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Conheça a trajetória de Elaine Ramos, referência no design gráfico brasileiro

Elaine Ramos com o livreto da exposição
Elaine Ramos com o livreto da exposição "O Tempo Mata" no Sesc Avenida Paulista. Foto: Carol Vidal.

A designer Elaine Ramos criou a identidade visual da exposição "O Tempo Mata", em cartaz até 16 de junho, no Sesc Avenida Paulista. Atuante na área cultural e sócia da editora paulistana Ubu, Elaine esteve à frente dos projetos gráficos da editora Cosac Naify, por 15 anos e tem uma história longa data com o Sesc. Conheça os detalhes sobre a sua trajetória nesta entrevista para a Eonline.

Conte sobre sua trajetória como designer. O que te fez se interessar pela área?

Elaine Ramos: Fiz faculdade de arquitetura. A formação ampla e interdisciplinar da FAU-USP moldou minha forma de pensar o projeto e, ao longo da graduação, fui me interessando mais pelas disciplinas ligadas ao design gráfico. Em 2000, assim que me formei, meu primeiro trabalho grande foi a comunicação visual da Mostra Brasil + 500 – uma exposição enorme que tomou todos os prédios do parque do Ibirapuera – na equipe do designer Chico Homem de Melo, que havia sido um professor importante pra mim na FAU. Logo em seguida entrei na editora Cosac Naify, onde fiquei por 15 anos. Em 2015 montei um pequeno estúdio de design, atuante na área da cultura, e a editora Ubu, com a Florencia Ferrari.

Linha do tempo do design gráfco no Brasil
Linha do tempo do design gráfco no Brasil, da editora Cosac Naify
 

Como funciona seu processo de pesquisa?

A pesquisa sempre se desdobra a partir do assunto com o qual estou trabalhando, é do conteúdo que eu tiro os elementos do projeto, por isso procuro sempre trabalhar com temas que me interessam, e que sejam férteis criativamente.

Em que momento você começou a abranger outros ramos do design além do editorial/impresso?

Como eu trabalhei muitos anos na editora Cosac Naify, acabei me especializando muito em livros, mas mesmo dentro da editora eu fiz alguns trabalhos de identidade visual, como a identidade da 28ª Bienal de São Paulo em 2008. Com o fechamento da editora, em 2015, pude estruturar um pequeno estúdio e ampliar minha atuação, o que foi bastante desafiador e estimulante.


Identidade da 28 Bienal de São Paulo em 2008.


Você já fez alguns trabalhos para o Sesc. Poderia comentar sobre eles?

Sou frequentadora do Sesc, e sua programação sempre foi parte da minha formação. Meu primeiro trabalho foi há séculos, assim que me formei, em 2000, fiz o material educativo de uma exposição do Sebastião Salgado. Em 2015, fiz o Túnel do Tempo de Design Gráfico no Sesc Pompeia, uma exposição com a qual eu tinha muito envolvimento, pois era um desdobramento da pesquisa do livro Linha do tempo do design gráfco no Brasil, que eu havia desenvolvido com o Chico Homem de Melo, ao longo de anos. Os projetos do Sesc costumam tratar de assuntos que me interessam muito, como a exposição Todo Poder ao Povo! que tratava de design gráfico e política, ou Linhas de Histórias, sobre ilustradores. Mas mesmo eventos como o Sesc Jazz ou o Mirada, que não são diretamente ligados à minha área, me apresentaram artistas super interessantes que eu não conhecia. Além da relevância dos assuntos, os trabalhos para o Sesc também costumam ter muita visibilidade, então é um baita privilégio.

Túnel do Tempo do Design Gráfico - Sesc Pompeia Todo Poder ao Povo!

Exposições Túnel do Tempo de Design Gráfico no Sesc Pompeia e 
Todo Poder ao Povo! Emory Douglas e Os Panteras Negras, no Sesc Pinheiros.

Cite alguns artistas (mulheres e homens) que te influenciam.

Eu sempre acho muito difícil e arbitrário elencar nomes, pois isso muda conforme o assunto e o momento, então é sempre muito arbitrário. Entre os ícones do design brasileiro eu fico com o óbvio, Aloisio Magalhães, que teve uma atuação muito ampla e exemplar, dos mundiais os holandeses Wim Crouwel e Karel Martens.

Aloisio Magalhães "New Alphabet"  de Wim Crouwel 1967
O designer Aloisio Magalhães e o "New Alphabet" do designer Wim Crouwel


Entre os designers atuantes no mundo hoje, eu acompanho a dupla de designers holandeses Armand Mevis & Linda van der Deursen, que fizeram identidades muito abertas e influentes como a do museu Stedelijk, em Amsterdã.

  
Material educativo para o museu Stedelijk de Armand Mevis & Linda van der Deursen e a designer Irma Boom

Tem a Irma Boom, também holandesa, que eu conheci e que trabalha principalmente com livros. Tem o designer japonês super pop, irreverente Tadanori Yokoo que eu acho inspirador.


Pôster do designer Tadanori Yokoo

Acompanho também o trabalho super delicado da francesa Fanette Mellier. Mas eu acho mais rico beber de outras áreas que não o próprio design, e aí são infinitas as possibilidades!


A designer francesa Fanette Mellier

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