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Café que dá samba!

O projeto propõe resgatar através de shows a história e a trajetória de grandes sambistas paulistas
O projeto propõe resgatar através de shows a história e a trajetória de grandes sambistas paulistas

E quem disse que café não dá samba? A cultura do café, enraizada no interior paulista, inflou a economia brasileira na segunda metade do século XIX. Em Santana de Parnaíba e nas cidades do entorno, a economia cafeeira transformou a realidade de muitos habitantes do município e de outras localidades; entre eles, os negros que foram levados e escravizados nas fazendas. O tráfico de pessoas e o aumento da oferta de mão de obra, legitimada pelo estado escravocrata, foram responsáveis por tornar o Brasil um dos maiores exportadores mundiais de café.  Mas o protagonismo oculto dos negros do interior de São Paulo não se limita apenas ao crescimento da economia do país. Foram eles que, mesclando costumes, manifestações culturais singulares e resistindo à escravidão, deram origem a um dos símbolos internacionais da música brasileira: o samba paulista.

Ao contrário da comum associação, o samba paulista não é derivado do samba carioca, originado das camadas populares que ocupavam os morros do Rio de Janeiro. Em São Paulo, o samba nasceu da cultura caipira e rural, fluindo de ritmos como Tambu, o Batuque de Umbigada, o Samba de Bumbo, entre outros.  Com o declínio da cultura do café, muitos habitantes do interior paulista migraram para o centro urbano de São Paulo no final do século XIX. A urbanização metropolitana, a construção de prédios e novas moradias expulsaram os cortiços - em sua maioria, ocupados por negros - do centro da cidade. Era o fim das “malocas”, um “causo” retratado por Adoniran Barbosa em seu memorável samba, Saudosa Maloca, em 1951.

Estas e outras memórias integram a segunda edição Memórias do Samba Paulista no Sesc Santo André. Em quatro encontros, mediados pelo radialista e pesquisador Moisés da Rocha, o projeto traz ao público histórias e trajetórias do samba nas vozes de sambistas consagrados. Entre uma conversa e outra, os convidados contam “causos” do samba de São Paulo e interpretam algumas obras, acompanhados por bandas de base diferentes a cada apresentação.

O primeiro encontro acontece dia 17 de maio, sexta-feira. Moisés da Rocha convida o compositor Canhotinho, integrante do Demônios da Garoa, grupo vocal-instrumental mais antigo e atuante do país, e o Conjunto João Rubinato, que através de uma vasta pesquisa celebra a vida e a obra de Adoniran Barbosa, revelando novas facetas ainda pouco conhecidas deste personagem do samba de São Paulo.

No dia 24, Moisés recebe o cantor e compositor Eduardo Gudin, para um bate papo com Julião Pinheiro, um dos fundadores da famosa roda Samba do Ouvidor, no Rio de Janeiro. No encontro entre violinistas de diferentes gerações, Gudin e Julião celebram suas parcerias em comum com Paulo César Pinheiro, pai de Julião, e não se restringem a sotaques e territorialismos ao exaltar o samba como patrimônio da cultura popular brasileira no show Samba Sem Fronteiras.

Na semana seguinte, dia 31, é a vez do músico Roberto Seresteiro unir-se à cantora Ana Bernardo, sob mediação de Moisés da Rocha, para uma conversa sobre a obra de um dos maiores compositores paulistas: Paulo Vanzolini. Nesse encontro, os artistas revivem memórias da assídua convivência de ambos com o homenageado e seu repertório.

Para encerrar a segunda edição do Memórias do Samba Paulista, no dia 7 de junho, Moisés da Rocha convida o músico natural de Santo André, Leandro Matos e a sambista Tia Cida dos Terreiros, uma das principais referências femininas e precursoras do samba em São Paulo. No show O Samba das Quebradas, Tia Cida e Leandro Matos destacam o estilo e temas do samba tocado nas periferias paulistas, com ênfase para a produção da comunidade Berço do Samba de São Mateus.

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