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Sou pai. E agora?

 

Esqueça tudo o que te fez feliz até esse momento. 
Esqueça também tudo o que você considerava como prioridade.
Você está iniciando a melhor experiência da sua vida.
Prepare-se para um mundo repleto de expressões novas, como “Cama compartilhada”, “Criação com Apego”, “Livre demanda e  “Alimentação BLW”, por exemplo.

Prepare-se também para decorar inúmeras canções de ninar (e quem sabe até inventar as suas) e aprender inúmeras formas de se movimentar para os lados com o bebê no colo. E tenha em mente que as madrugadas perderão a tranquilidade, serão mais longas e você e sua companheira, que até então colecionavam diversas aventuras relacionadas à gestação, passarão a colecionar também noites mal dormidas, conselhos variados e trocas de fraldas, que não param se multiplicar.
Assim como suas olheiras.

Seu sono nunca mais será o mesmo.
Se o bebê respira fundo, você pula da cama para ver se tá tudo bem.
Se você não ouve a respiração dele, você pula da cama para ver se ele está respirando.
A vida vira de cabeça pra baixo, literalmente.

Você vê sua companheira cansada, tirando forças não se sabe de onde para amamentar, e confortar aquele serzinho indefeso e extremamente dependente da mãe. Quer ajudar.
Mas ajudar não é a palavra certa.

Enquanto a publicidade te diz que “Não Basta ser pai”, a realidade te mostra que é preciso focar no “participar”: na criação de uma criança não há espaços para coadjuvantes - ambos precisam ser protagonistas.

É preciso estar sempre presente e dar atenção à sua companheira, afinal nessa fase é comum que todas as atenções estejam voltadas para o bebê, enquanto a mãe fica em segundo plano.
É preciso cuidar de quem cuida.
E deixar de lado aquela malfadada história que ouvimos desde que o mundo é mundo, de que as mulheres são responsáveis e cuidadoras por excelência da natureza. Não existe maternidade compulsória.

E o tal papel de pai?
Estudos apontam que a partir do momento em que se torna pai, o homem passa a ser tratado como um cidadão  “adulto” e responsável, inclusive pelos seus empregadores.
O que resulta em mais tempo no trabalho e menos tempo em casa.
O bebê sente isso. Embora seja um pacotinho indefeso, ele já é cheio de personalidade e tende a estranhar a presença daquele que disputa a atenção da pessoa que lhe dá conforto, afeto e alimento, na medida certa.
Na verdade, nos seus primeiros meses, o bebê acha que ele e a mãe ainda são o mesmo ser.  E é aos poucos que ele começa a interagir socialmente e a desenvolver sua independência. Passa também a identificar os membros da família, e chamar a atenção de todos ao redor: com gritos, gestos e sorrisos.
Emitindo sons que, aos ouvidos de pais ansiosos por uma interação mais efetiva, se tornam palavras que indicam uma tentativa de comunicação precoce.

Se durante esse período você se sentir rejeitado pelo seu bebê, não leve para o lado pessoal, nem fique se questionando sobre seu papel nessa relação. Você não está sobrando.
Muito pelo contrário. Sua presença é fundamental para que o bebê perceba que além do colo aconchegante da mãe ainda existe o carinho, por vezes desajeitado, do pai.

Aos poucos, ele vai se acostumando com sua presença, sua voz, suas brincadeiras e com o formato do seu corpo. E os laços irão se fortalecendo dia após dia.  Quando você menos esperar, estará dando banho, alimentando e levando seu bebê para passear.

E durante esse processo, é importante não se iludir: não há nada de especial em dividir os afazeres com sua companheira.
Sejam os domésticos ou aqueles relacionados aos cuidados com seu bebê.
Na verdade você não está fazendo nada mais do que a sua obrigação.

 

Jean Paz é pai do Gael, de 7 meses, e editor web do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em São Paulo.

 

Jean, Raysa e Gael | Foto: Andresa Mayer
 

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