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Sobre o direito de morar no centro

Ocupar é lutar, é resistir. É o que defende Carmen Silva, líder do Movimento Sem Teto do Centro (MSTC). Retratada no filme Era o Hotel Cambridge, Carmen é uma das figuras mais emblemáticas do movimento de luta por moradia em São Paulo. Ela foi recebida no Sesc 24 de Maio, que se prepara para abrir as portas em meio a lojas, galerias, equipamentos públicos, edifícios ocupados e outros tantos ainda sem função.
A poucos dias da inauguração, ela conversou com as equipes da unidade e com a EOnline sobre o centro, habitação, direitos, a chegada do Sesc e mais. Assista:


8 fatos sobre a ocupação do centro, por Carmen Silva:

1. A ocupação, para nós, é o maior símbolo de luta. Ao ocupar, a gente está mostrando ao governo que ele não atende às necessidades dos seus cidadãos.

2. As pessoas que estão dentro do movimento sem teto são iguais a todas as outras, são trabalhadores da economia informal, da saúde, do comércio, professores, guardas metropolitanos, policiais... Só que com uma diferença: tivemos a coragem de denunciar que não existe no estado políticas públicas efetivas no âmbito da habitação. 

3. Tivemos a coragem de dizer que não aguentamos mais pagar aluguel - e muitas vezes quem paga aluguel não tem o que comer, paga aluguel e não pode comprar uma roupa para o filho, não pode comprar um livro.

4. Na região central e no centro expandido da capital existem mais de 290 mil imóveis vazios sem nenhuma função social. O entorno, quando se tem um prédio vazio, é que perde.

5. Se não tivéssemos tomado a dianteira de ocupar esses imóveis que estão desocupados, o centro de São Paulo seria mais um bairro transitório. No distrito da Bela Vista moram 62 mil pessoas, por exemplo. Já no Viaduto do Chá transitam, por dia, 3 milhões de pessoas – que passam correndo para pegar o ônibus ou metro pra ir pra casa.  Por que esses trabalhadores não podem morar no centro, próximo de tudo?

6. A gente não aceita ser chamado de invasor. Invasão seria se nós resolvêssemos agora vir aqui e morar dentro do Sesc. Invasão é quando, lá atrás, a polícia militar resolveu entrar no Carandiru. Nós ocupamos prédios vazios, ociosos, devedores de impostos e com muito lixo. Em cada teto que a gente entra tiramos diversos caminhões de lixo.

7. Quando nós resolvemos ocupar a região central, a gente tá prestando um serviço inclusive para o meio ambiente. Porque quando se cria um bairro novo, na periferia da periferia, falta saneamento básico, falta coleta seletiva do lixo. Vai se jogar o lixo nos córregos. Chove e o que acontece? As enchentes e vários outros problemas. 

8. Não dá pra um trabalhador morar em bairros que ainda estão sendo criados. Bairros que não têm saneamento básico, que não têm hospitais, que não têm UBS, que não têm creche, escolas, faculdade. Um trabalhador sem teto não visualiza uma casa como uma caixa quadrada. A casa é o esteio. Mas a gente necessita ter saúde, educação, cultura, lazer esporte.

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