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Maestro pernambucano transforma pinturas em ópera


 

O maestro pernambucano Ivan do Espírito Santo visitava a Prefeitura de Olinda quando, ao se deparar com as obras do artista plástico Euclides Francisco Amâncio – mais conhecido como Bajado – teve um lampejo de inspiração: transformar as pinturas do artista em um repertório musical. Da ideia, nasceria a Ópera Popular Bajado, que se apresenta sábado e domingo, 16 e 17 de junho, no Teatro do Sesc Pompeia. Regendo a Orquestra Sinfônica do Recife e o Grêmio Musical Henrique Dias, Ivan transforma as cores das telas do artista em notas musicais.

"São frevos, cirandas, cocos de roda, serenatas e gafieiras capazes de ressaltar o colorido característico da obra do artista de Olinda e de animar os traços que dão contorno a figuras do povo desenhadas sempre a dançar, tocar e brincar animadamente pelas ruas da cidade", explica o maestro sobre as 18 músicas que serão apresentadas no palco do Sesc Pompeia. "Foram os folguedos [festas populares] e os movimentos dos personagens retratados nestas telas que determinaram o ritmo e o andamento das músicas", comenta.

Para levar o público para essa "viagem pelo universo pictórico do mestre olindense", as telas também foram transformadas em um animação, que será projetada durante o espetáculo. Evitando perder a essência do pintor, a animação consiste em animar, por meio de recortes, os atos paralisados dos personagens em cena nas obras, como o vídeo abaixo ilustra:



Pinceladas inspiram notas musicais

Assim como as obras de Bajado retratam a cultura popular pernambucana, Ivan procura realizar o mesmo feito com a Ópera. Por meio dos efeitos sonoros e visuais do espetáculo, o maestro pretende transportar os espectadores para a cidade de Olinda, que desde 1982 é considerada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco.

Ivan também destaca a importância de algumas das telas revelarem o pluralismo religioso da cidade. "Esses quadros retratam a devoção da população a santos católicos, como São Sebastião e São Jorge, mas também o culto a entidades sagradas das religiões afro-brasileiras, como a cabocla Jurema", conta.

Para ampliar ainda mais a curiosidade do público, ele promete "um final típico olindense, com muito carnaval". Os 20 minutos finais da apresentação serão destinados a frevos nacionalmente conhecidos para levar a animação dos personagens das telas do pintor para o público da Ópera Popular Bajado.

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