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ETA Guarulhos: a gente quer misturar tudo ali

Espaço de Tecnologias e Artes do Sesc Guarulhos
Espaço de Tecnologias e Artes do Sesc Guarulhos

Um hacker space, um fab lab ou ateliê de artistas? O Espaço de Tecnologias e Artes do Sesc Guarulhos nasce a partir das experiências desenvolvidas em ETAs de outras 36 unidades do Sesc São Paulo, desde 2015, e duas décadas de história, desde os primeiros espaços públicos de acesso à internet na instituição e o antigo programa Internet Livre.

"Eu sempre gostei de fazer coisas", conta Miguel Alonso, de 28 anos, "desde pequeno eu pensava: é pra brincar? Então, vamos construir. Vamos desmontar aquele liquidificador e construir alguma coisa". Carioca de nascimento, Miguel morou em Lorena (SP), no Vale do Paraíba, antes de se mudar para a capital paulista, onde se formou em Artes Visuais e agora conclui um mestrado em Artes, na UNESP.

XTO (se pronuncia "xisto") é o pseudônimo de Rodolpho Bertolini Junior, de 41 anos, formado em Desenho Industrial (Mackenzie) e técnico em Eletrônica. Rodolpho-pai, explica o filho, é projetista de ferramentas mecânicas. Mais novo, enquanto assistia TV com as irmãs e a mãe, XTO notava Rodolpho debruçado sobre a mesa de projeto desenhando. "Eu via uns projetos muito grandes que ele fazia e colocava para secar na parede, porque naquele tempo ele usava tinta nanquim", puxa na memória XTO, "e depois eu via as ferramentas se materializando".

Bruno Fiorelli, de 34 anos, fez dois semestres de Engenharia Mecatrônica antes de mudar de vez para a graduação em Sociologia (UNICAMP). "Eu percebi que eu gostava do tema tecnologia, mas não pelo caminho das exatas", conta Bruno, nascido em Santa Rita do Passa Quatro (SP). "Quando eu mudei para a Sociologia, comecei a estudar economia colaborativa, organizações em rede, sociologia da tecnologia e cultura hacker".

Quando você for ao Espaço de Tecnologias e Artes do Sesc Guarulhos, a partir da sua inauguração, no dia 11 de maio de 2019, as chances são grandes de encontrar o Bruno, o Miguel e o XTO. Os novos educadores de tecnologias e artes do Sesc Guarulhos se revezam nos períodos da manhã, da tarde e da noite para conduzir cursos e oficinas, propor programações e receber o público e artistas convidados no mais novo ETA do estado.

Esse Espaço de Tecnologias Arte ocupa cerca de 200 m² do andar térreo da novíssima unidade, em Guarulhos, e é composto por dois laboratórios vocacionados: o Lab A é dedicado à prática multimídia e à cultura digital; o Lab B é voltado às práticas construtivas, com ênfase na fabricação digital. O espaço dispõe de equipamentos como furadeiras, serra tico-tico, impressora 3D, fresadora CNC de 4 eixos e fresadora de precisão

Como em outras unidades, o ETA é um ambiente para o público realizar experimentos criativos em tecnologias digitais e mistas (analógicas+digitais), de forma colaborativa e com uma constante reflexão sobre o papel desses saberes e técnicas na sociedade. Para os novos educadores do Sesc Guarulhos, essas são perspectivas importantes na promoção da autonomia das pessoas. Sozinhos fazemos muito pouco. É construindo coletivamente – e de modo consciente – que se ativa o poder transformador desses conhecimentos e práticas.

"Na verdade, a gente é quem mais vai aprender aqui", confessa Miguel. São muitas as possibilidades. Afinal, "a gente vê tecnologia como qualquer forma de inovação técnica que nos auxilie a fazer alguma tarefa", explica XTO, "a gente quer misturar tudo ali".

Ao passar os dedos na tinta e depois sobre a rocha, a humanidade inovou. E inovou novamente ao experimentar, no lugar dos dedos, o pincel. Do corpo humano à fabricação digital e à inteligência artificial, a tecnologia tem sido parceira do indivíduo e das comunidades na expressão de sua imaginação.

A ideia é experimentar e, de quebra, aprender. "O campo da arte não trabalha na lógica de erros e acertos", defende XTO. "Eu mesmo nunca tive muito talento pra desenho e nem me expressar corporalmente, nem canto nada", revela Bruno. "Tudo é difícil: conhecer alguém, escrever um texto, entrar num espaço novo em que você nunca foi. A gente vai se acostumando e perde a noção do quanto é difícil", diz Miguel, "em artes isso é muito claro. Quem nunca pegou uma folha de papel querendo desenhar e não ficou assustado, sem saber o que fazer? Nosso papel é trabalhar para que qualquer um se sinta livre para usar aquela folha, aquele circuito ou computador". Juntos.

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