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Festival da Longevidade LAB60+

Idosa fala sobre planos e projetos durante o LAB60+ | Foto: Karla Priscila
Idosa fala sobre planos e projetos durante o LAB60+ | Foto: Karla Priscila

Várias pesquisas mostram que estamos vivendo mais. Pensando nessa “nova” longevidade, o LAB60+ reúne um grande conjunto de iniciativas, unindo sonhos e projetos de vida à colaborativismo e trocas, nos quais todos apresentam-se como protagonistas de sua história, trazendo potências e fragilidades que podem ampliar oportunidades.

O Festival da Longevidade acontece gratuitamente de 24 a 26 de outubro, das 10h às 17h, no Sesc Itaquera; oferece em sua programação atividades como vivências, oficinas, apresentações artísticas e bate-papos sobre empreendedorismo, moradia, cuidado, finitude, trabalho, bem-estar, cultura, esporte e tecnologia.

A EOnline conversou com Sérgio Castelo Serapião, idealizador do LAB60+, que conta detalhes sobre o projeto, o festival e a parceria com o Sesc São Paulo. Confira:


EOnline: O que é o LAB60+? Por que sentiu a necessidade de criá-lo?
Sérgio Serapião: LAB60+ é um grande laboratório para redefinirmos nossa longevidade. Já sabemos que estamos vivendo mais, porém, não estamos preparados para lidar com esta "nova longevidade". Ainda minimizamos os papeis e contribuições que idosos possam dar, de forma a construírem relações harmônicas e participação na sociedade. A imagem e representação de pessoas acima de 60 anos ainda está ligada a pessoas frágeis, doentes, impotentes. Muitas vezes infantiliza-se e subestimamos as potencialidades que apenas os anos de vida nos trazem.
A ciência nos comprova, porém, que estes anos que ganhamos de vida nos trazem experiências e, potencialmente, desenvolvimento contínuo em aspectos como inteligência emocional, capacidade relacional e espiritual. Assim, precisamos rever nossa longevidade e nosso papel por toda a vida.

EOnline: Quais os benefícios que o LAB60+ pode trazer para os participantes?
Sérgio Serapião: O LAB60+ abre espaço para pessoas e organizações se desenvolverem. Se conectarem em ambientes de confiança e respeito, nos quais todos apresentam-se como protagonistas de sua história, com potencias e fragilidades. Conectamo-nos a partir de nosso impulso individual, nossos interesses que geram uma ação (ideia, projeto, produto, serviço) que necessita do outro, ou do coletivo para se completar para se realizar em sua plenitude. Assim, atuamos de forma propositiva, colaborativa, com atitude positiva (nosso mantra é ProCoPó). Assim, nos realizamos individualmente, nos relacionamos com pessoas muito diversas (em idades, classes sociais, saberes e interesses) e cocriamos novas realidades. Mais inclusiva. Mais realizadora.

EOnline: Por que você acredita que o idoso pode modificar e contribuir, sendo um personagem ativo na sociedade?
Sérgio Serapião: Um estudo recente de Harvard concluiu que pessoas mais felizes e saudáveis são aquelas que cultivam relacionamentos de longo prazo. Eu acredito muito nisso. Numa relação harmoniosa, um oferece algo que o outro necessita e vice versa. De forma equilibrada. Estudos sobre inteligências múltiplas comprovam que nem todas capacidades nossas são declinantes com o passar dos anos. Pelo contrário, temos potencial de desenvolver continuamente algumas inteligências, tais como; emocional, relacional e espiritual, por toda vida. Acostumamo-nos a ver o idoso como fragilidade e nada mais, retirando deles a possibilidade de troca, de contribuição, logo de desenvolvimento de relações harmoniosas. Não é por acaso que vemos tantos casos de solidão e depressão. Na minha opinião isso é uma miopia e temos urgência para despertar a sociedade e pessoas para "nova longevidade". 

EOnline: E como mobilizar a sociedade para que ela veja o idoso assim?
Sérgio Serapião: Primeiro, construindo espaços de troca, diálogo e confiança, nos quais as pessoas possam se apresentar e se conectar de forma leve, prazerosa e realizadora. Assim sugiram as iniciativas do LAB60+ - desde encontros mensais que ocorrem em várias cidades mensalmente (LAB60+ cafes ComVida) até o Festival de Longevidade, anual, que reúne um grande conjunto de iniciativas incríveis lidando com aspectos da vida como moradia, trabalho, empreendedorismo, cultura, bem estar, etc.

EOnline: Qual o objetivo do Festival da Longevidade LAB60+? Como começou a parceria com o Sesc?
Sérgio Serapião: O Festival busca ampliar a mensagem desta "nova longevidade" para todos. Levar a mensagem de que a diversidade (especialmente geracional) é positiva e a partir dela é que construiremos um mundo melhor, para todas as idades. Levar a mensagem que todos somos co-responsáveis pelo desenvolvimento de uma realidade em que acreditamos. O Festival é fruto de muita colaboração entre pessoas que se voluntariam a apresentar seus trabalhos, outras que se voluntariam a atuar nos dias do festival e organizações que se mobilizam para fazer acontecer. O Sesc São Paulo, correalizador desta edição, conheceu o LAB60+ em 2015 e gradualmente foi adentrando e criando relações com associados, ensinando e aprendendo, a partir de suas potências (excelência no desenvolvimento e realização cultural que todos conhecemos) e desafios, reconhecendo que abrir-se para o movimento pode trazer inovações e contribuições para os credenciados, funcionários e público em geral.
Assim, está sendo preparado o Festival da Longevidade LAB60+2018, com muita troca, com muitas pessoas e organizações envolvidas e muito aprendizado que a atuação em rede traz para todos. Será único, será lindo!!

EOnline: Como lidar com as multiplicidades e diferenças da velhice, em questões de gênero, raça e classe social?
Sérgio Serapião: Temos que entender que são várias velhices. E se pessoas de diferentes classes e gêneros tem particularidades (potenciais e fragilidades) quando jovens, elas somente se multiplicam conforme os anos vão se passando. E isso é bom, pois amplia as possibilidades de contribuição de um para o outro e vice-versa. Tratamos a diversidade como um ativo. Sem diversidade uma rede ampla como o LAB60+ não funciona em sua potência. Para isso funcionar, porém, precisamos aplicar o ProCoPó, atuar com respeito e empatia para com o outro. E compaixão conosco. Sem cobrança demasiada.

EOnline: Você pensa em uma ampliação da rede, para que seja compartilhada com mais pessoas? Quem pode participar?
Sérgio Serapião: Todos podem participar: pessoas, empresas, ONGs, escolas, governos. Precisamos de atuação e participação de todos! Todas as idades, setores da economia, saberes. Só assim atingiremos nosso objetivo de integração plenas da diversidade. Na forma de trabalho, empreendedorismo, atuação cívica voluntária. Todas as formas de amor são válidas.

>> Para participar do Festival faça sua inscrição gratuita aqui.

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