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Exposição de Luiz Hermano extrapola acervo de arte do Sesc Santo Amaro

Uma instalação com dezenas de trapézios ocupam o Espaço das Artes. Do lado de fora, mais duas obras
Uma instalação com dezenas de trapézios ocupam o Espaço das Artes. Do lado de fora, mais duas obras

A exposição Trapézio, com a curadoria de Cauê Alves, apresenta diversas peças do artista no Sesc Santo Amaro, até 29 de julho

A quinta edição do projeto Desdobramentos – Acervo em Expansão realiza a exposição Trapézio do artista Luiz Hermano (Preoca/CE, 1954). Com curadoria de Cauê Alves, as obras inéditas apresentadas no Sesc Santo Amaro formam um conjunto novo dos estudos do escultor com o trapézio. 

ESTUDO DO TRAPÉZIO

As diversas obras que vieram compor a exposição partem do estudo da ciência das formas, tamanho e propriedades do espaço: a geometria. Na poética de Luiz Hermano, as formas e geometrias são pontos iniciais de criação, as gravuras chamadas Teoremas, 2017, já partem de pressuposto do raciocínio lógico. Na elaboração escultórica de 2018, raciocínio e invenção acontecem a partir do trapézio, quadriláteros de dois lados paralelos, quatro vértices, que serão bases de diversas esculturas. Do encontro de um, dois, três, quatro ou seis trapézios, estruturas tridimensionais maiores e diferentes formas surgem. Estas peças que surgiram estão dispostas tanto presas nas paredes quanto penduradas no espaço expositivo.

As peças de trapézio são de aço (vergalhões), cada módulo soldado um nos outros constroem estruturas em diferentes dimensões (pequenas, exemplo de 38 cm x 25cm x 10cm; médias de 29 cm x 30cm x 28cm). O trapézio também remete ao sentido da barra usada no circo e na ginástica, essa barra suspensa traz recordações e sensações lúdicas de flutuação. Juntos, os trapézios do artista plástico revelam encontros, hastes e vazios. As junções despertam na visualidade das esculturas contornos estranhos, conexões desequilibradas, rompendo uma lógica da perfeição – rompe também com a prova verdadeira de um teorema.      
             
Para Cauê Alves, “Duas forças opostas e complementares são ressaltadas no Trapézio: o orgânico que quer se reorganizar e o geométrico que tende a quebrar qualquer estrutura rígida. Mesmo que algumas formas se aproximem de ícones, elementos gráficos que quase representam uma imagem, o conjunto se sobressai às peças individuais (...)” relata o curador.  

DESDOBRAMENTOS

A escultura metálica no ginásio do Sesc Santo Amaro faz parte da série Perfis (2011 a 2013), na qual Luiz Hermano, em uma visita no canteiro de obras da unidade, observou os materiais utilizados pelos trabalhadores e criou com diferenciados formatos uma composição única de vazios e vazados.

A quinta edição do projeto Desdobramentos – Acervo em Expansão cria oportunidades para o público encontrar obras de artistas que compõem o Acervo Sesc de Arte Brasileira,  no intuito de ampliar a expriência de visualização e fruição. No Sesc Santo Amaro, a proposta é expandir o encontro das pessoas com outras obras dos artistas que já expõem seus trabalhos permanentemente na Unidade.  

LUIZ HERMANO

Luiz Hermano Façanha Farias é escultor, gravador, desenhista, pintor e vive e trabalha em São Paulo/SP. Nos anos 1970, estudou filosofia em Fortaleza e, de maneira autodidata, trabalhou com gravura em metal e desenho. Fez gravura com Carlos Martins na Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage, no Rio de Janeiro, e nos anos 80 participa de mostras coletivas e bienais internacionais como as de Seoul, Havana e São Paulo, além de exposições individuais com desenhos e pinturas. Nos anos 90 desenvolveu trabalhos tridimensionais com diversos materiais e as esculturas passam a se destacar na sua poética e pesquisa. Resíduos e materiais industrializados como cobre, bronze, alumínio e aço são utilizados para suas composições. Seus trabalhos estão nas principais coleções do Brasil, instituições e museus como MASP – São Paulo, MAM – São Paulo e MAC USP.        

CAUÊ ALVES

Cauê Alves (São Paulo, SP, 1977) é doutor em Filosofia, professor do departamento de Arte da Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes da PUC-SP e do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Atualmente, é curador geral do MuBE. Foi um dos curadores do 32º Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo (2011) e curador adjunto da 8ª Bienal do Mercosul (2011). Foi membro do Conselho Consultivo de Artes do MAM-SP (2005-2007) e curador do Clube de Gravura do MAM-SP (2006-2016). É autor do livro Mira Schendel: avesso do avesso e da mostra homônima (Bei Editora/ IAC, 2010). Foi curador assistente do Pavilhão Brasileiro da 56ª Bienal de Veneza (2015). Foi co-curador da mostra Sergio Camargo: Luz e Matéria, no Itaú Cultural e Fundação Iberê Camargo (2015-2016).
 

TRAPÉZIO – LUIZ HERMANO

HORÁRIO DE VISITAÇÃO – Terça a sexta, das 10h30 às 21h, sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h. Livre. Grátis. Até 29 de julho de 2018. Sesc Santo Amaro.
 

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