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Crochê a Lá Vontê e o Homem na Agulha no Sesc Catanduva

Thiago Rezende, o Homem na Agulha.
Thiago Rezende, o Homem na Agulha.

O Sesc Catanduva vem trabalhando ao longo dos anos em várias atividades que estimulam a valorização social através do trabalho manual. São ações voltadas ao aprimoramento de habilidades e desenvolvimento de potencialidades, a fim de favorecer o fortalecimento de redes criativas e do protagonismo produtivo. As atividades têm, como fim último, incentivar os participantes a se tornarem agentes de transformação da própria condição social. Crochê a lá Vontê é um exemplo dessas atividades, um momento de encontro, de socialização e de aprendizado de crochê e tricô.

É o indivíduo potencializado por conhecimentos e ferramentas, que se torna protagonista de sua atividade e difusor de um antigo saber. Além desta oficina semanal, para estimular ainda mais a produção de artes manuais, o Sesc Catanduva, em ocasião do Dia Mundial do Crochê (12 de setembro) convidou o artista plástico Thiago Rezende para realizar oficinas gratuitas de crochê, que acontecem na sexta dia 8 de setembro, na Associação Cultural Dell’Arte e na unidade. Nelas, os participantes poderão aprender a fazer um amigurumi, boneco de crochê com enchimento.

Thiago Rezende é o artista que criou um projeto de artes manuais que o resume, e é quase um slogan pessoal: ele é o Homem na Agulha. Vem conquistando com seu trabalho cada vez mais atenção da sociedade e das mídias, o que é muito positivo, pois demonstra uma mudança de pensamento e de comportamento em nossa sociedade. É graduado em Artes Plásticas desde 2009 e há mais de 5 anos trabalha com crochê e tricô. Desenvolve oficinas, objetos de decoração e amigurumis para o projeto Homem Na Agulha. Interessado na constante renovação e atualização dessas técnicas tradicionais, Thiago experimenta em seus trabalhos diversos materiais não convencionais, como cordas de nylon e fios de malha de algodão. Dentro da sua pesquisa poética também estão ações performáticas com agulhas gigantes e instalações interativas. Já realizou trabalhos em parceria com a Discovery Kids, Reserva Mini, Razões Para acreditar, Volkswagen, Skol, By Kamy, Programa Arte Brasil entre outros.

No vídeo a seguir, conheça um pouco mais sobre o projeto Crochê a La Vontê e sobre o trabalho de Thiago Rezende:

 

 

Segundo Thiago, o tricô e o crochê estão sendo cada vez mais reconhecidos como atividades manuais sem distinção de gênero. A exposição de artistas masculinos na mídia, realizando tarefas até então relacionadas ao universo feminino, ajudam a quebrar antigos paradigmas, abrindo espaço para uma conscientização mais moderna e igualitária. Ao longo desses anos, Thiago conta que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito das pessoas, apenas olhares curiosos e interessados.

O objetivo de seu trabalho é difundir ao maior número possível de pessoas o crochê e o tricô, ou seja, ensinar a homens, mulheres e crianças, jovens e idosos. Os benefícios para quem pratica essas artes é muito grande. A atividade manual ajuda a aumentar a concentração, a coordenação motora, o raciocínio e colabora para diminuir a ansiedade. Nos idosos pode ser inclusive uma ferramenta para combater o mal de Alzheimer.

Uma característica intrínseca do tricô e do crochê é a socialização e a relação afetiva das pessoas com essas técnicas. As rodas de participantes parecem induzir à comunicação, são ambientes convidativos.

A linha desenrola do novelo, do fio sai um ponto, que puxa um conto, que lembra um papo, que puxa outro e a conexão entre as pessoas fica tão evidente quanto os pontos que são unidos pelas mãos. 

Thiago também compara o tricotar com um tipo de meditação, tamanha é a concentração e o foco de quem realiza o trabalho. Ele conta que quando está produzindo uma peça, entra em uma estado de espírito muito particular e fica extremamente focado em seu trabalho. Apesar das mulheres ainda serem o maior público das atividades, os homens também participam e ficam muito a vontade de aprender tendo como professor outro homem; essa adesão em suas atividades do público masculino é bastante notada. Já as crianças geralmente não possuem nenhum tipo de preconceito, elas são muito mais abertas à experimentação, a realizarem trabalhos de artes manuais de crochê e tricô, como aconteceu durante a visita de Thiago ao Sesc Registro, onde um grupo de meninos que frequenta a unidade e já está acostumado com a presença do artista por lá, praticamente tomaram conta de todas as agulhas e novelos e dominaram a oficina com animo e dedicação:

Oficina de crochê do Thiago no Sesc Registro

Lembrando que “tricotar” na linguagem popular se tornou sinônimo de conversar, de bater papo. Falando em relação afetiva, Thiago relata uma história interessante de um Festival da Integração, em 2014, em sua primeira experiência como professor de crochê. Naquela ocasião, uma senhora que participava das atividades contou a ele que ensinou seu filho a fazer bordados, quando este era ainda bem pequeno. O menino cresceu, e com o tempo essa arte foi sendo esquecida; formou-se médico, mas ao suturar, lembrava do conhecimento adquirindo na infância com sua mãe, conseguindo resultados muito bons, pois já era familiarizado pelo processo da costura fina do bordado. Como o próprio Thiago explica, nada se perde em nosso desenvolvimento, nós sempre absorvemos conhecimentos, e mesmo de uma atividade artesanal, aprendemos processos válidos que em algum momento de nossas  vidas, nos podem ser úteis.

Mas atenção, cuidado! As atividades acima descritas são altamente viciantes, uma vez que o interessado começa a fazer tricô ou crochê, ele não consegue mais largar. O Sesc Catanduva adverte, mas também aconselha: Venha aprender a fazer um amigurumi com Thiago Rezende e participe do nosso grupo de Crochê!

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