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8 fatos sobre À Nordeste, exposição que está na reta final no Sesc 24 de Maio

No próximo domingo, 25/08, a exposição À Nordeste encerra um ciclo de quatro meses aqui no Sesc 24 de Maio. Foram 275 trabalhos de diversas linguagens produzidos por 160 artistas brasileiros (em sua maioria nordestinos) que se propuseram a evidenciar a pluralidade de identidades, culturas e imaginários da região Nordeste.

Separamos 8 fatos sobre a exposição para quem quer voltar ou para quem virá pela primeira vez. Ainda dá tempo!

1- Você vai aprender (e muito) sobre o Nordeste

Diversas ações e conflitos do passado contribuíram para construir a imagem de um Nordeste subdesenvolvido e marginalizado. Um desses eventos foi o recrutamento de nordestinos para trabalhar no segundo ciclo de extração de borracha na Amazônia, que aconteceu paralelamente à Segunda Guerra Mundial.

Para coletar o material, que seria vendido para os Estados Unidos, o povo nordestino foi persuadido à participar de um “alistamento” para o serviço. Isso foi reforçado por meio de propagandas, ilustradas pelo suíço Jean-Pierre Chabloz (1910-1984), que estão expostas aqui ao lado de documentos que estereotipavam os corpos dos chamados “soldados do borracha”.

2- Você vai poder ver Portinari e Saquinho de Lixo na mesma sala

Já imaginou ver um dos artistas plásticos brasileiros mais conhecidos do mundo afora ao lado dos memes caóticos e ácidos do coletivo Saquinho de Lixo? Aqui, esses diálogos são possíveis! A diversidade de nomes, linguagens e temporalidades de obras rola solta.

O quadro “Os Retirantes”, de Candido Portinari, denuncia as condições de migrantes em 1944 e é uma das obras mais importantes da arte brasileira. Aliás, o trabalho faz parte do acervo do MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand. Já o Saquinho de Lixo trouxe o “Memelito”, um painel de LED de 8’9” que apresenta uma compilação caótica e divertida de memes que fizeram (e ainda fazem) a internet morrer de rir.


"Os Retirantes" é parte do Acervo do MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand 
(Doação Assis Chateaubriand, 1948 – MASP.00324) (Foto: Alberto S Cerri)

3- Alguns legados para o Brasil começaram lá

Algumas peças da exposição vão além do Nordeste em si e expõem trabalhos de momentos que foram importantes em contexto nacional. Uma delas é o “Manto de apresentação” de Arthur Bispo do Rosário (1909-1989), uma adaptação de seu cobertor com peças produzidas por humanos, como cordas, ao seu redor. Diagnosticado com esquizofrenia paranoide, Bispo do Rosário passou parte de sua vida interno em manicômios. Com sua maneira de criar, se tornou um dos pilares que tornaram possível a implementação de arteterapia em instalações que tratavam de doenças mentais, iniciada pela psiquiatra brasileira Nise da Silveira (1905-1999).


"Manto de apresentação", de Arthur Bispo do Rosário. (Foto: Denise Andrade)

4- O Nordeste tem seus popstars e sua produção artística é muito vasta

Pôsteres de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), do cineasta Glauber Rocha (1931-1981); discos de vinil dos popstsars nordestinos, como de Tom Zé e Belchior; e vídeos-instalações de danças que vão do frevo aos ritmos de matriz africana são apenas algumas das mesclas que provam o quão rica é a contribuição do nordeste para a arte e cultura brasileira.


Pôster de divulgação do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), 
dirigido por Glauber Rocha.

5- A cena queer nordestina contribuiu para a militância LGBTQ+

A comunidade LGBTQ+ marca presença. Ela está, por exemplo, nas vídeos-instalações de Bárbara Wagner, que apresentam figuras queers (como a drag queen) dançando o frevo, e no núcleo Desejo*, uma área fechada da exposição que dialoga sobre a visão do Nordeste em relação a sexualidades e expressões de gênero dissidentes. O espaço ainda presta homenagem à trajetória da maranhense Pêdra Costa, importante performer e ativista queer no Nordeste, e apresenta o registro Gravidade, que traz, em fotos, o registro da gestação do performer trans SaraElton Panamby.

*Não é permitida a entrada de menores de 18 anos.

6- O avanço tecnológico existe (como em qualquer outro lugar)

O contraste de tecnologias analógicas e digitais despertam curiosidade e nostalgia. São televisões de tubo, vitrolas de disco e rádios antigos ao lado de televisões de led, telões e obras como a de Abraham Palatnik, um dos precursores da arte cinética. Sua obra “Objeto cinético KK-9a”, exposta em À Nordeste, possui um mecanismo que faz com que formas geométricas se mexam dentro do quadro.


O quadro cinético “Objeto cinético KK-9a”, de Abraham Palatnik. (Foto: Alexandre Nunis)

7- A exposição conta com setor interativo

Quer tocar um pandeiro ou ler histórias sobre Maria Bonita? No núcleo educativo da exposição, os visitantes podem interagir com instrumentos musicais, objetos, máscaras e encontrar livros que explorem outras visões sobre fatos históricos nordestinos.

8- A criatividade do povo nordestino ultrapassa todos os limites (e isso é maravilhoso)

Quer rir bastante? Procure por “Edifício Recife”, registro de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca sobre a visão de porteiros e faxineiros de prédios sobre as obras de arte presentes nos condomínios em que trabalham. Nos anos 1960, foi sancionada uma lei local que tornava obrigatória a presença de instalações artísticas em condomínios – o que caiu por terra nos anos 2000. Ou veja a sátira de Ton Bezerra,  “Signos eletronejos”, sobre a visão estereotipada da figura sertaneja. No vídeo, o artista caminha pelas ruas centrais de São Paulo com diversas vestimentas e símbolos que são frequentemente utilizadas para referenciar de forma generalista os nordestinos.


Fragmento obra "Edifício Recife", de Bárbara Wagner e Benjamin da Burca.

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