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Projeto Veludo Preto leva protagonismo negro e experiências de dança ao público

Shamel Pitts e Mirelle (Foto: Alex Apt)
Shamel Pitts e Mirelle (Foto: Alex Apt)

O Sesc 24 de Maio apresenta, entre os dias 23 e 25 de fevereiro, o Projeto ‘Veludo Preto + Experiências em Gaga’, formado pelo coreógrafo e professor novaiorquino Shamel Pitts junto à dançarina Mirelle Martins e ao designer Lucca Del Carlo. O objetivo é apresentar ao público a Gaga Dance - linguagem de movimentos criada pelo performista israelense Ohad Naharin - por meio de um espetáculo, o documentário ‘Gaga Dance. O amor pela dança’ e aulas ministradas por Pitts.

Eis o desafio: conectar o prazer aos momentos de esforço, fazê-los um só e ouvir o corpo antes de dizer a ele o que deve ser feito. Essas habilidades parecem ultrapassar os limites humanos expostos em situações de dor, cansaço, felicidade e diversão, no entanto, são sensibilidades que conduzem o estilo. “Nos tornamos mais delicados e reconhecemos a importância do fluxo de energia e informação dentro de nós”, afirma Naharin em nota.

Segundo ele, a Gaga é uma forma de ganhar conhecimento e consciência sobre o próprio corpo. “Aprendemos como usar nossas forças e aplicá-las de forma eficiente dentro de nós”. As coreografias contemplam desde balançados sensíveis do quadril até quedas abruptas no chão, feitas pela rendição do corpo e entrega momentânea da consciência.

Aos que estão começando, Pitts aconselha que se entreguem às sensações do movimento e permitam que a informação alcance o corpo antes da mente. “A partir desse exercício, eles conseguirão aproveitar a experiência física da Gaga Dance”.


(Foto: Ascaf Avraham)

Parece abstrato para o leitor não muito próximo às visões contemporâneas da dança, mas essas sensações estão relacionadas aos movimentos e ao espaço onde se faz a coreografia. Para provar isso, Shamel Pitts aponta que na Gaga Dance não há espelho, já que o reflexo induz a exploração do movimento e desconecta os dançarinos da experiência em que devem estar. “A ideia é interligar o corpo às pessoas ao redor, a fim de que cada um se reflita no outro, e não em si mesmo”, explica.

Os estudos de Gaga permitem que o participante conecte o corpo à imaginação, melhore a flexibilidade e ganhe resistência. “Aprender esta linguagem é parecido com o aprendizado de uma nova língua. Você precisa entender os fundamentos antes de falar com fluência”, compara o professor.

Protagonismo

Durante uma hora, a peça expõe a diversidade da negritude, em especial sobre a mulher negra, por meio de uma relação de amor, compaixão e companheirismo encenados por Mirelle e Shamel Pitts.

Para o professor, o trabalho não é essencialmente sobre a questão racial, mas abre espaço para abordar o assunto, já que ambos são negros e vivem as mesmas questões étnicas em países diferentes. “No Projeto Veludo Preto, nós criamos nosso próprio mundo, onde podemos existir, nos expressar e prosperar como indivíduos negros e unidade”, conta.


(Foto: Rebecca Stella)

Pitts afirma, ainda, que reflexões raciais costumam aparecer mais para o público que os assiste do que para eles próprios. “Achamos importante dar visibilidade às pessoas negras e fazer com que a sociedade ouça as nossas vozes por meio de um trabalho artístico inconvencional”.

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