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Christiane Jatahy estreia o final de sua odisseia no Sesc Pinheiros

Foto: Christiane Jatahy
Foto: Christiane Jatahy

Christiane Jatahy passou os últimos sete meses viajando ao redor do mundo, em contato com diversas instituições culturais; foi quando filmou atores em situação de refúgio no Líbano, Palestina, Grécia e África do Sul. O trabalho foi realizado a partir de um roteiro adaptado da ‘Odisseia’, de Homero - mesmo texto que serviu de base para a criação do projeto ‘Nossa Odisseia’, um díptico iniciado no ano de 2018 com ‘Ítaca’ e concluído com ‘O Agora que Demora’, que estreia no Sesc Pinheiros.

O trabalho dá continuidade à pesquisa da diretora entre as fronteiras de teatro e cinema, presente fortemente em seu processo criativo na última década. Desta vez, o material gravado – que também incluiu o registro de uma tribo indígena na Amazônia – deu origem a um filme, cuja exibição será atravessada por uma interação teatral.

O teatro interfere no que já foi filmado. Nesta relação, o presente muda o passado. O teatro modifica, acrescenta e dialoga com o filme’ explica Jatahy, que desenvolveu uma intensa trajetória internacional a partir de 2011, com a estreia de ‘Julia’, montagem inspirada em Strindberg que acumula dezenas de apresentações no exterior, assim como ‘E Se Elas Fossem para Moscou’ (2014) e ‘A Floresta que Anda’ (2015), baseadas em Tchekhov e Shakespeare, respectivamente.

 


Foto: Thomas Walgrave

Nos últimos anos, a diretora foi convidada a criar um espetáculo para a Comédie-Française (‘A Regra do Jogo’, 2017) e se tornou a primeira brasileira a assinar uma montagem na tradicional companhia parisiense. Em 2018, estreou ‘Ítaca’ no Odeon Theatre de l’Europe, em Paris. Hoje, ela é artista residente no Teatro Nacional de Bruxelas, na Bélgica, no Teatro Nacional de Genebra e nos franceses Odéon e Centquatre.

‘O Agora que Demora’ já tem uma turnê agendada por mais de vinte cidades até meados de 2020, incluindo passagens pelo Festival de Avignon (França) e temporadas em Bruxelas, Paris, Strasbourg, Santiago, Modena, Genebra, Girona, Besançon, Lisboa e Porto.

Entre o documental e o ficcional em uma jornada pelo mundo

Por todos os lugares em que passou para desenvolver ‘O Agora que Demora’, Jatahy se relacionou com atores e não atores, todos em alguma situação de exílio. Além de relatos pessoais, ela e sua equipe captaram cenas em que o texto de Homero foi usado como material ficcional para através dele falar também de situações reais.

Somente na Amazônia eu não trabalhei com atores. Mas lá também a história da Odisseia serviu de base para falarmos das nossas histórias pessoais, e do que está acontecendo no Brasil hoje’, relata a diretora.

Por outro lado, as semelhanças que apareciam no trabalho ao redor do mundo se deram a partir da jornada do protagonista Ulisses em sua árdua e quase impossível volta para casa. Em muitas das cenas, o texto clássico se misturava à história pessoal dos atores e as locações reforçavam os paralelos entre o texto clássico e os dias de hoje.


Foto: Paulo Camacho

A história do Telêmaco, filho de Ulisses que tinha apenas alguns meses quando ele partiu para a guerra, também é contada nessa criação. Em cada um dos lugares filmados, as crianças fizeram parte das filmagens traçando o percurso do Telêmaco. Crianças que, de alguma forma, também tiveram suas histórias modificadas pelas guerras reais ou pela necessidade de mudança dos pais em busca de uma vida melhor.

Somos na maioria descendentes de pessoas que precisaram se mover para sobreviver, isso está no nosso passado e talvez no nosso futuro. São pessoas que não estão em seus lugares por conta do que está acontecendo nos países delas. Muitos países estão tão destruídos que a única chance de sobreviver é o mar’, analisa.

O ‘O Agora que Demora - Nossa Odisseia II’ faz temporada de 2 de maio a 2 de junho de 2019 no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros. Para mais informações, clique aqui.

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