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Reflexões da relação arte e política

O teatro é uma das expressões artísticas mais antigas, simbólicas e concretas já feitas pelo homem. Com os dramaturgos gregos Ésquilo, Eurípedes e Sófocles, a arte do diálogo teatral ganhou a roupagem das tragédias, eternizadas como fontes absolutas da dramaturgia clássica.

Em sua essência, o teatro se mostra político, explora e questiona a condição humana, demonstra que as relações do homem com seus semelhantes e o mundo que o cerca são estritamente políticas. Trata-se dos vínculos entre cidadão e sociedade, onde se originam tensões, embate de interesses, discussão de ideias e organização político-social.

No teatro político, tais relações não se estruturam como mera representação da realidade; assim explora-se a matéria-prima sociocultural para confrontar no espaço cênico recortes de um contexto social. Para isso, política é indispensável. É o que exalta a capacidade humana de conviver em grupos e nos diferencia de outras espécies. Como nos ensina a sabedoria grega, o homem é, naturalmente, um animal político.

Resgatando a essência das relações políticas em sintonia com o teatro na região do Grande ABC, o Sesc Santo André realiza nos meses de março e abril o projeto Teatro Político no ABC: identidade e resistência.

O teatro no Grande ABC, historicamente, guarda forte relação com a elaboração de obras politizadas, seja com grupos teatrais originados em fábricas durante a década de 1960 e 1970, ou grupos engajados em uma perspectiva artística em parceria com gestões públicas. Ao longo dos anos, criou-se na região um teatro identitário e tradicional, marcado por sua resistência a indústria cultural e modernização conservadora da sociedade, engajado em tratar de questões políticas e sociais, regionais e nacionais.

São espetáculos que estabelecem diálogos com o passado, propõem hipóteses históricas que se desprendem de teses ideológicas; determinam um ponto de partida para o pensamento político ao desconstruir ideias e esboçar novos entendimentos sobre tensões presentes na convivência em sociedade. Outro aspecto que completa a identidade dinâmica do teatro no ABC é sua capacidade de resistir às dificuldades de trabalhar com teatro na região. Dentro de processos que marginalizam a produção artística local, muitos grupos articulam-se de maneira colaborativa, compartilham espaços, trabalhos e dividem contribuições técnicas como direção, dramaturgia, cenário e iluminação dos espetáculos, culminando em um reconhecimento mútuo da produção teatral na região.

As peças do Teatro Político no ABC: identidade e resistência acontecem do dia 14 de março a 15 de abril. Para conhecer a programação completa, clique aqui.

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