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Lugar de fala: o importante conceito por trás da exposição Palavras Cruzadas

Uma arena de formato circular espera o público para uma videoinstalação com 12 histórias de luta.
Uma arena de formato circular espera o público para uma videoinstalação com 12 histórias de luta.

Iniciada em Abril no Sesc Sorocaba, a exposição “Palavras Cruzadas: Lugares de Fala Contemporâneos” contempla em sua concepção temas importantes na contemporaneidade. O trabalho, que tem videoinstações feitas por Daniel Lima e curadoria de Élida Lima e Felipe Teixeira, evidencia 12 histórias com depoimentos de protagonistas de diversas lutas sociais contra o preconceito e a discriminação.

Do movimento indígena ao feminista, dos secundaristas aos LGBT’s+, a exposição se solidifica com um importante papel restaurativo que visa dar espaço e vazão para vozes que, por tanto tempo silenciadas, foram historicamente impedidas de falar sobre suas vidas a partir da própria realidade.

 

Na exposição, que fica em cartaz até 21/7 na Unidade, público e personagem constroem uma interação pautada pela alteridade.Na exposição, que segue até 21/7 na unidade, público e personagem constroem uma interação pautada pela alteridade.

Um dos motes de “Palavras Cruzadas” é, justamente, o lugar de fala: um conceito filosófico popularizado no Brasil pela escritora Djamila Ribeiro. O artista e idealizador da exposição, Daniel Lima, explica que desde a colonização do Brasil houve sub-representação de alguns grupos como os indígenas e os negros, que tiveram suas culturas e vivências escritas, cantadas e representadas, na maioria das vezes, por vozes que não as suas.

O lugar de fala é o lugar em que a pessoa vai se representar, vai contar sobre a sua existência neste mundo”, ressalta Lima. Para o artista, é necessário que cada indivíduo fale sobre sua realidade a partir de si mesmo já que, segundo ele, alguns grupos foram “historicamente segregados” e perderam, assim, um local para falar de suas histórias.

Dentro desta ideia, qual seria então o lugar de uma pessoa heterossexual, por exemplo, diante de um LGBT+? Para o propositor da exposição, à resposta é simples: escutá-las. Entender como essas pessoas vivem em sociedade e se interessar verdadeiramente por suas questões. É necessário, ainda neste processo, se desprender de tudo que já foi ouvido ou lido sobre determinado grupo de pessoas e deixar que elas mesmas guiem suas histórias.

Tudo isso vai ao encontro da alteridade, outro conceito importante em "Palavras Cruzadas". No material de mediação da exposição, a palavra é descrita como colocar-se no lugar do outro de forma efetiva. Exercer a alteridade é, de acordo com as Ciências Humanas, enxergar o outro, dialogar, buscar entendê-lo. Uma prática mais do que necessária na construção de uma sociedade empática e que tenha a equidade de direitos como principal bandeira.

O material de mediação da exposição "Palavras Cruzadas: Lugares de Fala Contemporâneos’" traz a trajetória completa de cada personagem da vídeo-instalação de Daniel Lima.

Daniel Lima ressalta que “o lugar de fala só existe quando existe o lugar de escuta” e enxergar o outro, como nos propõem os exercícios de alteridade, é compreendê-lo a partir da história daquele sujeito enunciada por ele. Somos, afinal, especialistas em nós mesmos. 

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