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A Beleza do Inusitado

Do crescimento demográfico e urbanização mal planejada nasceram as favelas. A palavra “favela” propriamente dita – e escrita - foi inicialmente usada por Euclides da Cunha ao descrever os assentamentos do sertão baiano durante a Guerra de Canudos. Em Os Sertões (1902), o escritor compara as habitações na encosta dos morros com a faveleira, conhecida também como mandioca-brava, raiz típica do Nordeste. Trata-se de um dos termos mais brasileiros e clássicos da literatura, que sobrevive até hoje. A proximidade física e o cotidiano vivido em espaços densamente ocupados exaltam a vida comunitária, essência das favelas e conjuntos habitacionais. Todos fazem parte da comunidade, cultivam em si o significado de pertencimento, compartilham momentos, convivem com problemas, angústias e desejos de abrir olhos e ouvidos que se fecham às áreas periféricas da cidade.

Para quem está distante tudo pode parecer igual. Ruas estreitas, becos, vielas, fios da rede elétrica, campos de terra, casas sobrepostas que ocupam o vazio como rizomas, e – principalmente – seus habitantes. Porém tudo reserva um encanto original e único em cada comunidade.

E foi atrás desta beleza particular que José de Quadros, pesquisador, artista plástico e pintor brasileiro mergulhou na comunidade Tamarutaca, vizinha ao Sesc Santo André, para integrar à unidade a exposição A Beleza do Inusitado. Com curadoria de Tereza de Arruda, a mostra é resultado de um processo de imersão do artista na comunidade, com encontros, palestras, workshops e ateliê aberto que abordaram processos criativos do artista e técnicas utilizadas, estabelecendo convívio e troca de vivências com moradores. A experiência, iniciada em novembro de 2017, foi mediada pelo MDDF – Movimento de Defesa dos Direitos de Moradores em Favela, e se concretiza nos desenhos em grandes formatos sobre placas de acrílico que estarão expostos e suspensos em uma galeria aérea sob a Área de Convivência da unidade.

As obras protagonizam minúcias da Tamarutaca: detalhes arquitetônicos ganham vida e cor; retratos de moradores que falam através das superfícies e traços; sutilezas despercebidas da rotina tomam forma e importância.

Em vídeo, José de Quadros apresenta o processo de construção de suas obras e sua exposição para o Sesc Santo André, composta por quatro séries antigas de pinturas e desenhos do artista e uma série inédita exposta em formato de galeria aérea na Área de Convivência.



A exposição A Beleza do Inusitado, segue em cartaz até o dia 27 de maio no Sesc Santo André.

 

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