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Exposição traça um panorama do trabalho de Cristiano Mascaro

Fortaleza de Sagres - Algarve - 2016 | Cristiano Mascaro
Fortaleza de Sagres - Algarve - 2016 | Cristiano Mascaro

A exposição  “O que os olhos alcançam – Cristiano Mascaro”, que fica em cartaz no Sesc Pinheiros de 29 de março a 23 de junho de 2019, reúne cerca de 180 imagens do acervo do artista e de outras instituições, e traça um amplo panorama da trajetória do fotógrafo, atuante há 50 anos na cena fotográfica paulistana, brasileira e internacional.

O que os olhos alcançam revela fotografias e documentos variados que apontam os diversos caminhos percorridos pelo artista. A exposição se organiza em diferentes núcleos, que criam uma espacialização sem ordem cronológica, mas quando articulados dão a exata dimensão de sua obra.

As configurações estéticas de suas fotografias são resultado de sua busca para dar visibilidade aos pequenos atos ordinários de luz e movimento dos passeantes nos espaços públicos. Há em suas imagens certa trama conceitual que nem sempre é perceptível, levando o observador a estabelecer relações com as forças históricas, políticas e culturais. Mascaro teve como referências no início de sua carreira os trabalhos dos fotógrafos Henri Cartier-Bresson, Robert Frank, a coleção da revista Life, o poeta André Breton, entre outros. Com Breton, compartilha a proposição “a rua é o único campo legítimo de experiência”, relativizando a afirmação, nota-se que Mascaro procura no seu caminhar por ruas, becos e praças das diferentes cidades onde passou o momento exato de fotografar algo inusitado.

 

Fiquei entusiasmado com a possibilidade de viver fotografando o mundo de forma leve, descontraída e sincera”, ressalta Mascaro. E assim, foi revelando passo a passo esse processo que captura a crônica do cotidiano, a combinação das geometrias, o refinamento da cópia em preto e branco e sua permanente inquietação – do homem e do espaço urbano.

Cristiano carrega uma sensação nostálgica quando se refere às ruas de São Paulo, citando a Avenida São João com carinho, lembrando sua juventude quando passeava pelo centro. “São Paulo é uma referência porque vivo aqui. Ela não te deixa sossegado, para o bem ou para o mal. É uma cidade que te coloca sempre questões. É desafiadora e encantadora. Por ela ter características tão opostas, ela se torna muito interessante”, destaca.

O processo curatorial da exposição, pelas mãos do pesquisador e curador Rubens Fernandes Junior, coloca as principais linhas de ação do percurso técnico e estético do artista visual.Ao selecionar as fotografias dentro de um repertório eclético e versátil, trabalhamos com a possibilidade de elencar algumas potências que sua trajetória permite vislumbrar, por exemplo: a questão técnica (analógico e digital); diferentes câmeras e formatos (negativos 35 mm, 6X6, 6X9, matriz digital); a história do Brasil (ciclo da cana, do ouro, da borracha, do café); as questões políticas (centrada no início de sua trajetória no fotojornalismo); a arquitetura e os principais arquitetos do Brasil e do exterior; múltiplas narrativas e a influência da literatura em seu trabalho; as principais influências – Henri Cartier-Bresson, Robert Frank, G.E. Kidder Smith, entre outros; a história da fotografia, de São Paulo e de outras cidades por meio da arquitetura”, explica o curador.

Além das fotografias, a exposição conta com vitrines em que são exibidos documentos originais (em sua maioria), que trazem evidências das relações afetivas e profissionais que Cristiano Mascaro vem mantendo ao longo de toda sua jornada. Cartas e bilhetes (como de Antonio Candido, Paulo Mendes da Rocha, Thomaz Farkas, Richard Serra, Lew Parrella, entre outros), além de catálogos, livros, capas de revistas, cartazes, convites de exposições, anotações, cópias vintage e retratos com amigos.

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