Sesc SP

Matérias do mês

Postado em

Com a palavra: as mulheres

O Mulher de palavra leva ao Sesc Bom Retiro atividades para discutir, analisar e conhecer obras de escritoras. Serão saraus, contações de histórias e um ciclo de leituras que estreia propositalmente no mês de março, e terá edições na última quinta-feira dos próximos meses, até julho de 2019. O projeto nasce com o desejo de estimular que mais mulheres sejam lidas, publicadas e, principalmente, ouvidas.

Ciclo de leituras

Difundindo as obras literárias indicadas, neste primeiro semestre, o Ciclo de Leituras será mediado pela poeta Luiza Romão, em encontros que buscam a troca das percepções de suas leituras, a partir de uma introdução sobre as obras escolhidas – através de referências e provocações trazidas pela mediadora.

Em entrevista, Luiza afirma que “a mediação é fazer com que a leitura, um ato que fazemos geralmente no âmbito privado, se torne coletivo. Eu vou ler o livro, a partir do meu lugar. Outra pessoa que leu vai trazer sua ideia. A partir dessas impressões diferentes, conseguiremos tecer um diálogo e um debate da obra.”

Sobre a formação de público nessa área, a poeta diz que os movimentos atuais que trabalham com a literatura (como ciclo, saraus e slams), trazem à tona outras formas de acessar a linguagem. Com a sua vivência, ela diz que a fronteira entre quem produz e quem consome literatura é cada vez mais próxima:    

“Qualquer pessoa pode escrever, performar e contar a sua própria história. Tira o artista do lugar de gênio ou alguém excepcional (...) É legal que as pessoas contem as suas próprias histórias.”

Descontraída, Luiza nos conta um pouco mais de sua vivência e o que ela espera do “Mulher de Palavra”

Agenda

Toda última quinta-feira do mês, de março a julho, na Biblioteca do Sesc Bom Retiro, sempre às 19h.

28/3 – “Garotas Mortas”, Selva Amada

Sobre a autora: Selva Almada nasceu em Entre Ríos, Argentina, em 1973. Vem sendo considerada pelos leitores e pela crítica uma das grandes revelações da literatura latino-americana.
Sobre o livro/Sinopse: Três assassinatos entre centenas que não são suficientes para estampar as manchetes dos jornais ou mobilizar a cobertura dos canais de TV. Três crimes “menores” enquanto a Argentina celebrava o retorno da democracia. Três mortes sem culpado. Com o tempo, essas histórias se convertem em uma obsessão particular da autora, o que a leva a uma investigação bastante atípica. A prosa cristalina de Selva Almada mostra como as violências diárias contra meninas e mulheres acabam fazendo parte de algo considerado “normal”. Com este livro, a autora desbrava novos caminhos para a não ficção latino-americana.

25/4 – “Dias de abandono”, Elena Ferrante

Sobre a autora: Elena Ferrante é o pseudônimo de uma romancista italiana cuja verdadeira identidade é desconhecida do público. Autora da tetralogia napolitana que inicia com o livro “A amiga genial” e com diversos romances, dentre eles: “Um amor incômodo” e “A filha perdida”. É um grande fenômeno atual na literatura mundial.
Sobre o livro/Sinopse: No livro, a escritora escondida pelo misterioso pseudônimo utiliza suas palavras para percorrer o turbilhão emocional vivido por Olga após um casamento fracassado. Traída e se sentindo abandonada pelo marido, a personagem enfrenta conflitos internos em meio à nuvem cinzenta da desolação e da nova e inquietante realidade que se apresenta.

30/5 – “A Mulher de pés descalços”, Scholastique Mukasonga

Sobre a autora: Scholastique Mukasonga é uma escritora ruandesa de expressão francesa nascida em 1956. Ela emigrou de Ruanda em 1992, dois anos depois do genocídio dos Tutsis, para se estabelecer na França, onde vive e trabalha atualmente. Dentre seus livros, a maioria deles premiados, temos os seguintes livros traduzidos para o português: “Nossa Senhora do Nilo”, “A Mulher de pés descalços” e “Baratas”.
Sobre o livro/Sinopse: O romance trata dos conflitos enfrentados pelas mulheres de Ruanda nas lutas fratricidas entre as etnias Tutsi e Hutu, que culminaram no genocídio praticado pelos hutus em 1994. Naquele momento, Scholastique Mukasonga, que é da etnia tutsi, já estava radicada na França, e viu à distância sua família ser dizimada. Escritora e ativista da diáspora negra, ela toma para si o chamamento para dar voz à dor e à perda, principalmente de sua mãe Stefania, cuja memória é homenageada neste livro.

27/6 – “Canção de ninar”, Leïla Slimani

Sobre a autora: Leïla Slimani nasceu em Rabat, no Marrocos, em 1981, e vive desde os 17 anos em Paris. Atuou como jornalista e publicou o primeiro romance, Dansle Jardin de l’ogre, em 2014. O livro fez dela a primeira mulher a ganhar o prêmio La Mamounia, atribuído a escritores marroquinos em língua francesa. Seu segundo livro, Chanson douce, publicado no Brasil como Canção de ninar, venceu em 2016 o Goncourt, mais importante prêmio literário da França.
Sobre o livro/Sinopse: Quem cuida dos seus filhos quando você não está olhando? Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia.

25/7 – Livro surpresa

Antologia inédita de poetas slammers que será lançada no primeiro semestre de 2019. Convidadas para o encontro do ciclo: Luz Ribeiro, Mel Duarte e Ryane Leão.

Contação de histórias

“As Clês contam as vozes femininas da América Latina”, com Cia As Clês

31/03, 07 e 14/04 – das 14h às 16h

Sinopse: "As Clês contam as vozes femininas da América Latina" engloba contações de histórias, seguidas de oficinas lúdicas para crianças com o objetivo de promover o intercâmbio entre histórias de grandes mulheres de relevante atuação na sociedade e o público infantil e as famílias. A Cia As Clês, formada exclusivamente por mulheres, abordará as trajetórias de quatro personalidades latino-americanas: Patrícia "Pagu" Galvão (Brasil), Frida Kahlo (México), Violeta Parra (Chile), Chiquinha Gonzaga (Brasil).

Outras programações

Literatura

Diálogos do Feminismo Negro: Brasil e Caribe nas obras de Ana Maria Gonçalves e Maryse Condé

Diálogos do Feminismo Negro: Brasil e Caribe nas obras de Ana Maria Gonçalves e Maryse Condé

SESC Avenida Paulista

Saiba mais