade, que devia ser prazerosa, não se tornasse um martírio diário.

A primeira forma de escapar do relógio, e a mais óbvia também, era escutar música durante as corridas. Uma seleção de músicas empolgantes ajuda e muito a dar uma animada na esteira.
Quanto mais forte era a batida da música, mais rápidas eram as minhas passadas. 

Depois, decidi unir o útil ao agradável e comecei a assistir a séries no celular enquanto corria. Descobri que não era a única louca que fazia isso, numa rápida pesquisa do Google percebi que isso é mais comum do que eu imaginava.

A mescla entre músicas e séries ajudaram muito durante esse processo.

Outro aspecto que mudou na minha vida foi a quantidade de comida no meu prato, que aumentou (E MUITO). Senti mais fome e em intervalos de tempo mais curtos. Como disse anteriormente, não perdi peso durante esse processo porque esse não era meu objetivo.

E ficou muito evidente aquela máxima que todos os nutricionistas adotam: para emagrecer não adianta apenas praticar exercícios físicos, é preciso controlar a alimentação também. Eu sou a prova disso. Não emagreci nenhum quilo durante os dois meses.

60 DIAS – O HÁBITO CRIADO

Meu corpo começou finalmente a dar sinais de que tinha se acostumado com a atividade. Isso não quer dizer que a corrida se tornou mais fácil. Mas as dores tinham passado e comecei a sentir que precisava correr.

Não consegui manter o horário que tinha programado inicialmente: sempre correr de manhã. A preguiça de acordar cedo me fez ficar na cama algumas horas a mais durante alguns dias da semana. Mas sempre compensei indo para esteira durante a noite.

Depois que o desafio acabou, e me dei alguns dias descanso, posso falar que já estou sentido falta. A endorfina é realmente viciante. 

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Por mais que mudar hábitos possa ser difícil no começo é uma oportunidade de te desenvolver, se reencontrar e melhorar a qualidade de vida.
Quebre tabus, repense suas atitudes e reveja conceitos. Você provavelmente sabe o que fazer, basta mudar a chavinha e colocar em prática! Lembre-se que o Dia do Desafio está aí para te ajudar com isso. Coloque o dia 30 de maio como meta para o início de uma rotina mais saudável.

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