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Entre crianças e árvores: adubando conhecimento

Crianças do Curumim descobrindo as árvores do Sesc Campo Limpo. <br> Fotos: Ronaldo Domingues
Crianças do Curumim descobrindo as árvores do Sesc Campo Limpo.
Fotos: Ronaldo Domingues

Uma planta para crescer precisa de adubo, uma criança para se desenvolver precisa de ideias. Assim como as plantas novas, as crianças são frágeis mas são seres completos que carregam dentro de si toda a carga genética e a capacidade de aprendizado para se tornarem adultos fortes. Elas precisam receber o fertilizante do conhecimento para florescer e as ideias são o adubo desse desenvolvimento pessoal.

Foi esse adubo do conhecimento e da troca de informações que acompanhei com a galerinha do Curumim na atividade “Agroecologia Urbana e Bolas de Sementes”, visitando a horta do Jardim São Luiz e conhecendo as árvores do Sesc Campo Limpo, com Renato Rocha e o Coletivo Dedo Verde, dentro da programação do projeto Ideias e ações para um novo tempo.

Visitando a Horta

Os pequenos ‘agentes de observação do mundo’ atentos e curiosos mapeavam cada espaço. E era cada novidade que surgia diante daqueles olhos arregalados: joaninhas, minhocas, pé de café, limão rosa. “Tio pode comer esse?”  - Pode! “É amargo!”( Era agrião) - Aquele ali é erva doce. “É docinha”.  - Essa árvore é de limão rosa. Quem quer? “Tio, tio, pega um pra mim!?”. E as crianças se reuniram debaixo da árvore e foram abrindo a fruta, chegando a um veredito: “É azedo”. Mesmo assim algumas gostaram.

- Olha o tomatinho.  “Pode comer?”  - Até pode mas esse ainda tá verde. “Mas eu consigo comer assim mesmo...Argh! É muito ruim assim!”. “Pode comer a pimenta?” - Nãããooo! A pimenta não pode! “Por quê?”  - Porque a gente não sabe se você tem alergia a pimenta. – Essa aqui é a semente de café. Quem quer?

Depois de conhecer o território e as variadas espécies, foram convidados a plantar uma muda num vaso feito com garrafa pet.  - Aqui vocês colocam a terra e nessa terra tem esterco de gado, de galinha e bagaço de cana. Frases como ‘argh’, ‘credo’ e ‘eca’ ecoavam das vozes das crianças. - Vocês podem pegar a terra com a mão ou  com a pazinha. “Ahh vou pegar com a pazinha, claro!”. Minutos depois estavam todos colocando a mão na terra.

O contato com a horta também proporcionou uma aproximação das crianças que não estavam acostumadas com esse ambiente. “Quando a gente tava lá na horta eu estava um pouco insegura porque ficava subindo um monte de bicho em mim. Aí quando a gente veio pra cá eu fiquei um pouco mais solta...Aí eu peguei na terra e eu já fiquei bem”, conta Bebel.

As árvores do Sesc


No dia seguinte, a atividade aconteceu no Sesc Campo Limpo. Quem observava de longe via aquele monte de crianças correndo de um lado pro outro para encontrar as árvores dentro da unidade. A cada parada Renato explicava sobre aquela espécie.
Depois de muito correr, as crianças foram produzir as bolas de sementes. Mão na massa...argila, terra, algumas sementes, um esforço manual e a bola estava pronta! Aos poucos a memória afetiva era acionada. Enquanto Marília lembrava da sua avó “Eu conhecia uma dessas sementes porque a minha vó tinha passarinho e ela dava pra ele”, Giovanna estava louca procurando pelas sementes de abóbora e café. “Eu queria muito pegar uma semente de café e a de abóbora porque a minha mãe ela gosta muito de café e ela sabe fazer uma moranga bem gostosa.” lembra.

A semente de Pau-formiga (“Tem formiga aí dentro?”)

Durante a corrida atrás das árvores, encontramos o Pau-Formiga, uma árvore que entre outras coisas, abriga formigas em seu interior, numa relação de simbiose. Quando Renato explicou sobre a semente, Gustavo logo identificou. “É aquele que a gente pegou um dia. Uma vez a gente encontrou uma no chão e tinha um monte. A gente começou a brincar, jogou pro alto e ela começou descer devagar girando assim (acenando com movimento de espiral) e caiu. E agora a gente descobriu que é daquela árvore (Pau-formiga).”
Com isso, eles aprenderam que o formato da semente possui essa característica (heliófita) para disseminar com a ação do evento, favorecendo a propagação da espécie.

A árvore da Laurinha

A menina Laurinha participou de toda a atividade. As crianças corriam atrás do número das árvores que era informado pelo Renato. Suas pernas pequenas não deixavam correr com tanta velocidade e as crianças iam à frente. Quando acabou a correria, foi a hora de construir as bolas de sementes. Ela adorou e fez muitas, das mais variadas.
A professora falou “Vamos levar os vasos pra lá.” Rapidamente a menina pegou os vasos que tinha feito e colocou junto de uma das árvores. Tirou uma das bolas de sementes e jogou na terra. Não era essa a intenção da oficina, mas Laurinha tinha a convicção de que deixando fora do vaso e na terra, a planta cresceria mais rápido.
- Mas Laurinha! Tem que colocar no vaso, falou a professora.
A garotinha argumentou: “Mas é pra ela crescer!” e apontou para uma das árvores, como se dissesse que ali a semente seria inspirada pelas grandes árvores. Ela levou os vasos até o local indicado pela professora, mas a bola de sementes ficou ali na terra. Ninguém percebeu. E a menina “esqueceu”...
Se a semente vai se desenvolver ou se servirá de atrativo para os pássaros, não sabemos. Mas é certo que com aquela garota muita coisa pudemos aprender. Quem sabe um dia veremos por aqui a árvore da Laurinha?

Algumas descobertas

“Eu gostei muito porque a gente descobriu mais as flores. E até as que são comestíveis, que a gente não sabia.” Letícia

“Eu achei legal todo mundo correndo, procurando os nomes das árvores, sempre que parava o tio explicava sobre as árvores. Guilherme

“Na minha casa tem 5 árvores. De amora, de manga, de jabuticaba e as outras eu não lembro.”  - E você come as frutinhas?  “Sim. Elas são bem docinhas.” Maria Clara

“A gente tinha que achar um montão, um montão mas um montão de árvore!” Flavio

*Por Ronaldo Domingues, editor web do Sesc Campo Limpo

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